A mulher de 37 anos presa em Santa Catarina por se passar por uma adolescente de 12 anos e viver durante mais de um ano com uma família em Joinville já havia sido detida em Goiás por aplicar golpes utilizando a mesma estratégia de falsa identidade. O caso ocorreu em 2024, em Goiânia, e mobilizou o Conselho Tutelar após denúncias de que uma suposta adolescente estaria em situação de vulnerabilidade em um hotel próximo à Rodoviária.

Ao Jornal Opção, o conselheiro tutelar Rondinelly-Ná, que acompanhou a ocorrência na época, afirmou que a mulher costumava construir narrativas dramáticas para sensibilizar vítimas e conseguir ajuda financeira. Segundo ele, o caso chegou ao Conselho Tutelar após uma pastora e uma integrante da igreja serem procuradas pela suspeita.

“Ela conta uma história muito comovente. Naquele momento, a pastora e a obreira acreditaram nela, deram dinheiro via Pix e depois me acionaram para verificar a situação”, relatou.

De acordo com o conselheiro, a mulher alegava ser menor de idade e afirmava ter sido vítima de abusos e rituais. Um dos elementos que mais chamaram atenção foi a presença de centenas de agulhas espalhadas pelo corpo. Rondinelly afirma que os exames realizados na época confirmaram a existência dos objetos.

“Quando ela foi encaminhada para atendimento médico e posteriormente para exames mais aprofundados, foi constatado que realmente havia centenas de agulhas pelo corpo. Era uma situação assustadora”, disse.

Durante o atendimento, a suspeita apresentou dados pessoais que, segundo ela, pertenciam a uma criança de 11 anos residente no Paraná. A informação levou as autoridades a aprofundarem as investigações. Ao entrar em contato com conselheiros tutelares paranaenses, Rondinelly descobriu que a mulher já possuía histórico de golpes e falsificação de documentos.

“Foi quando eu descobri que ela era uma estelionatária. As características batiam com outros casos registrados em diferentes locais”, afirmou.

Segundo o conselheiro, a presença de uma coronel da reserva da Polícia Militar entre as pessoas que haviam acolhido a mulher facilitou o acionamento imediato das forças de segurança. A suspeita acabou presa ainda em Goiânia.

Na avaliação de Rondinelly, uma das estratégias utilizadas pela mulher era assumir comportamentos infantilizados para reforçar a falsa identidade. “Ela fazia gestos, mudava a forma de falar e entrava em um personagem. Era uma atuação muito elaborada”, disse.

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Mulher teria sido vítima de rituais

Um dos elementos que mais chamou a atenção das autoridades durante a ocorrência registrada em Goiânia foi o relato da mulher sobre a presença de centenas de agulhas espalhadas pelo corpo. Segundo Rondinelly-Ná, ela afirmava ter sido submetida a supostos rituais e utilizava essa narrativa para reforçar a história que contava às pessoas que a acolhiam.

De acordo com o conselheiro tutelar, a suspeita relatava que as agulhas teriam sido inseridas durante práticas conduzidas por um suposto líder religioso. Diante da gravidade das alegações e da possibilidade de ela ser uma adolescente em situação de risco, a mulher foi encaminhada para atendimento médico e passou por uma série de exames.

“Foi realizado raio-X, tomografia e outros procedimentos. As agulhas realmente estavam lá. Era uma coisa assustadora”, afirmou Rondinelly.

A confirmação da presença dos objetos metálicos contribuiu para que o caso ganhasse ainda mais atenção das autoridades. No entanto, durante a apuração, surgiram inconsistências em sua identificação e em sua versão dos fatos, o que levou à descoberta de que ela possuía histórico de estelionatos e uso de documentos falsos em outros estados.

Prisão

Nesta quarta-feira, 3, a Polícia Civil de Santa Catarina prendeu a suspeita em flagrante pelos crimes de estelionato e falsa identidade. Conforme as investigações, ela utilizava o nome falso de “Gabriele” e se apresentava como uma adolescente de 12 anos. Para sustentar a farsa, alegava ser autista, usava chupetas, mamadeiras e outros objetos infantis.

A polícia catarinense informou que a mulher já possui antecedentes por golpes semelhantes em Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em depoimento, ela confessou os fatos e foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça.

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