Dia Internacional do Asteroide é celebrado com registro em Goiânia e evento da ONU para 2029
30 junho 2026 às 12h56

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Nesta terça-feira, 30, o planeta celebra o Dia Internacional do Asteroide, data estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2016 com o propósito de ampliar a conscientização pública sobre os riscos de impactos cósmicos e, ao mesmo tempo, revelar o papel desses corpos celestes como guardiões de informações sobre os estágios iniciais do Sistema Solar e a entrega de materiais orgânicos à Terra.
A escolha do dia remete ao maior impacto já registrado na história moderna: a queda do asteroide que devastou milhares de quilômetros quadrados em Tunguska, na Sibéria, em 30 de junho de 1908, provocando um terremoto de 5 graus na escala Richter. Enquanto a campanha global Asteroid Day, liderada pela Asteroid Foundation, mobiliza entusiastas e especialistas, um registro raro feito diretamente de Goiânia conectou o centro do Brasil a essa discussão planetária, e trouxe, em primeira mão, uma novidade que projeta 2029 como um ano histórico para a defesa da Terra.
O protagonista goiano desse feito foi o astrofotógrafo Pedro Augusto, colaborador do Instituto de Astronomia Plêiades do Sul. Da própria casa, na capital, ele montou o telescópio e mirou o asteroide 1997 NC1, que no último sábado, 27, atingiu sua máxima aproximação com a Terra. “Fazer esse registro foi uma experiência excelente, porque eu pude capturar ali uma rocha que estava no momento do registro e que agora já está se distanciando da Terra, mas naquele momento era o momento que ela estava mais próximo da Terra possível”, conta Pedro Augusto, em entrevista ao Jornal Opção.
A dedicação técnica por trás do clique exigiu planejamento minucioso. Pedro precisou calcular coordenadas, inserir os dados na montagem computadorizada do telescópio e programar o rastreamento exato do objeto. O resultado entregou não apenas um vídeo em que o asteroide se desloca contra um fundo estrelado, mas também uma foto que ganhou dramaticidade por um detalhe ao acaso.
“No momento do registro aconteceu de cair um meteoro, é um fenômeno que é desconectado do asteroide, não tem nada a ver, mas que adicionou uma beleza a mais no registro, que você tem até ali a trilha marrom de ionização”, descreve o astrofotógrafo. A chamada trilha de ionização do meteoro, formada quando ele ioniza os gases atmosféricos, se inscreveu no quadro como uma assinatura luminosa, tornando o registro goiano um dos únicos feitos a partir de Goiás e um documento visual singular da passagem do 1997 NC1.

O diretor do Plêiades do Sul, Ary Martins, contextualiza que a observação do asteroide foi se tornando progressivamente favorável à medida que ele migrava no céu. “A partir do momento que ele foi para o Ophiuchus, é uma constelação que fica mais próxima, que fica ali já na região do Equador Celeste, ele já fica mais alto no céu, então ele já ganha um ângulo de visibilidade legal para todo mundo aqui no Brasil”, explica Ary.
Segundo ele, o objeto transita na faixa de tamanho típica de um asteroide (entre 550 metros e 1650 metros), dimensão relevante ainda que distante dos extintos gigantes de mil quilômetros de diâmetro, como Ceres, reclassificado como planeta anão em 2006. A máxima aproximação, de cerca de dois milhões e meio de quilômetros, veio acompanhada de um alerta didático do especialista: “Foi tão perto em escala cósmica que está perto aqui do lado. Mas ainda assim foi bem mais distante do que a Lua.”

Para efeito de comparação, Ary lembra que em 2029 está prevista a passagem do asteroide Apophis a uma distância menor do que a de alguns satélites estacionários, posicionados a aproximadamente 36 mil quilômetros de altitude, “também sem risco nenhum de impacto”.
Foi justamente ao redor do Apophis que surgiu a informação mais nova da data. O astrônomo Cristóvão Jacques, diretor do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CEAMIG) e codescobridor de 47 asteroides próximos à Terra, revelou ao Jornal Opção que 2029 marcará uma virada institucional na abordagem do tema. “Vocês são os primeiros que dou essa informação. No ano de 2029 por conta dessa passagem do Apophis a Organização das Nações Unidas (ONU) vai celebrar o ano da conscientização dos asteroides e da defesa planetária”, afirmou Cristóvão, detentor de um extenso currículo de buscas por Objetos Próximos da Terra, os chamados NEOs.
O Apophis, no dia 13 de abril de 2029, será visível a olho nu, fenômeno raríssimo que aproxima o interesse científico e público. Cristóvão detalha que, assim como o 1997 NC1, asteroides com órbitas conhecidas têm suas máximas aproximações calculadas por programas computacionais, permitindo prever com precisão quando cada um estará mais brilhante e acessível para observações que determinam características como composição e risco real.

Ary Martins reforça que a criação da efeméride global nasceu também de outro caso recente, quando, em 2013, o meteoro de Chelyabinsk, na Rússia, com apenas 17 metros de diâmetro, explodiu na atmosfera, gerou um clarão intenso e, cinco minutos depois, uma onda de choque que estilhaçou vidros, disparou alarmes e feriu centenas de pessoas. “Aquilo ampliou o alerta da comunidade científica e dos entusiastas: olha, o perigo é mais iminente do que a gente imagina, apesar de não precisar fazer nenhum tipo de alarmismo”, pontua o diretor.
O resultado prático veio logo: em 2014, a Asteroid Foundation foi criada; em 2015, realizou-se o primeiro evento global do asteroide. “Inclusive o Brasil ocupa o topo do ranking, apesar de ser um evento criado lá nos Estados Unidos, mas o Brasil desde a primeira etapa ocupa o topo do ranking em quantidade e em volume de eventos anuais.”
Cristóvão Jacques, por sua vez, detalha a engrenagem de descobertas: em seu programa de busca, imagens sequenciais do céu revelam movimentos suspeitos; objetos novos são enviados ao Minor Planet Center (MPC) e, após confirmações, comunicados oficialmente à comunidade científica. “Quase todo dia tem um asteroide que está passando mais próximo da Terra. Mas a maioria não é possível ser visto à olho nu e nem com telescópios menores, tem que ter um telescópio maior para observar.”
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