“Visão do prefeito de Palmas é prefeitura rica e povo pobre”

Candidato à reeleição na capital, o vereador do Pros afirma que aliança de seu partido com Claudia Lelis é por esperança de dias melhores para os palmenses

Foto: Divulgação

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Dock Júnior

José Luiz Pereira Júnior, o Professor Júnior Geo (Pros) é tocantinense de Porto Nacional. Graduado em Geografia pela Universidade de Brasília (UnB) e pós-graduado em Desenvolvimento sustentável pela Universidade Federal de Lavras (MG). É professor em diversos estabelecimentos de ensino e cursos preparatórios solidários, além de exercer cargo efetivo no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFTO). Júnior Geo foi eleito vereador em Palmas em 2012 e registrou candidatura à reeleição para o pleito deste ano.

Crítico ferrenho do prefeito Carlos Amastha, desde o primeiro dia de mandato, aqui ele fala sobre a gestão do chefe do poder executivo municipal, suas perspectivas para as próximas eleições, coligações e alianças e sua atuação parlamentar.

O sr. registrou sua candidatura à reeleição a vereador em Palmas pelo Pros. Quais são suas perspectivas sobre o pleito?
Sim, candidatura foi registrada e estamos participando da coligação com PRB, Rede, PMB e Pros. Serão 29 candidatos nessa chapa. As perspectivas são excelentes. Tenho um bom trabalho prestado à sociedade e confio que ela saberá reconhecer, através do voto.

Antes da eleição de 2012, o meu leque de convívio e amizades estava associado direta ou indiretamente à educação ou por laços familiares. A partir da minha atuação parlamentar, defendendo aquilo que eu considero melhor e justo para a sociedade, creio que muitas pessoas se viram representadas na Câmara Municipal e isso me trouxe mais eleitores, e por consequência, mais responsabilidade. Eu tentei fazer por elas o que eu sempre quis que os políticos fizessem por mim, enquanto cidadão.

Sempre fiz política com os pés nos chão e não faço investimentos financeiros de grande monta. Primeiro porque não os possuo, e segundo porque o meu eleitorado vai me questionar onde arrumei recursos ou como pretendo pagar. Essas políticas arcaicas de grandes contratações de pessoal, de fornecimento de combustíveis, que apesar de ilegais são corriqueiras, estão ultrapassadas. A sociedade precisa se conscientizar do que pode e o que não pode ser feito numa eleição, entender as regras, mesmo porque voto não tem preço, voto tem consequência.

Posto isso, qual o custo e as consequências das eleições de 2012 em Palmas?
Aumento significativo do IPTU e do transporte coletivo, cobranças indevidas no estacionamento rotativo, fruto de contratação direcionada sem processo licitatório, uma educação esfacelada visto que o plano de ações e metas não está sendo cumprida pelo Executivo. Então, eu questiono: quanto custou o voto? Valeu a pena mesmo para um cidadão palmense se sujeitar a receber algum valor ou benefício em troca de ser governado por uma máquina arrecadatória? Estou convicto que ­É saquear o máximo os parcos recursos que a sociedade possui, se esquecendo que ela é que deve estar bem e não os cofres municipais.

Não há política social de verdade nesta gestão, há sim muita mídia. Alegam que a frota de ônibus é climatizada, mas não é verdade, pouco são. Alegam que os ônibus estão adaptados para pessoas com deficiência, contudo, isso também não ocorre. Para constatar isso, basta ficar numa estação por 30 minutos. É muita propaganda para poucos benefícios sociais.

Dentro desse aspecto, seu partido firmou aliança com o PRB e pretendia apoiar Fabiano Parafusos a prefeito de Palmas. Como o sr. viu a desistência do pré-candidato daquela sigla na chapa majoritária?
Do meu ponto de vista, era um excelente candidato. A sociedade esperava um candidato com o perfil e características semelhantes às que o Fabiano apresentava. Porém, a campanha pra prefeito de Palmas costuma alcançar um nível de gastos estratosféricos. Penso que ele tentou até o último momento viabilizar a candidatura, contudo, não conseguiu montar a estrutura necessária para tanto. Nestas circunstâncias, considero a decisão extremamente sensata, porque o recuo em tempo hábil permitiu que os pré-candidatos que se encontravam na coligação pudessem buscar outro espaço para disputar a eleição.

