Delegado que disse não estar “convencido” de estupro não vai mais investigar o crime

TJRJ decidiu desdobrar inquérito e Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, cujo titular é Alessandro Thiers, vai apenas investigar o vazamento das imagens

O delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, Alessandro Thiers, fala sobre caso de estupro coletivo sofrido por jovem de 16 anos | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O delegado titular da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, Alessandro Thiers, fala sobre caso de estupro coletivo sofrido por jovem de 16 anos | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) determinou, na madrugada deste domingo (29/5), o desdobramento do inquérito sobre o estupro coletivo da jovem de 16 anos ocorrido na capital fluminense.

Assim, a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), cujo titular é Alessandro Thiers, ficará encarregada apenas de investigar o vazamento das imagens do estupro nas redes sociais, enquanto o caso, em si, envolvendo o estupro coletivo da menor, vai para a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV).

Uma das advogadas da defesa, Eloisa Samy comemorou nas redes sociais. “O delegado Alessandro Thiers, da DRCI, não é mais o encarregado pela investigação do estupro coletivo!”, disse, em post no Facebook, sob o título “Vitória das Mulheres”.

O delegado Alessandro Thiers causou polêmica e foi alvo de críticas após afirmar que ainda não estava convencido se realmente houve estupro.

“A gente está investigando se houve consentimento dela, se ela estava dopada e se realmente os fatos aconteceram. A polícia não pode ser leviana de comprar a ideia de estupro coletivo quando na verdade a gente não sabe ainda”, afirmou ele em entrevista coletiva.

O estupro coletivo ocorreu há cerca de uma semana, no morro São José Operário, em Jacarepaguá, na zona oeste da cidade. Um vídeo mostrando o crime foi divulgado na última quarta-feira (25), na internet, por um dos 33 homens que participaram da violência. Eloisa Samy Santiago defende a menor junto com a advogada Caroline Bispo.

Pedido

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) já havia se manifestado favoravelmente ao desmembramento do inquérito.

Na noite do último sábado (28), os promotores do MP se reuniram com as advogadas da adolescente, que fizeram questionamentos em relação às investigações da Polícia Civil e a forma como o delegado Alessandro Thiers, da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI), vinha atuando no caso, segundo elas “de forma machista e misógina”.

Os promotores atenderam a três dos pedidos das advogadas, inclusive sobre a necessidade de desmembramento do caso, mas não se posicionaram contra o afastamento do delegado por entender que essa era uma atribuição da polícia civil.

Na nota, o MP disse que “Independente da decisão judicial”, o promotor de Justiça Bruno Lavorato iria expedir ofício pedindo que a investigação sobre o estupro seja conduzida “apenas pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV)” e que as investigações fossem desmembradas, “remetendo-se para a DCAV, Delegacia de Polícia especializada em crimes desta natureza, a investigação do delito de estupro, ficando a cargo da DRCI apenas o delito de divulgação do vídeo referido.

O Ministério Público também determinou que uma medida cautelar assecuratória, em favor da vítima, por analogia às medidas protetivas da Lei Maria da Penha, “tendo em vista o temor à sua integridade física, moral e intelectiva, certo que há notícias de que um dos possíveis autores, denominado de Rafael Belo, vem se aproximando da mesma, a fim de intimidá-la” e com isso dificultando o andar das investigações”.

O órgão também se mostrou favorável a que se averigue se o delegado da DRCI infringiu, durante o depoimento, o artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Operação Policial

Paralelamente às investigações, a Polícia Militar desencadeou na manhã deste domingo (29) uma grande operação na tentativa de localizar os suspeitos do estupro.

A operação cumpre determinação do Comando da Corporação e envolve cerca de 70 agentes das policiais Militares do Grupo de Ações Táticas de todas as unidades e envolve policiais de nove batalhões da Polícia Militar subordinados ao 2º Comando de Policiamento de Área, além de outras duas unidades da PM.

A operação foi desencadeada às 7 horas da manhã na comunidade na Comunidade do São José Operário e estão sendo utilizados 2 cães farejadores, um helicóptero, dois veículos blindados e pelo menos 14 viaturas. (As informações são da Agência Brasil)

 

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