A menos de um ano da Copa do Mundo de 2026, milhões de torcedores já acompanham notícias sobre ingressos, pacotes de viagem e produtos relacionados ao maior evento esportivo do planeta. Mas, enquanto a expectativa cresce entre os fãs de futebol, criminosos virtuais também se preparam para aproveitar a movimentação e aplicar golpes pela internet.

Especialistas em segurança digital alertam que grandes eventos esportivos costumam provocar um aumento significativo das tentativas de fraude. O objetivo dos criminosos é explorar a ansiedade dos torcedores por ingressos, promoções exclusivas, transmissões ao vivo e produtos oficiais para roubar dinheiro, dados pessoais e informações bancárias.

Segundo o especialista em cibersegurança Fábio Szescsik, diretor de Cyber Security da Inn Tecnologia, o ambiente criado em torno da Copa favorece a ação dos golpistas.

especialista em cibersegurança Fábio Szescsik, diretor de Cyber Security da Inn Tecnologia

“Os criminosos digitais acompanham o calendário dos grandes eventos da mesma forma que os torcedores. Sempre que há um momento de grande mobilização popular, surgem campanhas fraudulentas explorando a emoção, a urgência e a curiosidade das pessoas”, afirma.

Ingressos falsos lideram fraudes

Entre os golpes mais comuns estão anúncios de ingressos falsificados vendidos em redes sociais, aplicativos de mensagens e sites que simulam plataformas oficiais. Em muitos casos, o torcedor realiza o pagamento e nunca recebe o bilhete.

Também são frequentes páginas que imitam a identidade visual de entidades esportivas, patrocinadores ou empresas de turismo para oferecer promoções inexistentes, sorteios fraudulentos e pacotes de viagem com preços muito abaixo do mercado.

Outro golpe recorrente envolve transmissões falsas dos jogos. Criminosos divulgam links prometendo acesso gratuito às partidas, mas direcionam os usuários para páginas que roubam informações pessoais ou instalam programas maliciosos nos dispositivos.

Risco vai além da perda financeira

Os prejuízos nem sempre se limitam ao dinheiro perdido na compra de um produto inexistente.

Links enviados por e-mail, aplicativos de mensagens ou redes sociais podem servir para capturar senhas, dados bancários e credenciais de acesso. Em situações mais graves, softwares maliciosos conseguem invadir computadores e celulares, comprometendo informações pessoais e até sistemas corporativos.

Empresas também estão entre os alvos dos criminosos, principalmente durante períodos de grande circulação de mensagens e campanhas promocionais relacionadas ao evento.

Como identificar uma fraude

Especialistas recomendam atenção a alguns sinais que costumam indicar tentativas de golpe:

  • Ofertas com preços muito abaixo do valor de mercado;
  • Mensagens que criam senso de urgência para concluir a compra rapidamente;
  • Sites com erros de português ou endereço eletrônico suspeito;
  • Perfis recém-criados nas redes sociais;
  • Solicitação de pagamento por meios pouco convencionais;
  • Links recebidos por aplicativos de mensagens sem confirmação da origem.

Antes de realizar qualquer compra, o consumidor deve verificar se está acessando canais oficiais e pesquisar a reputação da empresa responsável pela oferta.

O que fazer para se proteger

A principal recomendação é desconfiar de promoções que parecem vantajosas demais. Além disso, especialistas orientam:

  • Comprar ingressos apenas em plataformas oficiais autorizadas;
  • Conferir o endereço eletrônico dos sites antes de inserir dados pessoais;
  • Ativar a autenticação em dois fatores em contas de e-mail e redes sociais;
  • Manter celulares, computadores e aplicativos atualizados;
  • Evitar clicar em links recebidos de desconhecidos;
  • Utilizar senhas fortes e diferentes para cada serviço.

Legislação mais rígida

O avanço dos crimes digitais levou ao fortalecimento da legislação brasileira nos últimos anos. A Lei nº 14.155, por exemplo, aumentou as penas para fraudes eletrônicas e invasões de dispositivos, especialmente quando envolvem o uso de redes sociais, aplicativos de mensagens ou engenharia social para enganar vítimas.

Apesar do endurecimento das punições, especialistas ressaltam que a prevenção continua sendo a principal ferramenta de defesa.

Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, a recomendação é simples: antes de clicar, comprar ou compartilhar informações, vale a pena conferir a origem da oferta. Em tempos de grandes eventos, a emoção do torcedor pode ser exatamente o que os criminosos procuram explorar.

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