A preservação de filmes, fotografias e registros sonoros que ajudam a contar a história de uma sociedade será tema de um encontro promovido pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Goiânia. Entre os dias 21 e 23 de outubro, a instituição realiza a XV Semana de Cinema e Audiovisual (SAU) e o I Encontro Internacional de Arquivo, Memória e Fabulação, com programação gratuita e aberta ao público.

As atividades serão realizadas na Unidade Universitária Goiânia-Laranjeiras, com oficinas, workshops, debates, apresentações de pesquisas e uma mostra retrospectiva de filmes. Quem quiser participar como ouvinte pode se inscrever até 20 de outubro, por meio de formulário online.

O encontro propõe uma discussão sobre como os arquivos audiovisuais ajudam a preservar a memória coletiva e os desafios para manter esses registros acessíveis. A programação também aborda as possibilidades de utilizar imagens e sons antigos na criação de novas narrativas.

Coordenadora do evento e do Laboratório Universitário de Memória Audiovisual (LUMINAV UEG), a professora Geórgia Cynara destaca que preservar esses materiais vai além de conservar documentos. O trabalho também permite recuperar histórias que ficaram de fora dos registros oficiais e ampliar o acesso à memória de diferentes grupos sociais.

Organizado pelo curso de Cinema e Audiovisual da UEG, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (PPG TECCER), o evento reúne pesquisadores e profissionais de instituições brasileiras e estrangeiras.

Programação começa na quarta-feira

Na quarta-feira, 21, primeiro dia do encontro, a programação começa com apresentações de pesquisas acadêmicas, das 8h às 10h. Os trabalhos abordam a preservação de acervos, a memória do Cerrado, os arquivos familiares e as relações entre cinema, arte contemporânea e narrativas autobiográficas.

Às 10h, a mesa de abertura terá como tema “Audiovisual: Arquivo, Memória e Fabulação”. Participam pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação e Restauração Audiovisuais (INCT PreRes) e da Universidad del Claustro de Sor Juana, da Cidade do México.

No período da tarde, das 14h às 17h, serão realizadas duas oficinas simultâneas. Uma delas, “Anarquivo na prática”, vai explorar possibilidades de criação a partir de arquivos audiovisuais. A outra será voltada à elaboração de projetos de preservação audiovisual.

Na quinta-feira, 22, as apresentações acadêmicas da manhã vão abordar assuntos como memória urbana, narrativas de mulheres, políticas públicas de preservação, digitalização de acervos e organização de mídias magnéticas.

Das 10h às 12h, a Mostra LUMINAV apresenta uma retrospectiva dos 20 anos do curso de Cinema e Audiovisual da UEG, seguida de uma conversa com ex-alunos e realizadores. A proposta é revisitar produções feitas ao longo da trajetória do curso e discutir sua contribuição para a memória cultural e acadêmica.

À tarde, das 14h às 17h, a pesquisadora Martha Irene Soria Guzmán, da Cidade do México, ministra a oficina “Fabular o arquivo com ferramentas livres: colagem, reapropriação e memória visual”. A atividade vai explorar como imagens já existentes podem ser combinadas e reinterpretadas para dar origem a novas narrativas visuais.

Debate discute a preservação audiovisual em Goiás

Na sexta-feira, 23, último dia do evento, as discussões se voltam à preservação de registros históricos e às políticas para o setor em Goiás.

As apresentações acadêmicas da manhã incluem pesquisas sobre a memória do acidente com o Césio-137, a história do cinema, a democratização da produção audiovisual e as relações entre arquivo, educação e cultura.

Às 10h, a mesa-redonda “Propostas para a Memória Audiovisual de Goiás” reunirá representantes da Arquiviva, da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás (Secult Goiás) e da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA).

A discussão deve abordar formas de aproximar universidades, instituições, profissionais e poder público para identificar, organizar, conservar, digitalizar e disponibilizar acervos audiovisuais produzidos em Goiás.

Para a coordenadora do PPG TECCER, professora Divina Lunas, a preservação desses registros é importante para documentar a história do estado, valorizar a diversidade cultural de seus territórios e manter a produção regional acessível à população.

No período da tarde, das 14h às 17h, serão realizados dois workshops. Um vai tratar da relação entre som e preservação do meio ambiente. O outro será dedicado às práticas de preservação audiovisual.

Inscrições são gratuitas

Além de reunir estudantes, pesquisadores, artistas e profissionais do audiovisual, o encontro abre espaço para discutir como garantir que registros históricos sejam preservados e possam ser consultados pela sociedade.

A iniciativa também chama a atenção para a importância de documentar histórias de diferentes grupos sociais, incluindo aqueles que nem sempre aparecem nos arquivos oficiais.

A realização do evento conta com recursos do Edital PrE nº 09/2026, voltado ao fomento do Programa Institucional de Incentivo à Extensão no Âmbito da UEG (PIIEx).

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