Em colaboração com João Reynol*

O CEO da Quaest, Felipe Nunes, afirmou que o crescimento da população evangélica no Brasil continua em curso, mas em ritmo menor do que o observado na década passada. A avaliação foi feita durante evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em Goiânia, onde o cientista político também abordou os impactos da polarização política sobre o ambiente econômico e o cenário eleitoral de 2026.

Segundo Felipe, os dados mais recentes do Censo do IBGE apontam para uma desaceleração da expansão do segmento evangélico no país.

“Os dados do IBGE sugerem uma desaceleração. É um processo de crescimento que continua acontecendo, mas em uma velocidade menor”, afirmou.

Para ele, caso o ritmo registrado na década anterior tivesse sido mantido, os evangélicos já estariam próximos de representar 40% da população brasileira, ampliando ainda mais sua influência nas disputas eleitorais.

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CEO da Quaest, Felipe Nunes | Foto: João Reynol/Jornal Opção

Ao analisar o ambiente político, o CEO da Quaest avaliou que a polarização deixou de afetar apenas o debate público e passou a impactar diretamente o setor produtivo.

“Para quem faz negócio no Brasil, a polarização acaba sendo um enorme desafio, porque as pessoas deixam de ser aquele consumidor médio e passam a ser consumidores mais segmentados, preocupados também com a posição e a reputação das marcas diante do jogo político”, disse.

Felipe também afirmou que existe espaço para o surgimento de um candidato outsider na corrida presidencial, embora, segundo ele, esse nome ainda não tenha sido identificado pela maior parte do eleitorado.

“Quando eu pergunto aos brasileiros hoje quem é o outsider, eles não sabem dizer. Esse espaço está em disputa e vamos ver quem conseguirá ocupá-lo”, declarou.

CEO da Quaest, Felipe Nunes | Foto: João Reynol/Jornal Opção

Sobre o eleitorado indeciso, o pesquisador destacou que temas como segurança pública e perspectivas de futuro seguem entre as principais preocupações.

“Hoje esse eleitor independente olha para as candidaturas e ainda não encontra nomes capazes de apresentar uma perspectiva propositiva de futuro”, afirmou.

Indústria precisa assumir protagonismo

Durante a palestra, Felipe Nunes também defendeu um papel mais ativo da indústria no debate nacional. Segundo ele, países desenvolvidos costumam ter um setor industrial forte e capaz de agregar valor à produção.

“Sociedades muito desenvolvidas são aquelas que possuem uma indústria forte, capaz de transformar matéria-prima em produtos com maior valor agregado”, afirmou.

Para o cientista político, além de impulsionar a economia, o setor industrial pode contribuir para a discussão de temas estratégicos para o país.

Fieg quer ampliar discussões sobre economia e política

O presidente da Fieg, André Rocha, afirmou que a entidade pretende ampliar a realização de eventos voltados à discussão de temas políticos, econômicos e sociais ao longo do ano.

“Nosso objetivo é trazer reflexões sobre o país e sobre Goiás, provocar o debate e contribuir para a construção de soluções”, disse.

Segundo ele, a programação deve incluir debates relacionados ao processo eleitoral e, posteriormente, temas como inovação, inteligência artificial, produtividade e desenvolvimento econômico.

“Não existe economia forte sem uma indústria forte. Precisamos fortalecer a educação e recolocar a indústria no centro da discussão sobre crescimento e geração de riqueza”, afirmou.

Para André Rocha, a reindustrialização é um dos caminhos para ampliar a renda da população e melhorar indicadores sociais.

“É com uma indústria forte que conseguiremos aumentar o poder de compra da população e promover desenvolvimento humano e social”, concluiu.

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