A instabilidade no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 30% dos insumos agrícolas essenciais e grande parte do petróleo mundial, já preocupa os produtores rurais de Goiás. Em entrevista ao Jornal Opção, o presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (Aeagro), Fernando Barnabé, destacou que os impactos imediatos recaem sobre o diesel e os fertilizantes, pilares da produção agropecuária no Estado.

Presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Goiás (Aeagro), Fernando Barnabé | Foto: Acervo Pessoal

Barnabé explicou que o primeiro ponto de atenção é o diesel, combustível indispensável para o transporte de grãos e para o funcionamento das máquinas agrícolas. “O diesel impacta diretamente no transporte do nosso grão e na nossa máquina agrícola, então nós somos dependentes dele”, afirmou.

Ele lembrou que medidas emergenciais, como a retirada de impostos sobre o combustível, são fundamentais para reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo. “A forma de tentar imediatamente é zerando todos os tributos que incidissem sobre o diesel. Isso é importantíssimo que o Estado e o país tenham esse cuidado”, apontou.

O presidente também ressaltou a importância do biodiesel como alternativa para reduzir a dependência externa. “Nós entendemos a importância do biodiesel, aumentando o percentual dele no diesel. Originário dos óleos da soja, o biodiesel vem para contribuir nisso, diminuir essa dependência do petróleo”, disse.

Sobre os fertilizantes, Barnabé destacou que a crise pode disparar os preços da ureia, fósforo, enxofre e amônia, todos derivados ou dependentes do petróleo. “O trânsito de ureia global que passa por ali é em torno de 30%. Isso dispara o preço da ureia, que é muito importante para a pecuária e para a agricultura. No leite, para fazer ração precisa de ureia, para confinamento de boi precisa de ureia. Então, o impacto atinge todos”, explicou.

Apesar da pressão sobre os custos, Barnabé acredita que, no curto prazo, o consumidor final não deve sentir grandes impactos. “A commodity está em baixa, a soja não está subindo. O impacto é para o produtor. Ainda não vejo e não está claro que terá impacto para o consumidor. Agora, para o produtor é automático, porque o diesel operando a R$ 8 subiu muito”, afirmou.

Ele alertou, porém, que, para a próxima safra, os efeitos podem se refletir nos preços dos alimentos. “Acredito que aí pode ser o efeito cascata. Só que o consumidor está sendo beneficiado com o preço da commodity soja que está em baixa”, disse.

Barnabé reconheceu que os produtores não estão preparados para absorver esse aumento de custos sem comprometer a competitividade. “Compromete. O produtor não está preparado porque nós estamos operando com a soja em baixa, vivendo um cenário muito ruim”, disse.

Ele acrescentou que a escassez de crédito agrava a situação, principalmente para médios e pequenos produtores. “Eles estão muito preocupados, principalmente continua a preocupação em relação ao crédito. Baixa, escassez, é falta de crédito. O preço da commodity em baixa, a questão do diesel em alta, os adubos subindo. Ou seja, custo de produção subindo, escassez de crédito e a commodity não está acompanhando esse preço de alta”, contou.

Como alternativa, Barnabé destacou o avanço dos bioinsumos. “Nós já estamos vendo uma crescente do bioinsumo. Isso já era uma crescente antes e, com essa polêmica, com certeza eles vão ganhar mais peso”, avaliou.

“O Estreito de Ormuz traz essa preocupação dos elementos que compõem o adubo, ureia, amônia, fósforo e enxofre. É uma região por onde cerca de 30% desses elementos passam, além da questão do petróleo que afeta diretamente o diesel”, sintetizou o presidente.

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