Férias e festas juninas aumentam risco de queimaduras em crianças; especialista alerta para prevenção
24 junho 2026 às 16h35

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As férias escolares e o período das festas juninas acendem um alerta para os acidentes domésticos envolvendo crianças em Goiás. Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) mostram que os meses de junho e julho registram o maior pico sazonal de internações por queimaduras no país, principalmente por escaldaduras causadas por líquidos superaquecidos, como água, óleo e caldos.
Segundo o pediatra e plantonista do Pronto-Atendimento Infantil do Ânima Centro Hospitalar, Lucas Sanches, a cozinha continua sendo um dos locais com maior risco para crianças pequenas, especialmente durante o preparo das comidas típicas das festividades juninas.
“O ideal é manter os cabos das panelas voltados para dentro do fogão, utilizar as bocas traseiras para aquecer líquidos e jamais cozinhar com uma criança no colo. Durante as festas juninas, também é fundamental impedir a aproximação das crianças de fogueiras e fogos de artifício, preferindo locais cercados e mantendo recipientes com água por perto”, orienta.
Além das fogueiras, alimentos servidos ainda muito quentes representam uma das principais causas de acidentes nesta época do ano. Por isso, o especialista recomenda que panelas, caldos, óleo quente e demais líquidos aquecidos permaneçam sempre fora do alcance dos pequenos.
Remédios caseiros podem agravar lesões
Em caso de queimadura, práticas populares como aplicar pasta de dente, manteiga, pó de café, pomadas sem orientação médica ou gelo diretamente sobre a pele podem piorar o ferimento e dificultar o tratamento.
De acordo com Lucas Sanches, a conduta correta é afastar imediatamente a criança da fonte de calor, retirar roupas que não estejam aderidas à pele, resfriar a área atingida com água corrente em temperatura ambiente por 15 a 20 minutos e cobrir o local com um pano limpo e seco.
“Não se deve passar nenhuma substância caseira sobre a queimadura. Esses produtos aumentam o risco de infecção e podem agravar a lesão, além de dificultar a avaliação médica”, destaca.
O médico também recomenda oferecer água apenas se a criança estiver consciente e em condições de ingerir líquidos, sem forçar a hidratação.
Quando procurar atendimento médico
Embora algumas queimaduras possam ser tratadas com cuidados iniciais, determinadas situações exigem avaliação médica imediata. É o caso de lesões que atingem o rosto, mãos, pés, genitália ou grandes articulações, além daquelas que apresentam bolhas extensas, áreas escurecidas ou sinais de carbonização.
Também é necessário procurar atendimento de urgência quando a área queimada ultrapassa o tamanho da palma da mão da própria criança ou quando há sintomas de inalação de fumaça, como tosse persistente, rouquidão ou dificuldade para respirar.
Queimaduras em crianças menores de dois anos ou em pacientes com doenças pré-existentes também devem ser avaliadas por profissionais de saúde o mais rápido possível.
Com o aumento das atividades em casa durante as férias e das celebrações juninas, especialistas reforçam que medidas simples de prevenção e o conhecimento correto dos primeiros socorros podem evitar acidentes graves, reduzir sequelas e salvar vidas.
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