Cunha sobre Cid Gomes: “Não só a procuradoria da Câmara, mas este presidente também vai processá-lo”

Ministro foi à Câmara Federal para se desculpar sobre a polêmica declaração de que haveria uns 400 deputados “achacadores”. Mas acabou por reiterar a fala

Sessão com Cid Gomes acaba em tumulto | Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados

Sessão com Cid Gomes acaba em tumulto | Foto: Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados

O ministro da Educação, Cid Gomes, foi à Câmara Federal nesta quarta-feira (18/3) para se explicar sobre a polêmica declaração na qual sugeriu que haveria um grupo de cerca de 400 deputados “achacadores” naquela Casa.

No entanto, a visita fugiu ao controle e o ex-governador do Ceará acabou por despertar a ira dos parlamentares.

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chegou a afirmar que vai interpelá-lo judicialmente. “Peço desculpas e não vamos perder nosso tempo com quem não merece nosso tempo. O procurador da Câmara [Claudio Cajado (DEM-BA)] vai receber orientação a não se ater a um processo regimental, mas sim criminal. E este presidente, em sua pessoa física, também vai processá-lo”, afirmou Cunha.

Ao iniciar sua fala, Cid Gomes pediu desculpas pela declaração contra a Câmara: “Me perdoem. Não tenho nenhum problema em pedir perdão para os que não agem desta forma. Aos que não se comportam deste jeito, me desculpem, não foi minha intenção ofender ninguém individualmente”.

Porém, o ministro atacou o presidente da Casa. Apontando ao presidente, Cid Gomes falou: “Prefiro ser acusado por ele de mal-educado do que ser acusado como ele de achaque, como diz a capa da Folha de S. Paulo”.

Cid também questionou a comissão de deputados que foi, na semana passada, verificar o seu estado de saúde. Em virturde do atestado médico, o ministro deixou de comparecer à Câmara naquela oportunidade. “Quem custeou o gasto desses deputados que foram lá? Ao que me consta, não houve aprovação regimental”, disse.

Cunha rebateu a crítica. “O requerimento da comissão foi feito sem ônus, às expensas dos parlamentares, porque esta Casa se dá ao respeito”, declarou o presidente da Câmara. Eduardo Cunha pediu para a Polícia Legislativa retirar manifestantes das galerias do Plenário que aplaudiram o ministro da Educação. “Plenário da Câmara dos Deputados não é lugar de claque”, criticou Cunha.

Um dos discursos calorosos foi o do líder do PSC, deputado Andre Moura (SE), que afirmou que o ministro da Educação, Cid Gomes, “não tem moral, é achacador e desqualificado”. Moura citou diversos casos em que Gomes teria, como governador do Ceará, utilizado dinheiro público para fins privados ou superfaturado obras. Ele também criticou o “sorriso irônico” do ministro.

“Enquanto governador do Ceará, viajou por toda a Europa com recursos pagos com o dinheiro do povo do Ceará e, achando pouco, levou a sogra”, disse, em referência à viagem feita por Gomes no carnaval de 2008 em jato fretado pelo governo estadual.

“Achacador somos nós ou é um governador que começou a construção de um aquário em 2012 na praia de Iracema [em Fortaleza] e essa obra está orçada em R$ 300 milhões quando o governo do estado do Rio de Janeiro constrói o maior aquário marinho do Brasil e a obra está em R$ 90 milhões em recursos privados?”, questionou Moura.

Moura também criticou o pagamento de R$ 600 mil para um show da cantora Ivete Sangalo na inauguração de um hospital em Sobral, base eleitoral de Gomes. Segundo o líder do PSC, o valor foi superfaturado. “Enquanto isso a obra mal feita fez uma marquise desabar um mês após a inauguração”, disse.

Claudio Cajado (DEM) foi à tribuna para lembrar que, se não apontar os crimes e os culpados, Cid Gomes é cúmplice dos malfeitos. “Se se calar, o dinheiro continuará com os achacadores, e o senhor será réu”, cobrou.

O deputado Julio Lopes (PP-RJ) disse que o ministro da Educação presta um desserviço ao vir à Câmara com um discurso de confronto e afronta. “Compareceu acompanhado de uma claque, que não sabemos de onde veio, não para se desculpar, mas compareceu a esta Casa para nos afrontar”, criticou. Lopes acusou ainda o ministro de tentar uma “nobre saída” ao deixar o ministério com o discurso de herói, porque afrontou o Parlamento.

Saída

Após a polêmica, o ministro Cid Gomes chegou a ter o microfone cortado durante o discurso do deputado Sérgio Zveiter (PSD), que afirmou que Cid estaria fazendo “papel de palhaço”. “Melhor se o senhor pendurasse uma melancia no pescoço”, vociferou o democrata.

O ministro deixou a tribuna e foi vaiado pelos deputados presentes. Ao final, o presidente Eduardo Cunha disparou: “Não tem desculpa. Não tem acordo. Temos que interpelá-lo criminalmente”. (Com informações da Agência Câmara)

 

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willian Machado

Parabéns ao Ministro da Educação que só falou a verdade.Lula falou que na cãmara tinha trezentos picaretas,o ministro da educação só fez atualizar os dados,isto é,o numeros de PIRARETAS,400.Parabéns ministro.

Marcos Aguiar

Farinhas do mesmo saco , fora cunha…..

Reginaldo Lima

Parabens Cid Gomes, Mostra para esses Partidos de situação têm o dever de ser situação ou então larguem o osso. kkkkkkkkkkkk falou igual Ronaldo Caiado

Francisco Gomes Neto

Eduardo Cunha, responda aos seus processos primeiro. Depois, faz de conta que é honesto e sincero, para processar quem falou um pouco do que 200 milhões de brasileiros queriam ter falado.

Simone Pereira

Câmara dos Achacadores Federais?!