O Ministério Público Militar pediu a instalação de inquérito policial militar para apurar indícios de irregularidades em dois pregões realizados no governo Bolsonaro para comprar filé mignon destinado às Forças Armadas. A medida é fruto de ação do ex-deputado federal por Goiás e atual chefe da Secretaria Nacional de Assuntos Legislativos, Elias Vaz (PSB), que denunciou a suspeita de compras irregulares em abril de 2022.

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O relatório da procuradora de Justiça Militar, Najla Nassif Palma, pede a oitiva dos principais agentes públicos envolvidos nos pregões 63/2019 e 35/2020. O MP identificou a existência de dois fornecedores com preços diferentes que venceram o mesmo pregão. Ou seja, as Forças Armadas não priorizaram o valor mais baixo.

Segundo o relatório, foram registradas compras da Ravi Comércio Atacadista e Alimentos de 650 quilos no dia 27 de janeiro de 2020 e mais 670 quilos no dia 11 de março de 2020. O preço do quilo foi de R$ 41,28.

As Forças Armadas também compraram da GN Alimentos Ltda 1,5 mil quilos no dia 11 de março de 2020 e de 19,8 mil quilos entre os dias 9 de julho e 18 de agosto de 2020. Mas o preço do quilo foi mais barato: R$ 34,66. O documento questiona ainda o fato de as Forças Armadas terem adquirido 20 toneladas da carne nobre para consumo em poucos meses.

Filé mignon não foi o único alimento de luxo para as Forças Armadas sob a gestão do ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto, um dos alvos da operação da Polícia Federal para apurar a tentativa de golpe do dia 8 de janeiro. O cardápio do comando da Marinha, Aeronáutica e Exército incluía picanha, salmão, conhaque, uísque e cerveja puro malte.

Leite condensado, viagra e próteses penianas 

Esta não foi a primeira vez que as Forças Armadas viraram alvo de investigação por irregularidades em compras. Em 2022 veio à tona a compra de viagra, além de 60 próteses penianas com custo de R$ 3,5 milhões por parte do Exército. 

A força armada adquiriu os produtos em três pregões distintos, homologados em 2021. Ainda em 2021, o Governo Federal gastou mais de R$ 15 milhões com toneladas de leite condensado para militares.