“Me sinto envergonhada”: Cármen Lúcia pede desculpas ao povo brasileiro em meio à crise no STF; vídeo
15 setembro 2026 às 20h56

COMPARTILHAR
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira, 15, estar em estado de “profunda consternação e tristeza” diante da crise instalada na Corte em meio aos desdobramentos do caso Banco Master. Durante sessão extraordinária do plenário, a magistrada também pediu desculpas à população e disse que o tribunal provocou um “mal-estar cívico” no país.
A manifestação ocorreu durante a análise de uma questão preliminar sobre a tramitação dos procedimentos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça. O caso relacionado a Moraes envolve informações reunidas pela Polícia Federal sobre contatos entre o magistrado e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Cármen Lúcia fez a declaração após o ministro Flávio Dino pedir vista e suspender a análise. Ela explicou que normalmente não antecipa manifestações após pedidos desse tipo, mas decidiu falar diante da dimensão da crise enfrentada pelo tribunal.
“Eu me encontro, como talvez muitos de meus colegas, em estado de profunda consternação e tristeza”, afirmou a ministra. Ela acrescentou que os acontecimentos envolvendo o Supremo nos últimos dias provocaram um “mal-estar cívico” entre os brasileiros.
A ministra também demonstrou incômodo com o fato de o STF ocupar o centro das atenções do país a menos de 20 dias das eleições gerais. Segundo ela, o Judiciário deveria funcionar como elemento de estabilidade institucional, mas os acontecimentos recentes produziram efeito contrário.
“O Poder Judiciário existe para tranquilizar o povo, e nós geramos intranquilidade”, declarou. Cármen Lúcia disse ainda se sentir “um pouco até envergonhada” com o cenário vivido pela Corte.
Pedido de desculpas
Durante a manifestação, Cármen Lúcia pediu desculpas ao povo brasileiro e reconheceu que gostaria de ter contribuído mais para reduzir as tensões internas no Supremo.
“Eu peço desculpa ao povo brasileiro por talvez ter esperado de mim uma postura diferente”, disse. A ministra afirmou que os integrantes da Corte buscavam solucionar as divergências, mas que as questões acabaram crescendo sem que uma solução fosse alcançada.
Cármen Lúcia também pediu desculpas ao presidente do STF, Edson Fachin, e aos demais ministros. Segundo ela, sua intenção era ter ajudado a “acalmar as coisas”, objetivo que, em sua avaliação, não foi alcançado.
A magistrada ainda afirmou que houve uma “espetacularização” dos episódios envolvendo o tribunal e ressaltou que o desgaste não se limita ao Supremo ou ao Poder Judiciário, mas produz reflexos sobre o país.
Julgamento é suspenso
Antes da suspensão, o placar estava em 4 votos a 3 pela manutenção da tramitação separada dos procedimentos envolvendo Moraes e Mendonça.
Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam que os casos continuassem separados. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram pela análise conjunta. Flávio Dino havia se manifestado pela reunião dos procedimentos, mas pediu vista antes da conclusão da questão, razão pela qual seu voto não foi oficialmente computado no placar.
Cármen Lúcia acompanhou o entendimento de Fachin. A discussão sobre a tramitação ocorre em meio à crise provocada pelos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master e às divergências públicas entre integrantes do Supremo sobre a condução do caso.
Os documentos da Polícia Federal em análise incluem informações sobre contatos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes. A sessão desta terça-feira foi marcada por discussões entre ministros e acusações relacionadas à condução das apurações, antes de Dino interromper o julgamento com o pedido de vista.


