Collor ri e debocha de Janot durante sabatina no Senado

Ex-presidente sugeriu que procurador-geral vaza informações à imprensa e teria abrigado seu irmão, “um criminoso procurado pela Interpol”

Senador Fernando Collor debocha do procurador Rodrigo Janot | Foto: reprodução / TV Senado

Senador Fernando Collor debocha do procurador Rodrigo Janot | Foto: reprodução / TV Senado

A sabatina do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na manhã desta quarta-feira (26/8) no Senado, esquentou quando o ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) fez acusações veladas a ele e chegou até a falar em um irmão morto do sabatinado.

Collor, que foi denunciado na Operação Lava Jato por corrupção e desvio de dinheiro, perguntou se Janot usa como “estratégia” vazar informações sigilosas de investigações para veículos de comunicação e jornalistas como forma de conseguir espaço na mídia.

“Quem está dizendo que o procurador-geral vaza informações não sou eu, mas são senadores e ministro também”, afirmou ele.

Collor acusou o procurador-geral, que foi reconduzido ao cargo pela presidente Dilma Rousseff (PT), de se auto-promover, como um “novo super-homem”. Janot respondeu dizendo que o que tem sido chamado de espetacularização da Lava Jato, nada mais é do que a aplicação de princípio fundamental de uma República: todos são iguais perante a lei.

“Como dizem na minha terra e do meu conterrâneo Aécio Neves, pau que dá em Chico, dá em Francisco”, rebateu.

Enquanto Janot respondia, Collor chegou a interrompê-lo e teve que ser contido pela mesa. “Vossa excelência não me interrompa”, clarou Janot. Irônico, Collor seguiu rindo e debochando das respostas do procurador.

Um dos momentos mais tensos da sabatina foi quando Fernando Collor questionou o procurador se, nos anos 1990, ele teria oferecido abrigo a dois criminosos procurados pela Interpol, em sua casa de Angra dos Reis (RJ). Assim, agindo “com promiscuidade à frente do Ministério Público”.

Tentando manter a calma, o chefe do MP revelou que um desses procurados pela polícia internacional era seu irmão. “Sobre os idos de 1995, não vou me referir a tal episódio em respeito aos mortos. Meu irmão faleceu há mais de cinco anos e eu não participarei dessa exumação pública de um homem que não pode se defender”, rebateu.

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Procurador-geral tentou manter a calma | Foto: reprodução / TV Senado

Procurador-geral tentou manter a calma | Foto: reprodução / TV Senado

O senador acusou ainda Janot de ter contratado a empresa Oficina da Palavra sem licitação para fazer campanha dele ao cargo de chefe do Ministério Publico Federal em 2013 e de, após ser eleito, ter nomeado o dono da empresa, Raul Pillati, como secretário de comunicação da Procuradoria-Geral da República.

“A Oficina da Palavra não é empresa de publicidade, é uma empresa que, nesses contratos, presta consultoria e treinamento de media training [treinamento para se relacionar com a imprensa] para membros do Ministério Público Federal. Aliás, [a empresa]  presta treinamento de media training para vários ministérios públicos, juízes e magistrados de vários Estados”, explicou Janot.

O senador quis saber detalhes do aluguel de uma casa no Lago Sul por R$ 46 mil mensais, que não teria habite-se (documento que autoriza ocupação de imóvel) para uso da Procuradoria-Geral da República. Janot esclareceu que o imóvel foi alugado para abrigar a recém-criada 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público.

“Foi sugerida a locação do imóvel, segundo critérios técnicos e menor custo em relação à área útil. No entanto, por ter sido apresentada carta de habite-se materialmente falsa para uso institucional, expedida pela Administração Regional do Lago Sul, bem como plantas arquitetônicas diversas das que foram visadas por aquele órgão, antes da ocupação pelo MPF, o contrato foi rescindido, e não houve pagamento de aluguel”, respondeu o procurador-geral. (Com informações da Agência Brasil)

 

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