Dilma: “O que mais dói é ver que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política”

Presidente mais uma vez denunciou “golpe” no processo de impeachment e reafirmou que lutará por seu mandato até o fim

Presidente Dilma Rousseff durante declaração à imprensa | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Presidente Dilma Rousseff durante declaração à imprensa | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Cercada por ministros e membros de seu governo, além de senadores e deputados apoiadores, Dilma Rousseff (PT) fez seu último discurso no Palácio do Planalto antes de ser afastada. Durante a fala de cerca de 15 minutos, a presidente comunicou ter sido notificada da decisão do Senado Federal que, na manhã desta quinta-feira (12/5) votou pela abertura do processo de impeachment e afastamento de Dilma da presidência da República.

Mais uma vez, a presidente defendeu que o processo de impeachment contra ela é um golpe e que se sente injustiçada com o afastamento do cargo. ““Eu já sofri a dor invisível da tortura, aflitiva da doença e agora eu sofro mais uma vez a dor inominável da injustiça. O que mais dói é perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política”.

Além disso, ela também criticou a denúncia como “juridicamente fraca”: “Não cometi crime de responsabilidade. Não tenho contas no exterior, jamais compactuei com a corrupção. Esse processo é frágil, juridicamente inconsistente, injusto, desencadeado contra pessoa honesta e inocente.

“Jamais em uma democracia um mandato legítimo poderá ser interrompido por atos legítimos de gestão orçamentária”, disse ao defender que as pedaladas fiscais e os decretos de créditos suplementares, que compõem a denúncia do processo de impeachment, não se enquadram em crime de responsabilidade. “Posso ter cometido  erros mas não cometi crimes. Os atos que pratiquei foram legais e corretos”, reiterou.

Dilma afirmou mais uma vez que usará de todos os recursos legais disponíveis para exercer até o fim o mandato para o qual foi eleita.

No pronunciamento, Dilma estava acompanhada de seus ex-ministros e parlamentares aliados, como a ex-ministra Eleonora Menicucci (das Mulheres), Kátia Abreu (da Agricultura) e Giles Azevedo (assessor especial). Dilma deu a declaração no Salão Leste do Palácio do Planalto.

Notificação

Dilma foi notificada no Palácio do Planalto pelo primeiro-secretário da Mesa Diretora do Senado, senador Vicentinho Alves (PR-TO), de seu afastamento do cargo após a proclamação do resultado da votação da admissibilidade do seu processo de impeachment na manhã desta quinta-feira (12).

O Senado aprovou, por 55 votos a favor e 22 contra, a admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Com isso, o processo será aberto no Senado e Dilma é afastada do cargo por até 180 dias. Os senadores votaram no painel eletrônico. Não houve abstenções. Estavam presentes 78 parlamentares, mas 77 votaram, já que o presidente da Casa, Renan Calheiros, se absteve.

Saída do Planalto

Assim que terminou sua declaração, Dilma saiu do Palácio do Planalto pela porta principal que fica no térreo do prédio. No caminho, ela cumprimentou servidores da Presidência, em sua maioria mulheres, que a recepcionaram no caminho, que estavam em um cercado próximo à rampa.

Na avenida em frente ao Planalto estavam concentrados milhares de manifestantes em apoio a presidente. Em um palanque montado próximo aos manifestantes, a presidente repetiu as palavras que havia dito à imprensa em discurso no Palácio do Planalto. Acompanhavam a presidente, o ex-presidente Lula, o presidente do PT, Rui Falcão, o ex-ministro Jaques Wagner e outros membros do governo Dilma.

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