Abrigo de menores em Trindade pode ser fechado após relatos de violência e exploração

Esta não é a primeira vez que o centro de acolhimento deverá ser alvo de decisão judicial

O Ministério Público de Goiás (MPGO) ajuizou nesta semana uma ação civil pública com pedido para a interdição das instalações da Associação Crianças do Brasil em Trindade (ACBT), utilizadas com a finalidade de acolhimento institucional de crianças e adolescentes. Conforme relatos colhidos pelo órgão ministerial, há suspeitas de várias irregularidades, dentre elas, denúncias de maus tratos.

Jovens abrigados contaram aos peritos da Unidade Técnica de Psicologia do MPGO sobre a aplicação de castigos físicos, com o uso de varas, chinelas e cintos. As medidas ditas “corretivas” incluíam o chamado “paredão”, que consistia em fazer as crianças e jovens ficarem de pé olhando fixamente para a parede por horas, sob os olhares dos demais abrigados.

Também ficou comprovada a utilização de adolescentes para fazerem limpeza em casas particulares, em troca da quantia de R$ 10,00 ou presentes de baixo valor. Além disso, foi comprovada a existência de restrição a visitas familiares aos abrigados.

“A disciplina a ser empregada deve prestigiar o diálogo e o respeito mútuo. Jamais pode resvalar para agressões físicas, constrangimentos ou humilhações a ponto de não constituir elemento educativo, mas sim um perverso instrumento de jugo e odioso exercício de força, que serve apenas para ensinar a criança ou o adolescente a ter medo e a ser submisso”, explicou o promotor Marcelo Faria da Costa Lima.

Esta não é a primeira vez que o cento de acolhimento deverá ser alvo de uma decisão judicial. Em agosto do último ano, após pedido administrativo do MPGO, 22 abrigados foram levados do local e acolhidos em outras unidades diante de suspeitas de violações de seus direitos.

*As informações são da Assessoria de Comunicação do MPGO

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