Tempo seco e fumaça das queimadas aumentam risco de irritação nos olhos; veja como se proteger
01 setembro 2026 às 15h40

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O período de estiagem pode aumentar o desconforto nos olhos devido à combinação de baixa umidade do ar, temperaturas elevadas, poeira e fumaça provocada por queimadas. A exposição a esses fatores pode intensificar sintomas como ardência, vermelhidão, coceira, sensação de areia e visão borrada.
A previsão para os próximos meses também indica condições que podem contribuir para o problema. Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), o trimestre entre agosto e outubro deve registrar temperaturas acima da média em grande parte do país e chuvas abaixo da média em áreas do Centro-Norte.
O cenário pode favorecer períodos de calor intenso e a ocorrência de incêndios florestais. De acordo com o oftalmologista Francisco Lima, especialista em glaucoma e catarata, a baixa umidade acelera a evaporação da lágrima, reduzindo a proteção natural da superfície ocular.
“No período seco, a lágrima evapora mais rapidamente. Quando associamos a baixa umidade ao calor, à poeira e à fumaça das queimadas, a superfície dos olhos fica mais exposta à irritação. Por isso, sintomas como ardência, vermelhidão, sensação de areia e visão borrada podem se tornar mais frequentes”, afirma.
Fumaça pode intensificar sintomas
Além do ressecamento provocado pelo clima, a fumaça das queimadas pode irritar diretamente os olhos. As partículas presentes no ar entram em contato com a superfície ocular e podem desencadear ou intensificar processos irritativos e inflamatórios. Segundo o Ministério da Saúde, períodos de seca, queimadas, temperaturas extremas e poluição atmosférica podem afetar a saúde ocular e favorecer quadros como olho seco e conjuntivite.
Crianças, idosos, pessoas com doenças preexistentes e trabalhadores que permanecem longos períodos ao ar livre estão entre os grupos que podem apresentar maior vulnerabilidade. Pessoas que já possuem olho seco, alergias ou inflamações oculares podem sentir os efeitos da fumaça de maneira mais intensa, segundo Francisco Lima.
“A fumaça contém partículas e substâncias irritantes que entram em contato diretamente com os olhos. Em quem já tem olho seco, alergia ou alguma inflamação ocular, essa exposição pode intensificar bastante o desconforto e a irritação”, explica. A duração do período de estiagem também é um fator a ser considerado. Quanto mais prolongado o cenário de baixa umidade e altas temperaturas, maior pode ser o tempo de exposição aos agentes irritantes.
“Quando o período seco se prolonga, aumenta também o tempo de contato dos olhos com baixa umidade, poeira e poluentes. Para quem já apresenta olho seco, isso pode significar sintomas mais frequentes e necessidade de cuidados constantes”, diz o médico.
Medidas podem reduzir desconforto
Alguns cuidados podem ajudar a diminuir a irritação durante períodos de tempo seco. Entre eles estão evitar a exposição prolongada à fumaça e à poeira, não direcionar ventiladores e aparelhos de ar-condicionado diretamente para o rosto e fazer pausas durante o uso prolongado de celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos.
A ingestão adequada de água também é recomendada. Já o uso de colírios lubrificantes deve ser avaliado individualmente, especialmente quando os sintomas são persistentes. Em episódios de queimadas, o Ministério da Saúde recomenda reduzir a exposição à fumaça e seguir as orientações das autoridades de saúde.
“É importante evitar a exposição direta à fumaça e à poeira, além de não manter ventilador ou ar-condicionado direcionado para os olhos. Quando existe ressecamento persistente, o ideal é procurar avaliação oftalmológica para identificar a causa e definir o tratamento adequado”, orienta Francisco Lima.
Nem todo desconforto ocular, porém, deve ser atribuído automaticamente ao clima. Dor intensa, secreção, vermelhidão persistente, sensibilidade excessiva à luz ou alterações repentinas na visão são sinais que exigem avaliação médica.
“Ardência ou sensação de ressecamento podem aparecer durante o tempo seco, mas sintomas intensos ou persistentes não devem ser banalizados. Principalmente quando existe dor ou alteração da visão, é importante procurar atendimento para investigar o quadro”, afirma o especialista.
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