Fogos, gritos e buzinas: os desafios da Copa para pessoas com Transtorno do Espectro Autista
20 junho 2026 às 10h29

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Períodos de grandes celebrações coletivas, como a Copa do Mundo, costumam ser marcados por festas, fogos de artifício e ruídos intensos. Para muitas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), no entanto, esses estímulos podem provocar sobrecarga sensorial e emocional, exigindo adaptações na rotina para garantir conforto e segurança.
Essa é a realidade de Gelciane Pereira dos Santos, de 39 anos, diagnosticada com autismo nível 1 e mãe de João Pedro, de 10 anos, e Arthur, de 7, ambos com autismo nível 2. A família encontrou no esporte uma ferramenta para fortalecer vínculos, desenvolver habilidades e promover a regulação emocional.
Gelciane pratica natação, karatê, vôlei e futebol, atividades que também fazem parte da rotina dos filhos. João Pedro atua como goleiro e zagueiro, enquanto Arthur desenvolve gradualmente habilidades motoras e amplia sua interação social por meio das práticas esportivas.
Segundo a terapeuta ocupacional Elisama Coelho de Oliveira Moniz, o esporte contribui para o desenvolvimento de competências importantes para pessoas neurodivergentes.
“O trabalho terapêutico busca preparar o indivíduo para sua participação em diferentes ambientes sociais. Nesse processo, o esporte pode favorecer a regulação sensorial e emocional, auxiliar no controle da ansiedade, ampliar a tolerância à frustração e estimular habilidades de interação e autonomia”, afirma.
Os reflexos aparecem no cotidiano da família. De acordo com Gelciane, João Pedro passou a aceitar melhor demonstrações de afeto e contato físico, enquanto Arthur apresentou avanços na socialização e na convivência com familiares.
Adaptações durante grandes eventos
Mesmo com esses progressos, datas marcadas por comemorações populares ainda representam desafios. Gelciane e João Pedro têm sensibilidade a sons intensos, como fogos de artifício, buzinas e gritos, o que pode causar desconforto e desregulação emocional.
Para enfrentar esses momentos, a família procura permanecer em ambientes tranquilos, preservar ao máximo a rotina e recorrer a protetores auditivos quando necessário.
Para Elisama, respeitar as necessidades individuais é essencial para promover inclusão.
“O mais importante é compreender que cada pessoa autista apresenta necessidades específicas. Nem sempre participar de uma comemoração da mesma forma que os demais é possível ou desejável. Respeitar os limites individuais é uma das principais formas de inclusão”, destaca.
Espaços de acolhimento
A existência de ambientes preparados para atender pessoas autistas também faz diferença durante o tratamento. Segundo Gelciane, ela e os filhos utilizam espaços mais reservados quando precisam reduzir estímulos e recuperar o equilíbrio emocional.
“O acolhimento faz toda a diferença. Saber que existem profissionais que entendem nossas dificuldades e respeitam nossos limites nos dá mais segurança para enfrentar o dia a dia”, relata.
Recomendações para as famílias
Especialistas orientam que, durante períodos de maior estimulação sensorial, algumas medidas podem ajudar a reduzir o impacto sobre pessoas com TEA:
- Manter a rotina o mais previsível possível;
- Antecipar mudanças de horários e ambientes;
- Disponibilizar locais tranquilos para pausas sensoriais;
- Utilizar proteção auditiva quando indicada;
- Respeitar os limites e sinais de desconforto de cada indivíduo.
Com planejamento e acolhimento, eventos como a Copa do Mundo podem ser vivenciados de maneira mais confortável, permitindo que cada pessoa participe conforme suas necessidades e preferências.
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