Trump acusa Brasil de falhar contra PCC e CV e cobra ação urgente de Lula
16 setembro 2026 às 16h39

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o governo brasileiro e acusou o país de falhar no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). Em documento enviado ao Congresso norte-americano, Trump afirma que as duas facções contribuíram para transformar o Brasil em um centro para o fluxo internacional de cocaína e cobra uma reação mais dura das autoridades brasileiras.
A avaliação consta em um documento anual sobre o narcotráfico internacional, enviado ao Congresso dos Estados Unidos na terça-feira, 15, e divulgado nesta quarta-feira, 16.
No texto, Trump compara a atuação brasileira com a de outros países do Hemisfério Ocidental e afirma que, enquanto alguns governos adotam medidas que Washington considera mais firmes contra cartéis e o tráfico de drogas, o Brasil teria falhado no enfrentamento ao PCC e ao CV.
O presidente norte-americano também classifica as duas facções como uma ameaça que ultrapassa as fronteiras brasileiras e cobra medidas urgentes do governo do presidente Lula da Silva (PT).
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente adotar medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, afirma o documento.
PCC e Comando Vermelho foram classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas. A posição norte-americana sobre os grupos não corresponde necessariamente ao enquadramento jurídico adotado pelo Brasil.
Brasil fica fora de lista de 23 países
Apesar das críticas direcionadas ao governo brasileiro, o Brasil não aparece na relação de países identificados formalmente pelos Estados Unidos como grandes produtores de drogas ilícitas ou importantes rotas de trânsito do narcotráfico.
A lista reúne 23 países: Afeganistão, Bahamas, Belize, Bolívia, China, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Laos, México, Mianmar, Nicarágua, Paquistão, Panamá, Peru e Venezuela.
O relatório ainda afirma que Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia falharam no cumprimento de determinadas obrigações internacionais relacionadas ao combate às drogas.
Essa classificação é diferente da crítica feita ao Brasil. Apesar de Trump acusar o governo brasileiro de falhar especificamente no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho, o país não recebeu a classificação formal de nação que teria “falhado de forma demonstrável” no cumprimento das obrigações internacionais antidrogas.
Trump também pressiona México, Canadá e China
A cobrança não ficou restrita ao Brasil. O documento também pede maior empenho do México e do Canadá para reduzir a entrada de drogas nos Estados Unidos.
No caso canadense, Washington cobra medidas contra laboratórios clandestinos utilizados para a produção de drogas sintéticas. Já em relação ao México, a Casa Branca defende ações contra organizações ligadas ao narcotráfico que exercem controle sobre territórios.
A China também foi alvo de cobranças. Trump afirmou que, apesar das conversas mantidas com o presidente Xi Jinping, Pequim precisa ampliar as ações para reduzir o fluxo de substâncias utilizadas na fabricação ilegal de fentanil.
Documento também faz acenos a governos latino-americanos
Ao mesmo tempo em que critica a atuação brasileira, o documento cita mudanças políticas recentes em países da América do Sul como oportunidades para ampliar a cooperação com os Estados Unidos no combate ao narcotráfico.
Venezuela, Bolívia e Colômbia aparecem entre os países nos quais o governo norte-americano identifica avanços, embora Washington considere necessárias novas medidas.
Diplomatas brasileiros ouvidos pela GloboNews avaliam que o documento reforça a orientação adotada pela política externa de Trump para a América Latina e apontam seletividade no tratamento dispensado pela Casa Branca aos diferentes governos da região.
O documento faz parte de uma avaliação realizada anualmente pelo governo dos Estados Unidos e encaminhada ao Congresso norte-americano sobre produção, circulação e combate internacional às drogas.
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