Espetáculo sobre memória de mulheres negras terá apresentações gratuitas em Aparecida de Goiânia
15 outubro 2026 às 15h35

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O espetáculo “1888”, que aborda a memória de mulheres negras e os efeitos da escravidão na sociedade contemporânea, será apresentado gratuitamente nos dias 22, 23 e 24 de outubro, em três espaços culturais de Aparecida de Goiânia. A programação integra a Temporada 1888 – Dramaturgia Afro-Latinoamericana, realizada pelo Instituto Justina, e inclui uma oficina de escrita teatral com a dramaturga boliviana Claudia Eid Asbún.
A oficina “Palavras Necessárias” será realizada no sábado, 17 de outubro, das 14h às 18h, na sede do Instituto Justina. A atividade é gratuita e propõe exercícios de escrita, criação de diálogos e desenvolvimento de cenas. O projeto prevê ainda a publicação da dramaturgia de “1888” em livro, com distribuição gratuita para escolas, bibliotecas e Pontos de Cultura.
A iniciativa foi aprovada pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás (FAC-GO), por meio do edital Cultura Negra e Periférica de Goiás – Tradição, Arte e Identidade. Com atuação e dramaturgia da atriz goiana Takaiúna e direção de Claudia Eid Asbún, “1888” parte do ano da abolição formal da escravidão no Brasil para discutir as permanências da violência racial e as formas de resistência preservadas por mulheres negras.
A narrativa acompanha Justina, uma mulher negra e curandeira que vive em 1888. Por meio de ervas, rezas, lembranças e silêncios, a personagem estabelece relações entre diferentes gerações e compartilha conhecimentos tradicionais ligados ao cuidado e à cura.

Em cena, Justina conversa com um bebê sobre vida e liberdade. Música, dança e expressão corporal conduzem uma narrativa que percorre diferentes períodos históricos, de 1535 ao século XXI. A montagem também procura valorizar saberes transmitidos entre gerações de mulheres negras, historicamente marginalizados, e relacioná-los à preservação da memória e à construção de identidades.
Parceria entre Brasil e Bolívia
Criado em 2022, o espetáculo surgiu de um processo de formação e pesquisa dramatúrgica desenvolvido por Takaiúna em parceria com Claudia Eid Asbún. A produção é uma coprodução do Coletivo Justina, do Brasil, e da companhia boliviana El Masticadero. Durante a pesquisa, Takaiúna desenvolveu o conceito de “elementos-pontes”, utilizado para identificar referências culturais e elementos cênicos compartilhados por diferentes territórios latino-americanos.
A montagem já circulou por festivais, universidades, Pontos de Cultura e espaços comunitários da América Latina e da África. Claudia Eid Asbún é dramaturga, diretora, atriz e jornalista. Ela fundou a companhia independente El Masticadero, em 2005, na Bolívia, e dirige a Oficina Permanente de Teatro da Universidade Privada Boliviana, em Cochabamba.
Sua produção foi publicada em países como Espanha, Argentina e Cuba. A atividade “Palavras Necessárias” será conduzida por Claudia Eid Asbún e abordará diferentes formas de construção dramatúrgica, das estruturas clássicas a modelos contemporâneos de narrativa.

Os participantes serão convidados a desenvolver diálogos, conflitos e cenas curtas a partir de experiências, percepções e inquietações pessoais. A proposta é utilizar essas referências como ponto de partida para a criação artística, sem necessariamente transformar as vivências em relatos autobiográficos.
A oficina também prevê exercícios de escuta e criação coletiva. A atividade será realizada das 14h às 18h, na sede do Instituto Justina, no dia 17 de outubro. Além das apresentações, a temporada prevê a publicação do texto de “1888” em formato de livro, com distribuição gratuita para escolas, bibliotecas e Pontos de Cultura.
A proposta é ampliar o acesso à dramaturgia e permitir que a obra seja utilizada em atividades de leitura, formação e pesquisa sobre memória afro-brasileira, produção teatral de mulheres negras e intercâmbio cultural latino-americano.
Sediado em Aparecida de Goiânia, o Instituto Justina desenvolve atividades de formação, pesquisa e circulação artística desde 2015, com atuação em territórios comunitários. A organização foi reconhecida como Ponto de Cultura em 2019 e passou à condição de Pontão de Cultura em 2026.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão o projeto “Teatro nos Quintais”, voltado à circulação de espetáculos em diferentes regiões do município, e o Mapeamento Cultural de Base Afetiva de Aparecida de Goiânia. A temporada de “1888” integra essa atuação ao levar apresentações gratuitas a espaços culturais da cidade e promover atividades de formação artística.
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