Amamentação pode ser afetada por problemas na pega e sucção, alerta fonoaudióloga
20 agosto 2026 às 15h58

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O aleitamento materno volta a ser tema de mobilização durante o Agosto Dourado, campanha que busca ampliar a conscientização sobre a importância da amamentação para a saúde e o desenvolvimento dos bebês. Em 2026, a Semana Mundial do Aleitamento Materno tem como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”, com foco em estratégias de proteção, promoção e apoio à prática.
Entre as medidas destacadas estão o acesso a informações confiáveis, a assistência especializada, o apoio familiar, a capacitação de profissionais de saúde e as políticas de proteção à mulher que amamenta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida.
Após esse período, a orientação é manter a amamentação, associada à introdução de alimentos complementares, até os dois anos de idade ou mais. Para a fonoaudióloga Alessandra Santos, dificuldades podem surgir ao longo do processo mesmo quando a mulher recebe orientações previamente.
Segundo ela, dor, insegurança, problemas na pega e alterações na sucção estão entre as situações que podem interferir na experiência. “Amamentar é natural, mas isso não significa que seja fácil. Muitas mães enfrentam dor, insegurança, dificuldades na pega, na sucção ou na coordenação entre sucção, deglutição e respiração”, afirma.
A profissional explica que a Fonoaudiologia pode integrar a equipe responsável pelo acompanhamento da amamentação, principalmente na avaliação das funções orais do bebê. O trabalho envolve aspectos como sucção, deglutição e respiração, além da identificação de fatores que possam dificultar a mamada.
Alterações na mobilidade da língua, dificuldades de pega, problemas de sucção e condições associadas à prematuridade ou à internação neonatal podem demandar avaliação especializada. “O nosso trabalho não é apenas olhar para a boca do bebê. É compreender o binômio mãe-bebê, identificar as dificuldades e construir estratégias individualizadas junto à família e aos demais profissionais”, diz Alessandra.

A fonoaudióloga também chama a atenção para a necessidade de considerar as condições da mulher durante todo o processo. Segundo ela, atribuir exclusivamente à mãe a responsabilidade pelo sucesso da amamentação pode desconsiderar diferentes fatores que influenciam a continuidade do aleitamento.
“Precisamos deixar de colocar sobre a mãe toda a responsabilidade pelo sucesso da amamentação. Ela precisa de informação, acolhimento e uma rede de apoio que saiba como ajudá-la”, afirma.
O acompanhamento, segundo Alessandra, pode começar ainda durante a gestação e continuar após o nascimento, com orientações no pré-natal, auxílio na primeira mamada, acompanhamento após a alta hospitalar e acesso a profissionais capacitados.
A proposta do Agosto Dourado deste ano busca justamente reforçar essas estruturas de apoio. A iniciativa pretende ampliar o acesso das famílias a informações e serviços que possam auxiliar diante das dificuldades encontradas durante o período de amamentação.
“Quando uma mulher encontra dificuldades, ela precisa saber que não está sozinha e onde buscar ajuda. Amamentação é uma responsabilidade compartilhada entre família, profissionais de saúde, comunidade e sociedade”, conclui a fonoaudióloga.
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