“Celg pode ser primeiro gol do governo Temer na área de privatizações”, diz Ana Carla Abrão

Secretária da Fazenda diz que presidente interino pretende dar celeridade na desestatização da empresa goiana e que valor de venda não será alterado

Ministro Fernando Bezerra Coelho com o governador Marconi Perillo, a secretária Ana Carla Abrão e a senadora Lúcia Vânia

Ministro Fernando Bezerra Coelho com o governador Marconi Perillo, a secretária Ana Carla Abrão e a senadora Lúcia Vânia

A secretária da Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão, afirmou ao Jornal Opção que o imbróglio da privatização da Celg-D deve ser solucionado em breve. Isso porque o governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) sinaliza positivamente ao pleito do Estado, que tenta solucionar esse problema há meses.

Na verdade, ela sustenta que a venda da estatal goiana pode ser “o primeiro gol do governo Temer na área de privatizações”. “Vai ao encontro da agenda que o novo governo apresentou, de redução do Estado e privatização de empresas públicas. A Celg é a joia da coroa do setor elétrico e o Planalto sabe disso”, completou.

De acordo com o acordo, o leilão terá preço mínimo de R$ 2,8 bilhões e, somadas as dívidas que deverão ser assumidas pelo comprador, o negócio totalizará R$ 5,2 bilhões, segundo informação apresentada pelo International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial, que participa do processo de venda.

O processo estava parado por interferência partidária — suspeita-se que o ex-presidente Lula (PT) trabalhava nos bastidores do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) para impedir o negócio, que será benéfico para o governador Marconi Perillo (PSDB), inimigo declarado do líder petista.

Segundo a secretária, agora, ficou definido com o Ministério das Minas e Energia que não há porque rever o valor mínimo da negociação. “O próprio mercado tem condições de ver se é justo, ou não. É melhor que vá a leilão com o preço já estabelecido, pois há fatores que não estão necessariamentes incluídos: demanda reprimida em Goiás, Estado cresce acima da média brasileira, condições geográficas favoráveis. Há potencial”, explicou.

A preocupação com relação a demora da publicação do edital — que deveria ter sido publicado em fevereiro — é justamente o aumento da dívida da companhia. O governo de Goiás assumiu uma dívida de R$ 2,4 bilhões em passivos da companhia (como previa o acordo), mas a maior parte do montante ficará para a Eletrobrás, que detém 51% das ações.

“Temer tem duas opções, ou aceita o negócio, que vai injetar mais de dois bilhões de reais no caixa do governo federal, ou contabilizará mais um esqueleto. Vão deixar virar passivo?”, questiona Ana Carla Abrão.

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