Bia de Lima cita retomada das negociações em abril de 2027 e compromissos da Prefeitura após fim da greve
16 setembro 2026 às 16h45

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A presidente licenciada do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), Bia de Lima, contestou a avaliação da Prefeitura de Goiânia de que as reivindicações apresentadas durante a greve da educação teriam sido contempladas no acordo que encerrou a paralisação. Segundo ela, a proposta do município prevê uma recomposição da tabela salarial ao longo dos próximos anos, mas não atende integralmente às reivindicações dos servidores.
A greve terminou após 21 dias de paralisação, e os profissionais retomaram as atividades nesta quarta-feira, 16. Em entrevista ao Jornal Opção, Bia afirmou que a categoria decidiu retornar ao trabalho principalmente diante da perspectiva de retomada das negociações em abril de 2027 e de compromissos assumidos pela Prefeitura durante as tratativas.
Entre os pontos que pesaram para o fim da paralisação, segundo a presidente do Sintego, estão o pagamento do auxílio-locomoção referente a julho, o bônus de fim de ano, a decisão de não cortar o ponto dos servidores que participaram da greve e a retomada das negociações no próximo ano.
A principal divergência, entretanto, está na reestruturação da carreira. De acordo com Bia, a tabela apresentada pela Prefeitura prevê um processo que levaria até 2030 para que os servidores alcançassem uma remuneração que, na avaliação do sindicato, deveria ser paga atualmente.
“A questão foi a seguinte: o prefeito apresentou uma tabela em que leva quatro anos para voltar a ganhar o que a Prefeitura deveria estar pagando hoje”, afirmou.
A secretária municipal de Educação, Giselle Pereira Campos Faria, havia declarado ao Jornal Opção que os principais pontos reivindicados pela categoria foram contemplados no acordo. Segundo ela, a nova estrutura prevê espaçamento de 7,4% entre os níveis e de 1,2% entre as referências, com ganhos acumulados que podem chegar a 19,18% até 2030, além da manutenção da data-base.
Bia, porém, afirma que a retomada das atividades não representa o encerramento das reivindicações. Para ela, a negociação prevista para abril será decisiva para verificar se haverá avanços na proposta apresentada pelo município.
“A perspectiva da negociação, já que agora ele se mantinha irredutível, mas topou pagar o auxílio-locomoção de julho, pagar o bônus do final do ano, não cortar o ponto e retomar as negociações em abril. São esses os pontos que levaram a categoria a decidir pela retomada”, explicou.
Segundo a dirigente, uma nova greve não está descartada, mas a possibilidade dependerá do resultado das próximas negociações.
“Este ano, não. Mas, caso no ano que vem não se avance naquilo que o prefeito se prontificou, aí não está descartado”, afirmou.
Sindicato quer acordo formalizado na Justiça
Bia também afirmou que o Sintego pretende garantir que os compromissos assumidos pela Prefeitura sejam incluídos no termo de compromisso construído no Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). A intenção, segundo ela, é evitar que as negociações sejam postergadas ou que os compromissos assumidos agora deixem de ser cumpridos no próximo ano.
“Estamos pedindo que essas negociações vão para o termo de compromisso construído no Tribunal de Justiça, justamente para que não haja amnésia no ano que vem e queiram postergar o direito das pessoas”, disse.
A presidente do sindicato afirmou que a categoria continuará acompanhando o cumprimento das medidas acordadas e poderá voltar a mobilizar os servidores caso não haja avanços.
Pagamentos atrasados são de progressões
Questionada sobre possíveis atrasos nos salários e benefícios dos servidores, Bia negou que haja atraso nos pagamentos regulares. Segundo ela, as pendências envolvem valores relacionados às progressões funcionais, como referências, titularidades e letras.
De acordo com a presidente do Sintego, a situação já ocorria desde a gestão anterior e permanece sem solução integral. Ela afirma ainda que a Prefeitura estaria propondo aos servidores a assinatura de um termo para abrir mão das diferenças referentes a períodos anteriores.
“Os atrasos são dos pagamentos das referências, da titularidade e das letras. Essa é uma realidade que, desde a gestão passada, já vinha ocorrendo e que, infelizmente, para colocar em dia, ele está dizendo que não quer pagar as diferenças anteriores”, afirmou.
Diante da situação, o sindicato pretende recorrer à Justiça para tentar impedir que os servidores tenham prejuízos relacionados aos valores que, segundo a entidade, são devidos.
Reposição dos dias de greve ainda será discutida
Outro ponto de divergência entre a Prefeitura e o sindicato é a reposição dos dias parados. A Secretaria Municipal de Educação informou que os servidores deverão repor os dias em que não trabalharam e que o calendário será organizado nos próximos meses.
Bia afirma, entretanto, que a questão ainda será discutida com a Secretaria de Educação. Segundo ela, uma reunião deve ocorrer ainda nesta semana para definir como ficará o período de paralisação.
“Nós estamos aguardando sentar com a secretária ainda esta semana, justamente para que a gente possa discutir como ficará esse período em que a categoria esteve em greve”, afirmou.
A presidente do Sintego sustenta que não haveria necessidade de reposição de dias letivos porque, segundo a avaliação do sindicato, as escolas não chegaram a ser completamente fechadas durante a greve. Para a entidade, como as unidades permaneceram funcionando, ainda que parcialmente, não haveria justificativa para exigir a reposição integral dos dias.
Sindicato cobra novas contratações
Bia de Lima também divergiu da Prefeitura sobre a necessidade de ampliar o quadro de profissionais da rede municipal. Enquanto a Secretaria de Educação informou que o acordo não prevê novos concursos ou contratações, a presidente do Sintego afirma que o entendimento firmado prevê medidas para reforçar o quadro de servidores.
Segundo ela, a Prefeitura deverá realizar ainda neste ano convocações de profissionais aprovados em cadastro de reserva e acelerar as chamadas relacionadas a processos seletivos.
“Prevê. Primeiro, a chamada ainda este ano para que a gente consiga ter duas situações: aqueles que ainda estão aguardando no cadastro de reserva e a outra, que é do processo seletivo, para que a Prefeitura possa acelerar a chamada”, disse.
A dirigente também contestou a avaliação de que a categoria não teria cumprido a determinação judicial de manter 70% dos servidores trabalhando durante a greve. Para Bia, a dificuldade estaria relacionada à falta de profissionais na própria rede municipal.
Segundo ela, o déficit de servidores tem provocado sobrecarga entre os profissionais que permanecem nas unidades.
“O que não tem dado conta é justamente em decorrência do grande déficit de profissionais, tanto professores quanto técnicos administrativos, que estão faltando demais na rede e que nós precisamos suprir, porque a categoria vem adoecendo justamente porque tem que fazer serviço para duas, três pessoas”, completou.
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