Assassino de Zé Gomes era psicótico, viciado em anfetamina e se sentia perseguido, diz PC

Investigação aponta que crime foi motivado por ódio e sentimento de perseguição. Gilberto Ferreira do Amaral planejou o crime

Delegado Douglas Pedrosa apresenta inquérito | Foto: divulgação

Delegado Douglas Pedrosa apresenta inquérito | Foto: divulgação

A Polícia Civil apresentou, na manhã desta sexta-feira (25/11), os resultados da Operação Paranaíba, que investigou as circunstâncias do assassinato do ex-prefeito de Itumbiara Zé Gomes (PTB) e do policial militar Vanílson João Pereira, em 28 de setembro de 2016 durante uma carreata.

Segundo o delegado Douglas Pedrosa, titular da Delegacia de Investigação de Homicídios, o assassino Gilberto Ferreira do Amaral cometeu o crime sozinho, motivado por ódio e vingança. Conhecido na cidade como Beba, a investigação concluiu que ele sofria de psicose etílica, decorrente de uso contínuo de Anfepramona (remédio para emagrecer derivado da anfetamina) com álcool. Em 2007, um médico psiquiatra chegou a diagnosticar por meio de um atestado o vício, bem como episódios psicóticos.

Funcionário concursado da prefeitura de Itumbiara, o criminoso tinha uma rixa de anos com a vítima. Acreditava que, quando prefeito e até depois que deixou o cargo, Zé Gomes o perseguia: “Disse a várias pessoas que o queriam transferir para o cemitério, para trabalhar como coveiro”, revelou o delegado durante a coletiva, em que traçou uma linha cronológica com o histórico de episódios que culminaram no assassinato.

Já em 2016, Beba passou a trabalhar com o então candidato Dr. Rogério, vereador eleito e também adversário de Zé Gomes. De acordo com a PC, várias situações passaram a alimentar o ódio do assassino, como quando a família do novo patrão foi assaltada: chegou a acreditar que o crime teria sido orquestrado por seu algoz. Assim, decidiu, por conta própria assumir sua segurança pessoal e passou a andar armado.

No mês de agosto, continuava com os surtos de perseguição na prefeitura e faltou ao trabalho, o que resultou em uma discussão. Nervoso, pediu para ser transferido e solicitou férias, contou o delegado. Contudo, arrependido da decisão, foi ao departamento de Recursos Humanos solicitar o cancelamento do pedido, que não foi aceito: “Acabou sendo transferido mesmo assim e, mais uma vez, se sentiu perseguido por Zé Gomes.”

Em setembro, a PC relata que Gilberto Ferreira do Amaral apostou com um garçom de um bar da cidade que, mesmo que vencesse as eleições, Zé Gomes “não assumiria” o cargo. Outras três testemunhas revelaram que, no dia 27 (um dia antes do crime), ele disse que “mataria um político” e depois fugiria para o Tocantins. Foi confirmado, também, que o autor fez testes com a mesma arma que usou para matar o ex-prefeito e o policial militar, além de ferir o vice-governador José Eliton (PSDB) e um advogado da prefeitura.

No dia 28 de setembro, o assassino tentou comprar remédios controlados, mas não conseguiu. Foi ao comitê do vereador Dr. Rogério, deixou o carro que dirigia e saiu para cometer o crime.

“Dentro da mente de Gilberto, ele se sentia perseguido, independente de ter motivo ou não. Sabemos que era uma pessoa conturbada, de caráter duvidoso e uma pessoa que cometeu um ato de barbárie contra pessoas de bem”, arrematou o delegado Douglas Pedrosa.

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