Com juros ainda altos, comprar ou alugar imóvel? Especialista explica quando cada opção vale mais a pena
05 julho 2026 às 17h05

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Mesmo após a redução da taxa básica de juros para 14,25% ao ano, o financiamento imobiliário continua caro e mantém viva uma das principais dúvidas de quem deseja conquistar a casa própria: vale mais a pena comprar ou continuar morando de aluguel?
Em um cenário de crédito restrito e parcelas mais elevadas, a decisão vai muito além da simples comparação entre o valor do aluguel e o da prestação do financiamento. Segundo o especialista em mercado imobiliário Pedro Ricardo Teixeira, a escolha depende principalmente do momento de vida, da estabilidade financeira e dos objetivos de longo prazo de cada pessoa.
“A decisão entre comprar ou alugar passa muito pelo momento de vida da pessoa”, resume.
Embora os cálculos financeiros sejam importantes, o sonho da casa própria continua exercendo forte influência sobre os brasileiros. Uma pesquisa Datafolha divulgada em 2025 mostrou que 93% das pessoas que vivem de aluguel ou em imóveis cedidos desejam adquirir um imóvel próprio.
Para Pedro, esse fator emocional não pode ser ignorado.
“Seja para morar, investir ou obter renda com aluguel, existe o sentimento de conquista. A pessoa quer ter um patrimônio para chamar de seu e isso pesa bastante na decisão”, afirma.
Financiamento exige olhar além da parcela
O debate costuma se intensificar em períodos de juros elevados. Com o custo do crédito mais alto, muitos consumidores passam a comparar o financiamento com a possibilidade de permanecer no aluguel e investir a diferença em aplicações financeiras.
“A discussão está muito ligada às taxas de juros. Muitas pessoas entendem que pode ser mais vantajoso alugar e aplicar esse dinheiro no mercado financeiro”, explica.

O especialista, porém, alerta que essa lógica não serve para todos os perfis. Para famílias que têm dificuldade em poupar regularmente, o financiamento pode representar uma forma de construir patrimônio ao longo dos anos.
“Mesmo pagando juros e tendo correção nas parcelas, o imóvel também tende a se valorizar. No fim do financiamento, você possui um patrimônio que, em muitos casos, vale mais do que o valor investido. Já o aluguel é uma despesa que não gera propriedade”, destaca.
Além disso, ele lembra que o aluguel também sofre reajustes periódicos, normalmente anuais, baseados em índices como o IGP-M ou o IPCA, o que pode elevar significativamente o custo ao longo do tempo.
Quando alugar pode ser a melhor escolha
Apesar das vantagens patrimoniais da compra, o aluguel oferece um benefício importante: a flexibilidade.
Segundo Pedro, pessoas que estão iniciando a carreira, mudando de cidade, passando por uma separação ou vivendo uma fase de transição profissional costumam encontrar no aluguel uma alternativa mais adequada.
“Quem ainda não sabe onde vai construir a vida ou exerce uma profissão que exige mudanças frequentes não pode sair comprando um imóvel a cada cidade para onde se muda”, observa.
Nessas situações, evitar um compromisso financeiro de longo prazo pode proporcionar maior liberdade para aproveitar oportunidades profissionais e reorganizar a vida pessoal.
A decisão depende do perfil de cada comprador
Na avaliação do especialista, não existe uma resposta universal para a dúvida entre comprar ou alugar. Para quem pretende permanecer na mesma cidade por muitos anos, possui estabilidade financeira e capacidade de assumir um financiamento sem comprometer excessivamente o orçamento, a compra tende a ser uma estratégia de formação de patrimônio.
Já o aluguel costuma fazer mais sentido para quem valoriza mobilidade, ainda não definiu onde pretende morar ou prefere manter parte do patrimônio investido em ativos de maior liquidez.
Antes de fechar negócio, Pedro recomenda avaliar uma série de fatores além do valor da prestação ou do aluguel, como renda familiar, reserva de emergência, estabilidade profissional, planejamento financeiro e objetivos pessoais.
“A decisão deve considerar o momento de vida e a capacidade financeira de cada um. Comprar um imóvel pode ser um excelente investimento, mas só quando esse compromisso cabe no orçamento. O mais importante é que a escolha seja sustentável no longo prazo”, conclui.



