A retirada de 48 árvores do Parque Lago das Rosas, no Setor Oeste, em Goiânia, provocou forte reação de moradores, ambientalistas e frequentadores do local. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, 25, a presidente da Agência Municipal do Meio Ambiente (AMMA), Zilma Peixoto, afirmou que a decisão da Prefeitura de Goiânia está baseada em laudos técnicos elaborados por especialistas, e não em “achismo”. Segundo ela, parte das espécies apresenta comprometimento estrutural grave e risco iminente de queda, colocando em perigo frequentadores do parque, motoristas e até a rede elétrica da região.

“Eu não posso viver de achismo. Eu preciso ter respaldo técnico. O laudo foi elaborado por biólogos e engenheiros florestais, com critérios absolutamente técnicos e dentro da legalidade”, afirmou Zilma Peixoto. “A nossa preocupação é preservar vidas. Uma árvore eu consigo compensar. Uma vida eu não consigo devolver.”

A polêmica ganhou força após a divulgação da retirada de exemplares históricos do parque, entre eles uma paineira conhecida como “barriguda”, com mais de 80 anos, segundo a própria AMMA. De acordo com os técnicos do órgão, a árvore está oca abaixo do solo e sem sustentação adequada das raízes, podendo cair a qualquer momento. O risco preocupa a prefeitura porque o exemplar fica próximo à pista de caminhada, playground, rede elétrica e uma via movimentada.

Prefeitura defende requalificação e segurança

Durante a coletiva, Zilma reforçou que o Lago das Rosas estava há cerca de 15 anos sem receber intervenções estruturais e que a revitalização inclui melhorias urbanas, novos espaços de convivência, playgrounds, academias ao ar livre, pet place, iluminação e adequações para acessibilidade e turismo.

“A requalificação é para devolver à sociedade um ambiente protegido e seguro. Não existe retirada de árvore para simplesmente colocar equipamento. Nós temos espaços planejados e toda substituição será compensada com novos plantios”, declarou.

Segundo a presidente da AMMA, além das 48 árvores que serão substituídas, a prefeitura prevê o plantio de outras 112 mudas no parque. Ela destacou ainda que os pareceres técnicos possuem 51 páginas e analisam individualmente cada exemplar arbóreo.

“Ninguém quer retirar uma árvore dessa magnitude por vontade própria. Existe desgaste operacional, custo e impacto emocional. Mas, quando o laudo aponta risco real, o poder público precisa agir preventivamente”, disse.

Zilma afirmou ainda que a prefeitura decidiu suspender novas remoções até que o Ministério Público acompanhe o caso e seja possível ampliar o diálogo com moradores e entidades ambientais. “A obra vai continuar, mas não haverá novas retiradas até que isso seja debatido. Vamos pedir a mediação do Ministério Público para garantir transparência e segurança jurídica”, explicou.

A presidente da AMMA também rebateu críticas sobre a condução do processo e reforçou que o órgão ambiental atua respaldado por critérios científicos. “A opinião da AMMA está sustentada em conhecimento e experiência há mais de 15 anos. Eu tenho um relatório técnico detalhado e não posso tomar decisões baseadas apenas em opiniões”, pontuou.

Morador apoia retirada por questão de segurança

Morador da região e frequentador diário do parque, Leandro Carvalho de Azevedo afirmou apoiar a retirada das árvores caso os laudos técnicos comprovem os riscos apontados pela prefeitura.

“Essas árvores estão lindas por fora, mas, pelo que a prefeitura fala, estão podres por dentro e, para a segurança de todos, é melhor fazer a retirada mesmo. Quero caminhar aqui com segurança”, afirmou.

Leandro Carvalho ao lado da Paineira: “se os laudos confirmam que precisam ser retiradas, eu concordo” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Leandro reconhece que a retirada de árvores costuma gerar forte comoção popular devido ao valor ambiental, histórico e afetivo das espécies, mas pondera que o envelhecimento natural dos exemplares também precisa ser levado em consideração.

“Eu não entendo muito dessas questões técnicas, mas, se a AMMA tem os laudos e os especialistas afirmam que essas árvores precisam ser retiradas, eu concordo”, completou.

Associação apoia revitalização, mas pede mais diálogo

Já a integrante da Associação de Moradores e Frequentadores do Lago das Rosas (Alagro), Lilia Monteiro, afirmou que a entidade é favorável à revitalização do parque, mas defende maior diálogo com a população e uma análise complementar sobre parte das árvores previstas para retirada.

“Nós já queríamos essa revitalização há muito tempo. Faz mais de oito anos que buscamos melhorias para o parque. Ficamos felizes porque alguém ouviu a associação”, afirmou.

Lilia Monteiro: “a entidade apoia a revitalização do parque, mas defende mais diálogo” | Foto: Fábio Costa/Jornal Opção

Segundo Lilia, a associação não é contrária, de forma automática, à retirada das árvores, mas defende que haja mais esclarecimentos técnicos sobre os exemplares condenados.

“Ninguém é favorável à retirada de árvores, principalmente quando elas aparentam estar saudáveis. Mas aquelas que realmente estiverem condenadas e oferecendo risco precisam ser retiradas”, pontuou.

A integrante da Alagro explicou ainda que moradores e entidades estudam solicitar apoio técnico de universidades e do Ministério Público para realização de uma nova avaliação independente sobre parte das árvores previstas para remoção.

“A gente quer um diálogo mais aberto e a criação de um comitê técnico para discutir isso com transparência e também ajudar a acalmar os ânimos da população”, declarou.

Leia também:

Debate termina em acordo e adia novos cortes de árvores no Parque Lago das Rosas até novo laudo técnico

Parque Lago das Rosas receberá 150 novas árvores, diz Amma após retirada de espécies com risco de queda