Debate da 730: Francisco Jr. se destaca, Adriana é atacada e Vanderlan fala em experiência

Candidatos apresentaram poucas propostas e trocaram farpas no evento. Delegado Waldir (PR) e Iris Rezende (PMDB) não compareceram

Candidatos Adriana Accorsi, Djalma Araújo, Flávio Sofiati, Francisco Jr. e Vanderlan Cardoso | Foto: Leoiran

Candidatos Adriana Accorsi, Djalma Araújo, Flávio Sofiati, Francisco Jr. e Vanderlan Cardoso | Foto: Leoiran

O segundo debate entre os candidatos a prefeito de Goiânia foi marcado por apresentação de poucas propostas e muitas alfinetadas entre os presentes. Líderes nas primeiras pesquisas divulgadas, Iris Rezende (PMDB) e Delegado Waldir (PR) não compareceram — ambos alegaram outros compromissos já previamente agendados.

Contudo, a discussão não deixou de ser acalorada, atiçada em especial pelo vereador Djalma Araújo (Rede), que teceu críticas não só a gestão municipal, mas também à estadual, e pelo professor Flávio Sofiati (Psol), que foi além e atacou até o governo federal, se apresentando como o candidato do “Fora, Temer”.

Os dois primeiros blocos serviram de apresentação pessoal e de perguntas de comentaristas da Rádio 730 e do site Diário de Goiás, organizadores, e também de integrante da OAB-GO, local onde o evento foi realizado na manhã desta quarta-feira (10/8).

No terceiro bloco, quando foram feitas perguntas entre os postulantes, é que se percebeu o acirramento dos ânimos. Djalma Araújo já iniciou sua participação criticando Adriana Accorsi sobre o fato dela ser a candidata do prefeito e do PT. A petista rebateu: “Sou candidata de Goiânia, de seis partidos e faço parte do Partido dos Trabalhadores sim. Mas, minha principal referência é meu pai, o ex-prefeito Darci Accorsi. Vou dar prosseguimento às ações que são aprovadas pela população, como a construção de parques, CMEIs [Centros Municipais de Educação Infantil], corredores de ônibus e as ciclorrotas”.

Vanderlan Cardoso também foi para cima de Adriana ao responder sobre questão da valorização dos servidores públicos. Segundo ele, pagar o funcionalismo em dia não é vantagem e, sim, “obrigação” do gestor. “Temos que ir além, temos que dar condições dignas de trabalho. Não adianta ter salário se não tem instrumentos para poder exercer sua função de forma adequada”, disse.

A petista, apesar de ter virado alvo, manteve a calma e fez questão de assegurar que tem seus próprios projetos e quer fazer uma gestão participativa, citando algumas vezes o exemplo do pai, que, segundo ela, foi o prefeito mais bem avaliado da história. Adriana foi a única que conseguiu um direito de resposta após Vanderlan sugerir que ela havia mentido sobre o número de CMEIs construídos pela atual gestão.

“De fato foram prometidos 81, mas os CMEIs foram reformulados pelo governo federal e passaram a abrigar o dobro de crianças. Então, esclareço agora que na verdade são 41 ao todo, 13 sendo entregues até o final de 2016 e 28 já construídos”, declarou.

Até Francisco Jr., que tem perfil menos combativo, alfinetou a deputada estadual. O pessedista lembrou que o pai da candidata, Darci Accorsi, quando prefeito, chegou a romper com o PT para poder se manter fiel a suas convicções e a questionou se ela faria o mesmo. “Não acredito que haverá necessidade. Chegamos a eleição unidos e todos temos direito a opinião. Meu pai sempre me disse que há pessoas boas em ruins em todos os partidos, mas este é o partido dos trabalhadores”, respondeu.

Propostas

No que diz respeito a conhecimento dos variados problemas atuais de Goiânia, Francisco Jr. foi o que demonstrou maior domínio. Falou com propriedade sobre saúde e educação (temas mais debatidos), mas também suscitou discussões importantes, como poluição visual e ambiental, plano de drenagem, expansão urbana e desenvolvimento econômico sustentável.

Foi ele o único a defender o governo de Goiás e as políticas implantadas pelo governador Marconi Perillo (PSDB), como as Organizações Sociais na saúde. Rejeitada por praticamente todos os candidatos (inclusive por Vanderlan Cardoso, cujo vice é o tucano Thiago Albernaz), a ação foi elogiada pelo candidato do PSD: “Lançarei mão de todas as ferramentas que tenham condição de oferecer um serviço melhor para a população, é muito romântico criticar, mas o povo está morrendo e não podemos aceitar isso”.

Djalma Araújo provocou, por diversas vezes, Francisco Jr., sugerindo que ele defende a proposta para não “levar puxão de orelha”. Sereno e até rindo das provocações, o candidato do PSD frisou: “Marconi é o homem que modernizou Goiás e usou ferramentas importantíssimas que quem não entende, não entende de gestão. Política é uma coisa, dados e resultados são técnica, não há como discutir. Sou da base do governador sim, não escondo isso, desenvolvo meu trabalho e é isso que quero fazer. Vou assumir a responsabilidade de prefeito e fazer o que me for devido.”

O candidato da Rede foi o único que propôs políticas voltadas aos animais. Disse que irá construir um hospital veterinário público.

Flávio Sofiati e Adriana Accorsi ressaltaram que irão propor e ampliar parcerias com as universidades e instituições de ensino superior para auxiliar na gestão. A petista afirmou que pretende retomar o projeto Cidadão 2000 e o orçamento participativo. O candidato do Psol tem como bandeira devolver a cidade para as pessoas e prometeu acabar com a especulação imobiliária, bem como com a interferência dos grandes empresários da construção civil. Ambos criticaram a violência contra a juventude, em especial a juventude negra e pobre.

Vanderlan Cardoso evocou sua experiência como prefeito de Senador Canedo, onde ele afirma ter implantando um dos melhores sistemas de saúde do Brasil. Garantiu que irá resolver o problema do déficit de vagas da educação infantil, promovendo parcerias com o setor privado e construindo novos CMEIs. Na economia — sua área de expertise –, ele defende a criação de vários polos econômicos e de um distrito industrial.

“Por decisões equivocadas, decidiram que a vocação de Goiânia é apenas serviços, se não mudarmos política de desenvolvimento, vamos ter uma cidade cada vez mais desigual”, alertou.

Nas considerações finais, nenhuma surpresa. Os candidatos reafirmaram seus compromissos, exaltaram qualidades pessoais e asseguraram que continuarão a debater os desafios da cidade.

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