Espuma se espalha pelo Rio Meia Ponte e órgãos investigam origem; Saneago aponta estiagem como fator
14 agosto 2026 às 18h57

COMPARTILHAR
O aparecimento de uma grande quantidade de espuma no Rio Meia Ponte, na altura do bairro Caiçara, em Goiânia, mobilizou órgãos ambientais na manhã desta sexta-feira, 14. Técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) estiveram no local e coletaram amostras da água em diferentes pontos do rio para investigar a origem do fenômeno.
A Saneago, por sua vez, afirma que a espuma está concentrada em um trecho distante do ponto de lançamento do efluente tratado e relaciona a formação às características do local e à baixa vazão do rio durante o período de estiagem.
A espuma chegou a ocupar praticamente toda a largura do curso d’água no trecho observado. Além da Semad, a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) também recolheu material para análise. A investigação deverá apontar se houve alteração na qualidade da água e identificar a possível origem da espuma.
Semad coleta amostras em quatro pontos
De acordo com a Semad, uma equipe técnica foi enviada ao Rio Meia Ponte nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, após o registro da espuma. Os fiscais utilizaram uma sonda multiparamétrica para verificar parâmetros físico-químicos da água e avaliar as condições ambientais do rio e de suas margens.
Foram coletadas amostras de água superficial em quatro pontos: na ponte da Avenida Perimetral, na ponte da Avenida Pedro Paulo, na Avenida Meia Ponte e na ponte da BR-153. O material foi encaminhado ao laboratório da própria secretaria.
A Semad informou que a apuração continua e que os resultados dos exames laboratoriais serão utilizados para tentar identificar a origem e as possíveis causas da ocorrência. Caso sejam constatadas alterações na qualidade da água ou fontes de contaminação, o órgão afirma que poderá adotar medidas de controle e remediação.
Dema também investiga ocorrência
A Dema também acompanha o caso. Segundo o delegado titular da unidade, Luziano Severino de Carvalho, foi solicitado à Saneago um levantamento técnico para verificar se houve alguma falha, alteração ou mudança no sistema de tratamento de esgoto que possa ter relação com o episódio.
“Vamos apurar”, afirmou o delegado. Segundo ele, também será investigada a possibilidade de eventual crime ambiental. Entre os aspectos que serão analisados está a ocorrência de mortandade de animais.
Os resultados dos levantamentos realizados pela Saneago e pela Polícia Técnico-Científica deverão contribuir para esclarecer as causas do fenômeno.
O Rio Meia Ponte é um dos principais mananciais de Goiás. Com cerca de 500 quilômetros de extensão, sua bacia hidrográfica abrange uma parcela significativa da população goiana e desempenha papel importante no abastecimento de Goiânia e de outros municípios.

Saneago aponta condições do rio e estiagem
Em nota, a Saneago afirma que a formação de espuma ocorre em um trecho afastado do ponto de lançamento do efluente tratado pela Estação de Tratamento de Esgoto Dr. Hélio Seixo de Britto, em Goiânia.
Segundo a companhia, o local possui queda d’água e intenso turbilhonamento. Essas características, associadas à baixa vazão do Rio Meia Ponte durante o período de estiagem, podem favorecer a formação de espuma.
A empresa também aponta que o fenômeno pode estar relacionado à presença de compostos encontrados em detergentes, sabões e produtos de limpeza. Essas substâncias reduzem a tensão superficial da água e podem facilitar a incorporação de ar ao líquido, contribuindo para a formação da espuma.
A Saneago ressalta ainda que a estação passou por uma ampliação em 2025, quando foi inaugurada a etapa de tratamento secundário, com investimento de R$ 133,2 milhões. Segundo a companhia, a implantação do processo de lodos ativados elevou para mais de 90% o índice de remoção da carga orgânica do esgoto tratado.
A empresa afirma que a nova etapa ampliou a eficiência do tratamento e melhorou a qualidade do efluente lançado no Rio Meia Ponte.
Investigação deve apontar origem da espuma
Apesar da explicação apresentada pela Saneago, a origem da espuma ainda não foi oficialmente determinada. A Semad informou que aguarda os resultados das análises das amostras coletadas e mantém a investigação em andamento.
A apuração deverá indicar se houve alteração na qualidade da água ou algum tipo de contaminação, além de verificar uma possível relação entre o episódio e atividades ou lançamentos irregulares no curso d’água.
Nota da Semad na íntegra
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informa que, nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (14/8), encaminhou equipe técnica ao rio Meia Ponte por causa do registro de espuma em um trecho do curso d’água, com objetivo de avaliar a situação.
Fiscais utilizaram sonda multiparamétrica, para avaliação de parâmetros físico-químicos, e analisaram aspectos ambientais do rio e de suas margens. Também foram coletadas amostras de água superficial em quatro pontos do rio: na ponte da Avenida Perimetral, na ponte da Avenida Pedro Paulo, na Avenida Meia Ponte e na ponte da BR-153. As amostras foram encaminhadas ao laboratório da Semad.
A secretaria informa ainda que o trabalho de investigação permanece em andamento, com o objetivo de identificar a origem e as possíveis causas da ocorrência. A partir dos resultados laboratoriais e dos levantamentos realizados em campo, serão adotadas as providências necessárias, inclusive medidas de controle e remediação, caso sejam identificadas alterações ou fontes de contaminação.
Nota da Saneago na íntegra
A Saneago informa que a formação de espuma ocorre especificamente em um trecho afastado do ponto de lançamento do efluente tratado da Estação de Tratamento de Esgoto Dr. Hélio Seixo de Britto. Trata-se de um local caracterizado por queda d’água e intenso turbilhonamento, condições que, associadas à baixa vazão do rio no período de estiagem, favorecem a formação de espuma.
Esse fenômeno pode estar relacionado, entre outros motivos, à presença de compostos encontrados em detergentes, sabões e produtos de limpeza, que reduzem a tensão superficial da água e facilitam a mistura entre o ar e a água.
A Saneago informa, ainda, que, em 2025, foi inaugurada a etapa de tratamento secundário da Estação de Tratamento de Esgoto Dr. Hélio Seixo de Britto, em Goiânia, com investimento total de R$ 133,2 milhões. Com a implantação do processo de lodos ativados, o esgoto gerado na Capital passou a contar com uma etapa adicional de tratamento, elevando o índice de remoção de carga orgânica para mais de 90%.
A inclusão dessa etapa ampliou significativamente a eficiência da estação e a qualidade do efluente tratado lançado no Rio Meia Ponte, assegurando maior conformidade com os parâmetros aplicáveis e reforçando a proteção ambiental e a preservação do corpo hídrico.
Leia também:






