Canetas emagrecedoras ajudam na perda de gordura, mas acendem alerta para redução de massa muscular
19 agosto 2026 às 18h35

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As chamadas canetas emagrecedoras ampliaram as possibilidades de tratamento da obesidade e passaram a ocupar espaço importante no combate à doença. Com a maior perda de peso proporcionada por medicamentos como semaglutida e tirzepatida, porém, especialistas chamam a atenção para outro aspecto do tratamento: a necessidade de preservar a massa muscular durante o processo.
Estudos que acompanharam pacientes submetidos a tratamentos com semaglutida e tirzepatida indicam que a maior parcela do peso eliminado corresponde à gordura. Ao mesmo tempo, avaliações da composição corporal mostram que parte da redução também ocorre na massa magra.
Para o cardiologista Guilherme Borges, o resultado de um tratamento contra a obesidade não deve ser medido apenas pela balança. “Existe uma diferença importante entre perder peso e emagrecer com qualidade. O objetivo é eliminar gordura preservando ao máximo a massa muscular, porque ela desempenha funções essenciais para o metabolismo e para a saúde”, afirma.
Análises relacionadas aos programas de pesquisa STEP, envolvendo semaglutida, e SURMOUNT, com tirzepatida, mostram que a redução de peso ocorre predominantemente às custas da gordura corporal.
Em avaliações de composição corporal, aproximadamente três quartos do peso eliminado corresponderam à gordura, enquanto cerca de um quarto esteve relacionado à massa magra.
O conceito, entretanto, exige uma ressalva: massa magra não significa necessariamente músculo. A categoria também engloba água, órgãos e outros tecidos que não são gordura. Ainda assim, como os músculos representam uma parcela relevante dessa composição, acompanhar sua preservação é importante durante o emagrecimento.
Por que o músculo importa?
A musculatura não está relacionada apenas à força e à capacidade de realizar atividades físicas. O tecido muscular tem participação importante no funcionamento metabólico do organismo e produz substâncias chamadas miocinas, associadas a diferentes processos relacionados à saúde.
Os músculos também contribuem para o gasto energético do organismo. “Preservar a massa muscular significa preservar autonomia, capacidade funcional e saúde metabólica. Quanto melhor a composição corporal ao final do tratamento, maiores são as chances de manter os resultados no longo prazo”, explica Borges.
A redução da massa muscular não é uma característica exclusiva do uso de medicamentos para emagrecer. Ela pode ocorrer em diferentes estratégias de perda de peso, principalmente quando há grande restrição calórica ou quando não são adotadas medidas para preservar a musculatura.
Entre os fatores que podem favorecer essa perda estão a ingestão insuficiente de proteínas, a ausência de exercícios de força, a perda de peso em ritmo acelerado e o avanço da idade, especialmente entre pessoas com maior risco de sarcopenia.
Por isso, pacientes que têm dificuldade para consumir proteínas em quantidade adequada ou que não praticam exercícios resistidos precisam de atenção especial durante o tratamento.
Exercício e alimentação fazem parte do tratamento
Para especialistas, o uso das medicações deve estar inserido em uma estratégia mais ampla de controle da obesidade. Alimentação adequada e atividade física continuam sendo componentes importantes para alcançar uma composição corporal mais saudável.
Entre as medidas recomendadas estão exercícios de força, como musculação, de acordo com as condições individuais e a orientação profissional, além do consumo adequado de proteínas.
Também é importante acompanhar a composição corporal ao longo do tratamento, especialmente em pacientes com maior risco de perda muscular.
Exames como a bioimpedância podem auxiliar no monitoramento das mudanças na composição corporal. A avaliação da força e da capacidade funcional também pode ajudar a identificar alterações que não aparecem apenas na balança.
O acompanhamento multidisciplinar, com médico, nutricionista e profissional de educação física, permite ajustar alimentação, exercícios e tratamento de acordo com a evolução e as necessidades de cada paciente.
O que acontece depois da medicação?
Outro ponto de atenção é o período após a interrupção dos medicamentos. A recuperação do peso pode ocorrer com aumento da gordura corporal, enquanto a recuperação da massa muscular perdida pode não acontecer na mesma proporção.
Por isso, a manutenção de hábitos que favoreçam a preservação da musculatura continua sendo importante mesmo após a fase de maior perda de peso.
“As medicações representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade. O desafio é garantir que esse emagrecimento aconteça com qualidade. Quando preservamos a musculatura e reduzimos principalmente a gordura corporal, aumentamos as chances de manter os benefícios metabólicos, cardiovasculares e funcionais conquistados durante o tratamento”, afirma Borges.
Reconhecida como uma doença crônica, a obesidade demanda acompanhamento contínuo e individualizado. Nesse cenário, medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem integrar o tratamento quando houver indicação médica, mas devem ser associados a estratégias de alimentação adequada, atividade física e acompanhamento da composição corporal.
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