O ex-ministro das Comunicações do governo de Jair Bolsonaro (PL), Fábio Faria, atuou como intermediário na aproximação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do banqueiro mostram que o também marido de Patrícia Abravanel participou desde a organização dos primeiros encontros entre os dois até de conversas relacionadas a pagamentos do banco ao escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. As informações foram reveladas pela Veja e pelo Estadão.

Segundo a Veja, a aproximação começou no fim de 2023. Em 26 de dezembro daquele ano, Fábio Faria teria compartilhado com Daniel Vorcaro o número de telefone de Alexandre de Moraes. Poucos dias depois, foi organizado um almoço no hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo.

Registros da PF citados pela revista apontam que Fábio Faria consultou Daniel Vorcaro sobre a possibilidade de realizar o encontro no dia 30 de dezembro. Na ocasião, o banqueiro teria concordado e posteriormente enviado a localização do hotel. A programação envolvia nove pessoas e quatro seguranças.

Depois desse primeiro contato, novas reuniões passaram a ser articuladas. De acordo com a Veja, uma das conversas mostra que Daniel Vorcaro chegou a sugerir um encontro mais reservado entre ele, Alexandre de Moraes e Fábio Faria com a intenção de aumentar a proximidade com o ministro. Outro jantar ocorreu em 31 de janeiro de 2024, na residência do ex-ministro em Brasília.

“Com o careca não pode atrasar”

A relação entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes também aparece nas mensagens. Conforme reportagem do Estadão, o banco firmou um contrato que previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões à banca de advocacia. Considerando os valores brutos, o compromisso poderia chegar a aproximadamente R$ 131 milhões.

Em março de 2024, Fábio Faria procurou o banqueiro para tratar de pagamentos que estavam pendentes. Naquele momento, o contrato estava nos primeiros meses de vigência e parcelas referentes a fevereiro e março teriam sofrido atrasos.

Em uma das mensagens, Fábio Faria avisou ao banqueiro que precisava dar um retorno a Alexandre de Moraes, a quem se referia como “careca”. Vorcaro respondeu explicando que o responsável pelo assunto dentro do banco seria Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio e tesoureiro do Master.

Trecho da conversa de Fábio Faria com Daniel Vorcaro sobre pagamentos à esposa de Moraes | Foto: Reprodução/Estadão

Fábio Faria então pediu o contato do executivo e reforçou que o pagamento deveria ser providenciado. Na sequência, informou ter repassado os dados do tesoureiro para que o escritório entrasse em contato.

Procurado pelo Estadão, Fábio Faria afirmou que a cobrança discutida nas mensagens dizia respeito a outro serviço jurídico prestado pelo escritório de Viviane Barci a Daniel Vorcaro em um processo na Justiça de São Paulo. O ex-ministro declarou desconhecer o contrato de aproximadamente R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e a banca.

Fábio Faria reconheceu que recomendou o escritório de Viviane Barci quando foi questionado por Daniel Vorcaro sobre a contratação de advogados para a disputa judicial em São Paulo, mas negou ter participado de reuniões com a banca ou ter conhecimento do acordo milionário.

A Veja, por sua vez, afirma que as mensagens analisadas pela PF registram o papel de Fábio Faria como intermediário também nas cobranças relacionadas ao contrato de R$ 3 milhões mensais. Segundo a publicação, após os contatos, Daniel Vorcaro teria determinado que sua equipe priorizasse a quitação dos valores, classificando aquele compromisso como o mais importante do grupo.

Em uma das conversas atribuídas ao banqueiro, Daniel Vorcaro demonstrou preocupação com possíveis consequências caso os pagamentos não fossem realizados no prazo. A orientação à equipe teria sido para resolver a pendência rapidamente.

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