Estudo aponta que Ozempic pode reduzir em 15% o risco de fraturas em pacientes com diabetes tipo 2
24 junho 2026 às 17h05

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Um estudo apresentado na reunião anual da Endocrine Society indica que a semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, pode estar associada a um menor risco de fraturas em pacientes com diabetes tipo 2, além dos já conhecidos efeitos no controle da glicemia e na perda de peso.
A pesquisa analisou mais de 35 mil pessoas e apontou que 4,54% dos usuários de semaglutida sofreram fraturas ao longo de cerca de três anos e meio de acompanhamento. Entre pacientes que utilizaram outras medicações para diabetes e obesidade, o índice foi de 5,97%, o que representa uma redução de aproximadamente 15% no risco.
Segundo o médico nutrólogo e intensivista José Israel Sanchez Robles, o dado chama atenção porque a fragilidade óssea é uma preocupação recorrente nesse grupo de pacientes. Ele destaca que o diabetes tipo 2 costuma estar associado a fatores que aumentam o risco de quedas e fraturas, como neuropatias, comprometimento da mobilidade e alterações metabólicas.

Médico nutrólogo e intensivista José Israel Sanchez Robles | Foto: Divulgação
Pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, também observaram que os pacientes que usaram semaglutida apresentaram maior redução do índice de massa corporal (IMC) ao longo do período analisado. Em geral, a perda de peso é associada a alguma redução de massa óssea, o que torna os resultados considerados relevantes.
Para o especialista, os achados ajudam a relativizar uma preocupação comum no uso de medicamentos voltados à perda de peso. Ele ressalta, no entanto, que ainda não é possível afirmar um efeito protetor direto da substância sobre os ossos. “Os dados são encorajadores, mas ainda é cedo para conclusões definitivas”, avalia.
Os autores do estudo reforçam que os resultados são observacionais e não estabelecem relação de causa e efeito. Eles defendem a realização de ensaios clínicos randomizados para confirmar os achados e investigar possíveis mecanismos biológicos envolvidos.
A pesquisa também levanta a hipótese de que os agonistas do receptor de GLP-1 — classe à qual pertence a semaglutida — possam ter algum impacto positivo sobre o tecido ósseo. Cientistas pretendem avaliar se esse possível efeito se repete em outros medicamentos da mesma categoria.
Os pesquisadores destacam a necessidade de novos estudos com métodos mais avançados de análise da estrutura óssea, para verificar se a menor incidência de fraturas está relacionada a mudanças reais na resistência dos ossos.
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