Banco Central eleva para 79% risco de inflação acima da meta em 2026; entenda o que pressiona os preços
30 junho 2026 às 15h01

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A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta em 2026 saltou de 30% para 79%, segundo o Relatório de Política Monetária divulgado pelo Banco Central (BC). No documento, a autoridade monetária também revisou de 3,9% para 5,2% a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, percentual superior ao limite de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta de inflação para 2026 é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Com isso, o teto permitido é de 4,5%. Atualmente, o IPCA acumulado em 12 meses está em 4,72%, superando esse limite pela primeira vez desde outubro de 2025.
Segundo o Banco Central, a deterioração das expectativas inflacionárias está relacionada, principalmente, à alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis, além dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo. A instituição também estima que a inflação permanecerá acima da meta por mais de dois trimestres consecutivos, com retorno gradual ao intervalo de tolerância apenas ao longo de 2027.
Apesar do cenário de maior pressão sobre os preços, o BC revisou para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,6% para 2%, refletindo um desempenho da atividade econômica acima do esperado no primeiro trimestre, mesmo com a taxa básica de juros (Selic) mantida em patamar elevado.
Gastos públicos e conflitos externos pressionam os preços
Ao Jornal Opção, o economista Everaldo Leite afirmou que a piora das projeções resulta da combinação de fatores internos e externos. Segundo ele, a escalada das tensões geopolíticas tem pressionado os preços internacionais dos combustíveis, enquanto, no cenário doméstico, o aumento dos gastos públicos amplia a demanda em um ritmo superior ao da oferta.
“Há fatores externos e internos. Os externos estão ligados aos conflitos internacionais, que elevam o preço dos combustíveis. Internamente, este é um ano de muitos gastos por parte do governo, o que amplia a demanda sobre a oferta e acaba pressionando a inflação”, explicou.

O economista acrescenta que políticas de estímulo ao consumo e de ampliação do crédito também colaboram para o avanço dos preços.
“O Desenrola aumentou a capacidade de crédito das famílias e há novas iniciativas para incentivar a compra de bens, como carros e motocicletas. Quando mais dinheiro circula na economia sem um aumento equivalente da oferta de produtos e serviços, a tendência é de pressão inflacionária”, destacou.
Alimentos, energia e clima devem manter pressão
Na avaliação de Everaldo Leite, alimentos e energia continuarão entre os principais responsáveis pela inflação nos próximos meses. Ele cita a possibilidade de eventos climáticos extremos como um fator adicional de risco para a economia.
“Se houver um superaquecimento climático, podemos ter impactos na geração de energia e perdas de safra, o que reduz a oferta de alimentos e também afeta a pecuária. Isso acaba chegando ao consumidor por meio de preços mais altos”, afirmou.
Juros altos combatem inflação, mas elevam endividamento
Para o economista, o Banco Central continuará utilizando a taxa Selic como principal instrumento de combate à inflação. No entanto, ele considera que a meta inflacionária vigente é excessivamente rígida para a realidade brasileira.
“Na minha avaliação, a meta de inflação poderia ser pelo menos um ponto percentual maior. Isso reduziria a necessidade de manter os juros em níveis tão elevados, favorecendo investimentos, geração de empregos e crescimento econômico”, argumentou.
Everaldo Leite também alertou para os impactos dos juros elevados sobre o orçamento das famílias. Segundo ele, embora o crédito mais caro desestimule investimentos produtivos, muitos consumidores continuam recorrendo a empréstimos para cobrir despesas básicas.
“Os juros altos dificultam os investimentos das empresas, mas não impedem que as famílias busquem crédito para fechar as contas do mês. Isso cria um ciclo de endividamento que compromete a renda, reduz o consumo futuro e acaba pesando sobre toda a economia”, concluiu.
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