Em nova audiência, suposto serial killer diz ter sido “coagido” a assumir crimes

Quebrando a rotina de silêncio, Tiago Henrique afirmou que “homens na delegacia” o forçaram a confessar. Perícia já havia confirmado autoria de pelo menos 16 mortes

Tiago Henrique chega para nova audiência | Foto: Aline Caetano

Tiago Henrique chega para nova audiência | Foto: Aline Caetano

Quebrando uma rotina de silêncio nas audiências dos processos que apuram os homicídios de que é suspeito, o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha falou ao juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 1ª Vara Criminal de Goiânia, nesta terça-feira (28/4).

Em depoimento marcado por contradições e respostas curtas, ele negou que tenha assassinado Adailton dos Santos Farias. Além disso, garantiu que não se lembrava do crime e que não foi o responsável por 39 assassinatos ocorridos em Goiânia nos últimos dois anos, conforme noticiado.

O suposto serial killer sugeriu também que confessou vários homicídios sob coação. Ao ser questionado sobre quem o teria coagido, ele afirmou que foram “homens da delegacia”. O juiz Jesseir Coelho de Alcântara indagou se ele sabia que o inquérito da morte de Adailton teria sido presidido por uma mulher, ele limitou-se a dizer que não se lembrava.

As afirmações vêm após laudos periciais terem confirmado pelo menos 16 assassinatos de autoria do vigilante. Não obstante, a Junta Médica do Tribunal de Justiça atestou que ele é “plenamente capaz de responder pelos crimes cometidos”, embora sofre de Transtorno de Personalidade Antissocial.

Mesmo assim, Tiago Henrique voltou a falar nesta terça que todos os crimes foram cometidos por influência de vozes que não sabia de onde vinham. Afirmou, ainda, que não se lembrava de todos os detalhes dos crimes que cometeu, apenas que saía de casa de moto, movido pelo sentimento de raiva, e que tinha flashes de memória dos assassinatos. “Lembro-me apenas do barulho de um tiro”, confessou.

Arrependimentos

O juiz Jesseir Coelho de Alcântara perguntou a Tiago Henrique se ele tinha algum tipo de sentimento sobre os crimes de que era acusado. O vigilante respondeu que estava arrependido, mas que este tipo de sentimento surgiu apenas agora, depois que os fatos vieram à tona e ele acabou sendo preso e levado para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia.

Três testemunhas foram ouvidas na última segunda-feira (27/4) antes do vigilante Tiago Henrique ser levado para a sala de audiências.

Marinalva Miranda Andrade afirmou ter presenciado a morte de Adailton dos Santos Farias. Segundo ela, Tiago Henrique teria chegado de moto e, armado com um revólver, mandou a vítima deitar-se no chão para, em seguida, dar-lhe um tiro. Em seguida, subiu na motocicleta e fugiu.

Marinalva Andrade disse ter reconhecido o vigilante por meio de imagens de televisão e pela voz. “Nunca me esqueceria da voz dele”, afirmou. Também prestaram depoimento Charles Alves Miranda e Vanderley Miranda de Andrade, amigos da vítima. A testemunha Maria Josimara Nascimento Cruz, também arrolada pela acusação e pela defesa, não compareceu e foi dispensada por defesa e acusação.

*Com informações do Centro de Comunicação Social do TJGO

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