Crise no STF pode afetar andamento do código de ética e investigação do caso Master
16 setembro 2026 às 08h53

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O julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) realizado nesta terça-feira, 15, que deveria analisar a possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, terminou sem decisão sobre o mérito e mostrou uma crise institucional na Corte. Após mais de sete horas de debates, os magistrados não avançaram na análise do relatório da Polícia Federal (PF) que revelou mensagens trocadas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Em vez disso, o plenário concentrou-se na discussão sobre a possibilidade de o caso ser apreciado em conjunto com o processo que investiga supostas irregularidades na atuação do ministro André Mendonça na condução do inquérito. O julgamento foi adiado após o ministro Flávio Dino pedir vista do processo.
A sessão aprofundou o desgaste interno e a crise ainda deve se prolongar, sem perspectiva de uma saída consensual. A avaliação dos ministros é de que novos impactos são esperados, com potencial de afetar sessões de julgamentos e a agenda do presidente do Supremo, Edson Fachin, entre eles, a proposta de um Código de Ética para integrantes da Corte.
A crise, aliás, ultrapassou os plenários e alcançou contatos pessoais. Durante as discussões sobre Moraes, o ministro Kassio Nunes Marques bloqueou o número do ministro Gilmar Mendes após um desentendimento. O bloqueio ocorreu na semana passada.
Além disso, ministros da Corte ponderam que o quadro pode se deteriorar ainda mais na hipótese de surgirem novas divulgações de conversas obtidas a partir do celular de Vorcaro, atingindo outros integrantes do tribunal. Paira a incerteza sobre se Nunes Marques sustentará o impedimento que anunciou no julgamento relativo a Moraes no momento em que o caso Master retornar à Segunda Turma, cenário que poderá redesenhar a correlação de forças dentro do colegiado.
André Mendonça, responsável pela relatoria do caso Master, vem se apoiando em Nunes Marques e Luiz Fux para preservar as decisões no âmbito do colegiado. Nunes Marques optou por se afastar do julgamento e tão logo vieram à tona conversas do celular de Vorcaro mencionando seu filho. Tanto o ministro quanto o filho rejeitam qualquer conduta irregular. A despeito disso, Nunes Marques tem sinalizado a pessoas próximas que a suspeição foi apresentada durante a apreciação do caso de Moraes em razão do perigo de os debates envolverem matérias eleitorais e, por essa razão, não valeria para todas as situações. Na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele teria condições de voltar a analisar o caso Master.
Em meio a esse ambiente de hostilidade, a iniciativa que previa a criação de um Código de Ética para os integrantes da Corte (planejada para ser debatida após o período eleitoral) pode acabar paralisada. O motivo: os ministros mais críticos à forma como Fachin tem administrado a crise sinalizam que vão criar ainda mais obstáculos para qualquer avanço em normas que regulamentem a conduta dos magistrados.


