Vestido de mulher e com criança no colo, suspeito de 16 homicídios diz ter matado cerca de 80 pessoas
16 setembro 2026 às 16h09

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Vestido, peruca, unhas pintadas, óculos escuros e uma criança de aproximadamente dois anos no colo. Foi dessa forma que Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, suspeito de envolvimento em uma série de homicídios na Paraíba, tentou passar despercebido pelos policiais que o procuravam. O disfarce chegou a funcionar por alguns instantes, mas um detalhe acabou entregando sua identidade: uma tatuagem.
Jorlan, que ficou conhecido como “homem da peruca”, foi preso no domingo, 13, em Mulungu, no Agreste da Paraíba, após uma operação que durou cerca de 48 horas. Segundo a Polícia Civil, ele é investigado por participação em pelo menos 16 homicídios registrados em aproximadamente três meses no Vale do Mamanguape.
O caso ganhou uma dimensão ainda maior após a prisão. Durante o interrogatório, o suspeito afirmou aos investigadores que teria matado cerca de 80 pessoas ao longo da vida. O número, entretanto, ainda não foi confirmado pela polícia.
“É um número muito expressivo. Nós acreditamos que, se não for esse número, é algo muito próximo disso”, afirmou o delegado Douglas Garcia.
Disfarce quase enganou policiais
A estratégia utilizada para tentar escapar chamou a atenção dos investigadores. De acordo com a Polícia Civil, Jorlan colocou roupas femininas, peruca, sandálias, óculos escuros e chegou a pintar as unhas.
Além do disfarce, ele carregava no colo uma criança de aproximadamente dois anos, que, segundo a investigação, não possui parentesco com ele.
A caracterização teria permitido que o suspeito passasse anteriormente pelos policiais sem ser reconhecido.
A fuga, porém, não durou muito.
Segundo o relato do delegado responsável pelo caso, Jorlan retornou à casa onde estava escondido, deixou a criança, pegou um revólver e saiu novamente. Nesse momento, o vestido teria se deslocado e deixado uma tatuagem à mostra.
O detalhe chamou a atenção dos agentes e permitiu a identificação do homem procurado.
A Polícia Civil ainda investiga como a criança foi parar com Jorlan.
Deixou a prisão em maio e passou a ser investigado por 16 mortes
Outro ponto que chama a atenção dos investigadores é o intervalo entre a saída de Jorlan da prisão e os crimes atribuídos a ele.
Segundo a Polícia Civil, o homem passou aproximadamente cinco ou seis anos preso e deixou o sistema prisional em maio de 2026. Desde o fim daquele mês até sua prisão, em setembro, ele passou a ser investigado por envolvimento em 16 homicídios.
Entre os crimes apurados está o assassinato de dois comerciantes, ocorrido em 1º de agosto, em Rio Tinto, no Litoral Norte da Paraíba. A polícia suspeita que Jorlan tenha participado da ação acompanhado de outros quatro homens.
Os investigadores também apuram a possível participação dele na morte de uma jovem. Conforme o delegado Douglas Garcia, o próprio suspeito teria indicado aos policiais o local onde o corpo estava enterrado.
Suspeito diz ter matado cerca de 80 pessoas
Foi durante o interrogatório que Jorlan apresentou aos policiais um número ainda mais elevado.
Ele afirmou ter cometido aproximadamente 80 homicídios ao longo da vida.
A declaração é tratada com cautela pela Polícia Civil. Até o momento, o número não foi comprovado, e os investigadores trabalham para confrontar o relato do suspeito com inquéritos, registros de homicídios e provas técnicas.
A investigação também aponta um histórico de violência que teria começado ainda na adolescência. Segundo o delegado, Jorlan declarou ter cometido o primeiro homicídio aos 13 anos.
Polícia apura ligação com facção
A Polícia Civil investiga ainda uma possível ligação de Jorlan com uma facção criminosa originária do Rio de Janeiro e com atuação na Paraíba.
Segundo a investigação, após fugir de uma ação policial em Rio Tinto, ele teria buscado esconderijo em uma comunidade de Cabedelo, na Grande João Pessoa, apontada pela polícia como área de atuação da organização criminosa.
O trabalho de inteligência levou os investigadores até o imóvel onde o suspeito estaria escondido. Posteriormente, os policiais identificaram que ele teria seguido de Cabedelo para Mulungu acompanhado de outros integrantes do grupo.
Com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o veículo utilizado pelos suspeitos foi localizado. Um dos homens foi preso durante uma abordagem, enquanto Jorlan conseguiu fugir.
A tentativa de escapar terminou com o disfarce de mulher e a criança no colo. Ao todo, outros dois homens foram presos durante a operação. Segundo o delegado Marcos Paulo Sales, os três são suspeitos de ligação com a mesma organização criminosa.
Jorlan tinha contra si um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça da Paraíba. Na terça-feira, 15, ele foi encaminhado ao Presídio Sílvio Porto, em João Pessoa.
Agora, a Polícia Civil tenta dimensionar a extensão dos crimes atribuídos ao suspeito e verificar se a afirmação de que teria cometido cerca de 80 homicídios encontra respaldo nas investigações.
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