2º Big Day das Araras-Azuis convoca Brasil, Bolívia e Paraguai para contar araras em 1º e 2 de agosto
22 junho 2026 às 10h39

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Nos dias 1 e 2 de agosto de 2026, um sábado e um domingo, o Instituto Arara Azul mobiliza observadores de três países para a segunda edição do Big Day das Araras-Azuis, uma operação internacional de ciência cidadã dedicada a registrar a arara-azul-grande (Anodorhynchus hyacinthinus) na natureza.
Basta um celular em mãos e atenção voltada ao céu, ao quintal ou à copa das árvores: qualquer pessoa que more ou esteja nas áreas de ocorrência da espécie pode contribuir enviando fotos, vídeos, áudios ou simplesmente o número de Araras-Azuis avistados. O objetivo é atualizar, com a ajuda da população, os dados sobre quantas araras-azuis existem e onde elas estão distribuídas pelo Brasil, Bolívia e Paraguai, informação essencial para calibrar as estratégias de conservação de uma ave que segue ameaçada de extinção.
A iniciativa é inspirada no Global Big Day, tradicional maratona mundial de observação de aves, mas concentra todos os esforços em uma única espécie-símbolo da biodiversidade brasileira. “Nós precisamos entender como está hoje a distribuição das araras, onde estão e quantas são. Então eu faria esse convite para todas as pessoas que podem estar no campo, contando e registrando com o celular, fazendo uma imagem, um vídeo, ou até gravando um áudio”, explica Neiva Guedes, presidente e fundadora do Instituto Arara Azul.

Para a bióloga, que monitora a espécie há mais de três décadas, o engajamento de quem vive no entorno direto das aves é a chave do sucesso. “Qualquer pessoa pode participar do Big Day da Araras Azuis, quem mais esperamos que participe este ano são as pessoas que moram nas propriedades, nas fazendas, de ocorrência das araras-azuis. Seja lá o peão, o fazendeiro, o gerente, a dona de casa, porque onde elas estão elas acabam se mostrando bastante então eu tenho certeza que onde elas ocorrem as pessoas sabem que elas estão lá e é dessas pessoas que nós esperamos o resultado do Big Day das Araras Azuis deste ano”.
O que a primeira edição revelou
Em 2025, a estreia do Big Day surpreendeu os pesquisadores. De acordo com a médica-veterinária Maria Eduarda Monteiro, coordenadora de campo do Projeto Arara Azul na Caiman, o estado do Mato Grosso do Sul liderou a contagem, com 409 araras-azuis registradas e uma ampla mobilização de observadores em diferentes municípios.
“O Pará também teve uma participação muito expressiva, com 335 indivíduos registrados e forte envolvimento da comunidade local”, relata. Mato Grosso e Goiás também colaboraram, este último inclusive com registros de ausência, esforços de observação que não resultaram em avistamentos, mas nem por isso deixaram de ter valor científico.
Por outro lado, estados onde a presença da arara-azul-grande é conhecida não enviaram nenhum registro em 2025: Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia e, em menor escala, Minas Gerais. É justamente nesses territórios que a segunda edição concentra sua expectativa de capilaridade. “E é importante destacar que, para a ciência, não apenas os registros das araras são valiosos. Em locais onde houve esforço de observação, mas nenhuma arara foi avistada, essa informação também é extremamente importante. A ausência de registros ajuda a identificar possíveis mudanças na distribuição da espécie, áreas que precisam de maior atenção”, reforça Maria Eduarda Monteiro.
Como participar e por que cada registro importa
A bióloga Fernanda Fontoura, gestora operacional de projetos do Instituto Arara Azul e uma das organizadoras do Big Day, resume o espírito da campanha: “o principal objetivo dessa ação é envolver as pessoas todas, independente de idade, sexo, profissão, envolver todo mundo na contagem desses animais na natureza.” Para isso, a organização disponibiliza múltiplos canais de envio.
Os registros podem ser submetidos pelo aplicativo eBird, pela plataforma WikiAves, pelo Biofaces, por um formulário oficial no Google Forms (https://forms.gle/uQ9qQ8qP9TYU1Mr26) ou ainda pelo WhatsApp oficial da campanha: (67) 9987-10752. Quem preferir gravar um áudio ou um vídeo em vez de escrever também será acolhido, a orientação é que a mensagem chegue por qualquer uma dessas vias durante os dias da mobilização.

Dessa forma, o Instituto Arara Azul transforma cada quintal, fazenda, dormitório ou unidade de conservação em um ponto de coleta de dados. A iniciativa dialoga diretamente com o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Espécie e procura responder a uma pergunta que há anos inquieta os cientistas: quantos indivíduos de arara-azul-grande sobrevivem em liberdade? Além de gerar números atualizados, a mobilização também fortalece o vínculo entre as comunidades locais e a proteção da biodiversidade.
“Então, o que nos motiva a realizar uma segunda edição é envolver mais e mais pessoas, inclusive, principalmente, na verdade, daqueles locais onde a gente não obteve contagem e sabe que as araras estão ali”, acrescenta Fernanda Fontoura.
Com sede em Campo Grande (MS) e frentes de trabalho no Pantanal Norte, Pantanal Sul, Cerrado e na Amazônia paraense, o Instituto Arara Azul completa 36 anos de atuação em 2026. Sob a liderança de Neiva Guedes, a organização não governamental já alterou de forma significativa o destino da arara-azul-grande no Pantanal e agora expande o monitoramento com o apoio direto da ciência cidadã.
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