Corante citado na Bíblia e mais valioso que ouro é encontrado em túmulos de bebês romanos
03 junho 2026 às 11h24

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Arqueólogos da Universidade de York, na Inglaterra, identificaram vestígios da rara púrpura de Tiro em túmulos de dois bebês enterrados há cerca de 1.700 anos. Considerado um dos produtos mais caros do mundo antigo, o corante era usado por imperadores, nobres e integrantes da elite romana.
A descoberta foi feita durante pesquisas em sepulturas da York romana, datadas entre os séculos III e IV. Os restos dos tecidos sobreviveram graças a um tipo incomum de enterro, em que os corpos eram cobertos por gesso líquido. Com o endurecimento do material, detalhes dos sepultamentos ficaram preservados por quase dois milênios.
Foi justamente nesses vestígios que os pesquisadores encontraram a assinatura química da púrpura de Tiro, pigmento produzido a partir de moluscos marinhos encontrados no Mediterrâneo. O processo de fabricação era tão trabalhoso que milhares de conchas precisavam ser processadas para produzir pequenas quantidades do corante, o que fazia seu valor superar o do ouro em determinados períodos.
Os dois bebês receberam funerais incomuns para a época. Além dos tecidos tingidos com a valiosa púrpura, os arqueólogos encontraram adornos de ouro. Uma das crianças foi sepultada em um sarcófago de pedra ao lado de dois adultos. A outra recebeu um enterro individual em um caixão de chumbo, um indicativo de posição social elevada.
Para os pesquisadores, porém, a descoberta vai além da demonstração de riqueza. Os achados ajudam a questionar uma antiga interpretação histórica segundo a qual a alta mortalidade infantil na Roma Antiga teria enfraquecido os laços afetivos entre pais e filhos.
Os cuidados observados nos sepultamentos contam outra história. A escolha de materiais raros, caros e associados ao prestígio sugere que a morte dessas crianças mobilizou famílias dispostas a oferecer despedidas dignas das camadas mais privilegiadas da sociedade romana.
A púrpura de Tiro também carrega significado religioso. O corante aparece em passagens bíblicas e está associado à realeza e ao poder. No livro de Atos dos Apóstolos, é citado no relato sobre Lídia, comerciante de tecidos púrpura. Já no Evangelho de Marcos, um manto dessa cor é colocado sobre Jesus antes da crucificação.
Por sua raridade, a identificação do pigmento em escavações arqueológicas é incomum. No Reino Unido, há poucos registros semelhantes, o que torna a descoberta ainda mais relevante para o estudo da vida cotidiana, das hierarquias sociais e das práticas funerárias durante o domínio romano.
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