“Árvore eu consigo compensar; uma vida eu não consigo devolver”, diz presidente da AMMA sobre árvores com risco de queda no Lago das Rosas
25 maio 2026 às 19h04

COMPARTILHAR
A retirada de 48 árvores do Parque Lago das Rosas, no Setor Oeste, em Goiânia, provocou forte reação de moradores, ambientalistas e frequentadores do local. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 25, a presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA), Zilma Peixoto, afirmou que a decisão da Prefeitura de Goiânia está baseada em laudos técnicos elaborados por especialistas, e não em “achismo”. Segundo ela, parte das espécies apresenta comprometimento estrutural grave e risco iminente de queda, colocando em perigo frequentadores do parque, motoristas e até a rede elétrica da região.
“Eu não posso viver de achismo. Eu preciso ter respaldo técnico. O laudo foi elaborado por biólogos e engenheiros florestais, com critérios absolutamente técnicos e dentro da legalidade”, afirmou Zilma Peixoto. “A nossa preocupação é preservar vidas. Uma árvore eu consigo compensar. Uma vida eu não consigo devolver.”
A polêmica ganhou força após a divulgação da retirada de exemplares históricos do parque, entre eles uma paineira conhecida como “barriguda”, com mais de 80 anos, segundo a própria AMMA. De acordo com os técnicos do órgão, a árvore está oca abaixo do solo e sem sustentação adequada das raízes, podendo cair a qualquer momento. O risco preocupa a prefeitura porque o exemplar fica próximo à pista de caminhada, playground, rede elétrica e uma via movimentada.
Prefeitura defende requalificação e segurança
Durante a coletiva, Zilma reforçou que o Lago das Rosas estava há cerca de 15 anos sem receber intervenções estruturais e que a revitalização inclui melhorias urbanas, novos espaços de convivência, playgrounds, academias ao ar livre, pet place, iluminação e adequações para acessibilidade e turismo.
“A requalificação é para devolver à sociedade um ambiente protegido e seguro. Não existe retirada de árvore para simplesmente colocar equipamento. Nós temos espaços planejados e toda substituição será compensada com novos plantios”, declarou.
Segundo a presidente da AMMA, além das 48 árvores que serão substituídas, a prefeitura prevê o plantio de outras 112 mudas no parque. Ela destacou ainda que os pareceres técnicos possuem 51 páginas e analisam individualmente cada exemplar arbóreo.
“Ninguém quer retirar uma árvore dessa magnitude por vontade própria. Existe desgaste operacional, custo e impacto emocional. Mas, quando o laudo aponta risco real, o poder público precisa agir preventivamente”, disse.
Zilma afirmou ainda que a prefeitura decidiu suspender novas remoções até que o Ministério Público acompanhe o caso e seja possível ampliar o diálogo com moradores e entidades ambientais. “A obra vai continuar, mas não haverá novas retiradas até que isso seja debatido. Vamos pedir a mediação do Ministério Público para garantir transparência e segurança jurídica”, explicou.
A presidente da AMMA também rebateu críticas sobre a condução do processo e reforçou que o órgão ambiental atua respaldado por critérios científicos. “A opinião da AMMA está sustentada em conhecimento e experiência há mais de 15 anos. Eu tenho um relatório técnico detalhado e não posso tomar decisões baseadas apenas em opiniões”, pontuou.
Morador apoia retirada por questão de segurança
Morador da região e frequentador diário do parque, Leandro Carvalho de Azevedo afirmou apoiar a retirada das árvores caso os laudos técnicos comprovem os riscos apontados pela prefeitura.
“Essas árvores estão lindas por fora, mas, pelo que a prefeitura fala, estão podres por dentro e, para a segurança de todos, é melhor fazer a retirada mesmo. Quero caminhar aqui com segurança”, afirmou.

Leandro reconhece que a retirada de árvores costuma gerar forte comoção popular devido ao valor ambiental, histórico e afetivo das espécies, mas pondera que o envelhecimento natural dos exemplares também precisa ser levado em consideração.
“Eu não entendo muito dessas questões técnicas, mas, se a AMMA tem os laudos e os especialistas afirmam que essas árvores precisam ser retiradas, eu concordo”, completou.
Associação apoia revitalização, mas pede mais diálogo
Já a integrante da Associação de Moradores e Frequentadores do Lago das Rosas (Alagro), Lilia Monteiro, afirmou que a entidade é favorável à revitalização do parque, mas defende maior diálogo com a população e uma análise complementar sobre parte das árvores previstas para retirada.
“Nós já queríamos essa revitalização há muito tempo. Faz mais de oito anos que buscamos melhorias para o parque. Ficamos felizes porque alguém ouviu a associação”, afirmou.

Segundo Lilia, a associação não é contrária, de forma automática, à retirada das árvores, mas defende que haja mais esclarecimentos técnicos sobre os exemplares condenados.
“Ninguém é favorável à retirada de árvores, principalmente quando elas aparentam estar saudáveis. Mas aquelas que realmente estiverem condenadas e oferecendo risco precisam ser retiradas”, pontuou.
A integrante da Alagro explicou ainda que moradores e entidades estudam solicitar apoio técnico de universidades e do Ministério Público para realização de uma nova avaliação independente sobre parte das árvores previstas para remoção.
“A gente quer um diálogo mais aberto e a criação de um comitê técnico para discutir isso com transparência e também ajudar a acalmar os ânimos da população”, declarou.
Leia também:



