Mesmo após a repercussão negativa nas redes sociais e a retirada de assinaturas de alguns parlamentares, deputados federais de Goiás ainda seguem apoiando a proposta que pode adiar para 2036 o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil. A emenda apresentada dentro da PEC 221/2019 prevê uma transição de dez anos para a mudança na jornada de trabalho e também abre espaço para ampliação da carga horária semanal para até 52 horas. O texto provocou forte reação de trabalhadores, sindicatos e movimentos nas redes sociais nos últimos dias.

Entre os deputados goianos que ainda aparecem como apoiadores da proposta estão Gustavo Gayer (PL), Magda Mofatto (PL), Dr. Ismael Alexandrino (PSD), Marussa Boldrin (Republicanos), Adriano do Baldy (PP), Glaustin da Fokus (Podemos) e Célio Silveira (MDB).

O Jornal Opção procurou todos os parlamentares citados acima para participarem do debate, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Nos bastidores, parlamentares favoráveis ao adiamento argumentam que a mudança na legislação trabalhista precisa ocorrer de forma gradual para evitar impactos econômicos em empresas e setores que dependem de jornadas mais extensas, especialmente comércio e serviços.

Por outro lado, críticos da proposta afirmam que o adiamento representa um retrocesso nas discussões sobre direitos trabalhistas e qualidade de vida. A pressão popular levou alguns deputados a recuarem do apoio inicial à emenda. A deputada federal Erika Hilton, autora da proposta do fim da escala 6×1, publicou em suas redes sociais o nome dos parlamentares e como votaram, divididos por região do país.

Os deputados Daniel Agrobom (PSD), José Nelto (União Brasil) e Dr. Zacharias Calil (MDB) retiraram as assinaturas após a repercussão negativa do caso.

José Nelto afirmou que a assinatura atribuída a ele ocorreu por um “erro do gabinete”. Já Zacharias Calil também decidiu retirar o apoio diante da reação pública ao texto.

Enquanto isso, parlamentares alinhados à redução da jornada seguem defendendo o avanço da discussão no Congresso. Em Goiás, Adriana Accorsi e Rubens Otoni, ambos do PT, permanecem entre os defensores do debate sobre o fim da escala 6×1.

A expectativa em Brasília é que o deputado federal Léo Prates (Republicanos-BA) apresente já na próxima segunda-feira, 25, o relatório da comissão especial criada para analisar a proposta. Para que a PEC siga tramitando oficialmente, são necessárias ao menos 171 assinaturas de deputados federais.

Leia também: Após repercussão negativa, deputados goianos recuam sobre proposta que pode adiar fim da escala 6×1