De janeiro de 2025 até 20 de maio deste ano, as redes sociais e os sites de notícias acumularam 1,9 milhão de citações sobre as festas juninas de São João e, principalmente, sobre as quadrilhas. Esse volume, divulgado por um estudo da Quaest em parceria com o YouTube, mostra ainda que 608 mil autores únicos, ou seja, perfis diferentes, entraram na conversa, gerando uma média diária de 3,8 mil menções.

Em termos de alcance, cada hora do período analisado registrou 614 mil visualizações estimadas, incluindo usuários de fora do Brasil. 

Primeiramente, em maio, os preparativos de São João tomaram conta da web: ensaios, figurinos, decoração e comidas típicas como canjica e pamonha aqueceram os debates e sinalizaram o potencial turístico e econômico da festa. Em seguida, junho veio como o pico das menções, motivado por shows, apresentações de quadrilhas e eventos em cidades como Campina Grande (PB) e Caruaru (PE).

Mesmo após o fim dos festejos de São João, o mês de julho do ano passado mostrou que a repercussão com vídeos virais se estendeu nas plataformas. Aliás, a nuvem de palavras do período destaca termos como “desculpa a ansiedade”, um meme que traduz a expectativa coletiva pelo início dos arraiais.

Na plataforma X, os dados demográficos mostram que cerca de 55% das citações (aproximadamente 88 mil) partiram de mulheres, enquanto 48% (cerca de 82 mil) vieram de homens. Já os termos “Queria ir” e “Queria ir junto” apareceram nos primeiros lugares do ranking de trending topics, mostrando o desejo pela participação no evento festivo. 

Quando segmentamos os temas da conversa digital, a música de São João domina o ambiente, sendo responsável por 71% das menções. Isso porque shows de forró, piseiro e até artistas sertanejos e pop movimentam a programação oficial e viralizam em vídeos. 

Já as comidas típicas aparecem em segundo lugar, com 19% das citações: pratos como milho cozido, maçã do amor e vinho quente não apenas trazem o conforto de memórias afetivas, mas também circulam como receitas e conteúdo cultural fora dos eventos. A estética visual (bandeirinhas, chapéus de palha, camisas xadrez) também soma 10% das menções.

O estudo da Quaest realizou 25 entrevistas (14 presenciais em Campina Grande e 11 on-line) com quadrilheiros, dirigentes e líderes culturais. Essa frente qualitativa, somada ao mapeamento geográfico dos espaços de ensaio e apresentação na cidade paraibana, revela como as quadrilhas ocupam o território e mantêm uma rotina contínua de trabalho, muitas vezes com infraestrutura improvisada, mas com forte compromisso com a tradição. 

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