Para ajudar na elucidação da dinâmica do acidente que culminou na morte de cinco estudantes do Colégio Estadual da Polícia Militar de Goiás (CEPMG) 5 de Janeiro, que fica em Sanclerlândia, o delegado que atua no caso, Mário Moraes, irá colher depoimentos de estudantes que desembarcaram da van escolar antes do momento da batida, que ocorreu na GO-518, momento antes da chegada em Córrego do Ouro.

“A gente vai trabalhar também com a oitiva dos socorristas e de dois adolescentes que foram deixados nos locais de destino pelo motorista na mesma van antes do fato. Vamos fazer esse trabalho com os responsáveis legais e com os critérios adequados. Vai depender da idade e pode ser necessário aguardar um tempo para realizar essas oitivas em sede policial”, destaca o delegado ao Jornal Opção.

Ainda de acordo com o investigador, nos próximos dias, os trabalhos vão aprofundar para verificar quem eram os responsáveis pelas manutenções dos veículos e saber se as revisões obrigatórias estavam em dias. Preliminarmente, segundo Mário, tanto a van quanto o caminhão apresentavam problemas nos pneus.

“Aparentemente, os dois não estavam no estado devido de rodagem em relação, por exemplo, aos pneus. Eles apresentavam aparente deterioração. Só que precisamos esperar o laudo para afirmar isso.”

Além disso, as investigações vão pontuar se os documentos dos condutores estavam em dia, assim como os dos veículos, as condições mecânica deles e se as crianças que eram transportadas na van faziam o uso correto do cinto de segurança. “Se as crianças não estavam usando cinto de segurança, já existe um critério de culpa a ser aferido para o motorista da van.”

Velocidade da van

Uma das questões observadas pela perícia é que não havia marcas de frenagem no asfalto. Questionado sobre isso, o delegado afirma que isso pode indicar que a van trafegava em velocidade elevada no momento do acidente, embora essa conclusão ainda dependa dos laudos periciais. Vale destacar ainda que também não foram encontrados os tacógrafos dos veículos envolvidos até o momento.

“Aparentemente o motorista da van estava rápido, mas não conseguiu frear. Isso mostra que, em tese, ele estava com uma alta velocidade. É difícil afirmar isso agora por causa da ausência de frenagem. Existem outros meios de cálculo, mas eu não sei se nesse caso específico será possível calcular. Esse é um dos fatores de culpa que estão sendo analisados.”

Em depoimento, o condutor da van escolar afirmou que o motorista do caminhão trafegava em velocidade muito baixa, sem iluminação traseira adequada e em condições que poderiam dar a impressão de que estava parado em um local proibido.

“O motorista da van alega que o motorista do caminhão estava numa zona de velocidade muito baixa e sem farol traseiro, aparentando que estava em local proibido. Mas ele estava trafegando em velocidade muito baixa, carregando gado. O que por si só já é proibido. É proibido andar numa via abaixo da metade da velocidade permitida.”

Já o motorista do caminhão, também em depoimento, disse que não conseguiu compreender como foi a colisão. “O motorista do caminhão também não entende muito. Ele sentiu um impacto e depois foi perceber que se tratava de uma van carregando crianças.”

Diante dos elementos reunidos até o momento, a investigação trabalha com a possibilidade de responsabilidade compartilhada entre os envolvidos, mas sem conclusões definitivas. Ele destaca ainda que a posição final dos veículos pode ajudar na elucidação do caso.

“Aparentemente tem culpa concorrente, mas eu não sei dizer isso de forma definitiva porque os laudos podem apresentar mais questões. O estrago evidente no lado direito da van mostra que o motorista tentou fazer uma manobra para desviar no susto.”

Segundo o delegado, os crimes investigados são homicídio culposos e lesões no trânsito.

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