Operação Abafa pode ser prorrogada após fogo atingir mais de 8 mil hectares em Terra Ronca; causas são investigadas
12 agosto 2026 às 17h13

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A Operação Abafa Terra Ronca, que será realizada pelo Governo de Goiás e pelo Ibama para investigar as causas dos incêndios e fiscalizar o uso irregular do fogo na região, poderá ser ampliada ou novamente mobilizada após os dias 13 e 14 de agosto.
A possibilidade de prorrogação ocorre enquanto equipes de combate ainda atuam nos incêndios que atingem a Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra Geral de Goiás e o entorno do Parque Estadual de Terra Ronca (PETeR), nos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás.
Os primeiros focos foram identificados em 10 de agosto. Um mapa do Programa de Prevenção e Combate a Incêndios, com imagem de satélite de 11 de agosto, aponta 6.812 hectares de área queimada confirmada e outros 1.317 hectares classificados como área preliminar. Somadas, as duas áreas chegam a 8.129 hectares. O levantamento também registra focos de incêndio nas últimas 24 horas.
A estimativa é superior aos 8 mil hectares inicialmente informados pelos órgãos ambientais. O mapa mostra ainda áreas atingidas próximas aos limites do Parque Estadual de Terra Ronca, embora o documento não permita afirmar que toda a área queimada esteja dentro da unidade de conservação.
Nesta quarta-feira, 12, cerca de 40 bombeiros militares e brigadistas florestais estavam mobilizados diretamente no combate aos incêndios. As equipes realizam ações de combate direto e indireto às chamas, monitoramento, reconhecimento das áreas atingidas, elaboração de estratégias de contenção e proteção de pontos considerados ambientalmente sensíveis.
A força-tarefa reúne a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) e o Ibama. A Operação Abafa Terra Ronca foi programada inicialmente para os dias 13 e 14 de agosto.
O próprio governo informa, entretanto, que a ação poderá ser ampliada ou novamente mobilizada conforme a evolução dos incêndios e a necessidade de reforçar a fiscalização. A operação terá como foco a identificação das possíveis origens das queimadas, a fiscalização de práticas ilegais relacionadas ao uso do fogo e a responsabilização de eventuais autores de crimes ambientais.
As equipes devem atuar em áreas prioritárias, com fiscalização e patrulhamento terrestre apoiados por imagens de satélite. A estratégia é concentrar os trabalhos em locais com focos ativos, recorrência de incêndios ou indícios de uso irregular do fogo. Levantamentos preliminares indicam que alguns focos podem ter se originado na Bahia e avançado em direção a Goiás. A origem dos incêndios ainda é objeto de investigação.
Assim, a continuidade da Operação Abafa dependerá do cenário encontrado pelas equipes nos dois primeiros dias e da necessidade de novas ações de fiscalização. O incêndio na região de Terra Ronca ocorre em um período de elevada incidência de queimadas em Goiás. Segundo o Corpo de Bombeiros, a corporação já atendeu quase 5 mil ocorrências de incêndios florestais em 2026.
Dados do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ) indicam que mais de 100 mil hectares já foram atingidos pelo fogo no Estado neste ano. A combinação de estiagem, temperaturas elevadas, baixa umidade relativa do ar, redução das chuvas e grande quantidade de vegetação seca favorece a rápida propagação das chamas e dificulta o trabalho das equipes.
Segundo a Semad, o cenário climático enfrentado por Goiás em 2026 é agravado pela influência de um “super El Niño”, associada ao período de estiagem. A combinação de fatores aumenta o risco de incêndios e pode fazer com que focos inicialmente pequenos avancem rapidamente. Além dos danos à vegetação, os incêndios podem ameaçar unidades de conservação, propriedades rurais, comunidades, recursos hídricos, fauna e flora.
Parque tem 57 mil hectares
O Parque Estadual de Terra Ronca possui aproximadamente 57 mil hectares e abriga um dos mais importantes patrimônios espeleológicos do país. A unidade também protege áreas relevantes para a conservação da fauna, flora, recursos hídricos e demais ecossistemas do Cerrado.
O mapa elaborado pelo Programa de Prevenção e Combate a Incêndios mostra a extensão das áreas atingidas em relação aos limites da unidade de conservação. A representação cartográfica diferencia a área de 6.812 hectares já confirmada da faixa de 1.317 hectares ainda classificada como preliminar.
Desde 24 de julho está em vigor o Decreto Estadual nº 10.962/2026, que declarou situação de emergência ambiental em Goiás devido ao período de estiagem e ao elevado risco de ocorrência e propagação de incêndios florestais. O decreto proíbe o uso do fogo para limpeza de solo durante o período de emergência.
A legislação também prevê punições para quem provocar incêndios. O artigo 41 da Lei Federal nº 9.605/1998 estabelece pena de reclusão de dois a quatro anos e multa para quem provocar incêndio em mata ou floresta. Quando o incêndio ocorre de forma culposa, ou seja, sem intenção, também pode haver responsabilização penal, com previsão de detenção de seis meses a um ano e multa, além de possíveis sanções administrativas e da obrigação de reparar os danos ambientais.
Enquanto a Operação Abafa se concentra na investigação e fiscalização, as equipes de bombeiros e brigadistas permanecem mobilizadas para o combate aos incêndios. O governo estadual informa que serão disponibilizados equipamentos, viaturas, alimentação, comunicação e apoio logístico para os profissionais envolvidos na operação.
A prioridade das equipes de combate é conter as chamas e proteger áreas ambientalmente sensíveis. Paralelamente, a fiscalização buscará esclarecer a origem dos incêndios e verificar se houve uso irregular do fogo. Com os incêndios ainda em evolução e mais de 8 mil hectares entre áreas confirmadas e preliminares no levantamento, a duração da Operação Abafa não está limitada aos dois dias inicialmente previstos.
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