Família que tentou barrar obra da GO-330, em Catalão, quer indenização 10 vezes acima do valor de mercado
31 maio 2026 às 15h18

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A imagem de uma idosa tentando impedir o avanço das obras de duplicação da GO-330, em Catalão, no Sudeste do Estado, ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias e despertou manifestações de solidariedade. No entanto, os detalhes do processo de desapropriação da área necessária para o andamento da obra revelam uma disputa que vai além da narrativa de comoção apresentada publicamente e envolve uma reivindicação milionária, totalmente fora dos valores de mercado, por uma área rural já desapropriada judicialmente.
A então proprietária da terra, Maria da Paz e seu filho, Clodoaldo Ferreira da Silva, foram oficialmente comunicados por um oficial de Justiça em 20 de março deste ano sobre a decisão que desapropriou a área necessária para a continuidade da obra. A autorização ocorreu após a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) realizar o depósito judicial de R$ 550,1 mil, valor definido a partir de avaliações técnicas realizadas por engenheiros e peritos especializados, conforme prevê a legislação.
A área desapropriada possui nove hectares. De acordo com referências do mercado imobiliário rural da região de Catalão, terras com características semelhantes e localizadas às margens da GO-330 apresentam valores que variam entre R$ 20 mil e R$ 40 mil por hectare. Considerando esses parâmetros, a indenização depositada pela Goinfra representa cerca de R$ 61 mil por hectare, valor bem acima da faixa máxima de mercado apontada para a região.

Apesar disso, a família ingressou com pedido judicial requerendo indenização de R$ 5,8 milhões pela mesma área. Na prática, a quantia equivale a aproximadamente R$ 644 mil por hectare, valor mais de dez vezes superior ao praticado no mercado local e sem paralelo em qualquer região do Estado. A diferença entre a avaliação oficial e a quantia reivindicada transformou o caso em uma disputa sobre os limites da indenização pública, e levanta questionamentos sobre a tentativa de obtenção de ganhos extraordinários com recursos públicos.
Com a indenização já depositada pela Goinfra na Justiça, a entrada na área havia sido autorizada judicialmente mais de dois meses antes da chegada das máquinas. Isso significa que o avanço das obras ocorreu de forma legal, seguindo os trâmites previstos para desapropriações necessárias à execução de obras públicas.
A duplicação da GO-330 exigiu a desapropriação de 46 propriedades ao longo do trecho contemplado pela obra. Grande parte dos proprietários aceitou os acordos propostos pelo Estado e as indenizações já foram depositadas em juízo. Os casos remanescentes seguem em negociação com a Goinfra ou são discutidos na Justiça.
Enquanto a controvérsia judicial segue seu curso, a duplicação da GO-330 avança como uma das principais intervenções de infraestrutura do Sudeste Goiano. A obra é aguardada há décadas pela população de Catalão e região e promete ampliar a segurança viária, reduzir custos logísticos e fortalecer a atração de investimentos para municípios como Catalão e Ipameri. Com a chegada do período de estiagem, considerado o mais favorável para serviços de terraplenagem e pavimentação, a expectativa é de aceleração dos trabalhos nos próximos meses.
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