Após a desistência do candidato do PRB, o sr. e o seu partido declararam apoio à chapa capitaneada por Claudia Lelis. Por que essa opção?
Na realidade não foi apenas meu partido. A nossa coligação proporcional decidiu coletivamente por apoiar a eleição da vice-governadora Claudia à prefeitura de Palmas. Acreditamos que o grupo político que tinha maior proximidade com o pensamento dos partidos componentes daquela aliança era o da Claudia. Ela, inclusive, já havia conversado previamente com o PRB e com o próprio Fabiano para que ele fosse candidato a vice-prefeito naquela chapa. De uma forma geral a aliança foi satisfatória para todos os candidatos e a migração se deu de forma unânime. Após isso, o SD — que tinha a pretensão de lançar Wanderlei Barbosa ao Paço Municipal — também optou por apoiar Claudia Lelis, contudo, eles participam de outra coligação formada por PV/PMDB e SD.

"nossa Câmara de Vereadores é uma das mais caras do país, por conta da falta de prédio próprio” | Foto: Divulgação

“Nossa Câmara de Vereadores é uma das mais caras do país, por conta da falta de prédio próprio” | Foto: Divulgação

É sabido e notório o seu oposicionismo ao prefeito Carlos Amastha, mesmo porque já são mais de três anos e meio questionando as atitudes do gestor no parlamento. Se hipoteticamente Claudia Lelis fosse eleita, quais as efetivas mudanças que o sr. pressupõe que ocorreriam na Prefeitura de Palmas.
O que foi conversado e compromissado inicialmente com a Claudia é que ela vai fazer o que é certo. Não promover, a não ser em casos excepcionais, o aumento de impostos, por exemplo. Além disso, promover estudos com a finalidade de reduzir os porcentuais atualmente praticados e também a necessidade e os valores das taxas criadas pela atual gestão. Ela se comprometeu também a atuar com respeito no que concerne a direitos dos servidores públicos, como data-base e progressões, que o prefeito não vem cumprindo. Também faz parte dessa bandeira lutar por concursos públicos e efetivação de servidores que se submeterem e obtiverem êxito nos certames.

Outro problema que precisa ser resolvido, alvo de muitas críticas, é o fato da nossa Câmara de Vereadores ser uma das mais caras do país, por conta da falta de prédio próprio. Mas a casa legislativa não tem autonomia para construir uma sede, uma vez que necessita do aval do executivo. Um acordo com a atual gestão foi entabulado para que emendas parlamentares fossem destinadas à reforma, adequação e ampliação do prédio onde funcionava anteriormente a Prefeitura de Palmas, localizado no Paço Municipal. Foram quase R$ 1 milhão em emendas dos vereadores para essas adequações, todavia, o prefeito não executou as reformas, impossibilitando que a Câmara Municipal saísse do aluguel.

A candidata Claudia Lelis fez o compromisso de resolver essa e outras questões. Tenho expectativas de que a forma de gerir os recursos públicos da capital serão drasticamente modificados. Há esperança que dias melhores virão e é por isso que vamos às urnas.

Quanto ao concurso público a ser realizado pela Câmara Municipal, visto que o último certame foi em 1995 e há mais comissionados hoje que concursados, o sr. é um dos membros da comissão que visa resolver esse problema. Quais os avanços após a formação dessa comissão?
Sim, faço parte desta comissão e logo após a criação dela, enviamos ofícios à Diretoria Geral e à Diretoria de Recursos Humanos. Eles responderam de pronto, enviando-nos uma lista dos servidores concursados e também dos comissionados. Após isso, solicitei à presidência para que estude a possibilidade de inserir nesta comissão a Diretoria Legislativa e a Diretoria de Recursos Humanos. Eles possuem um levantamento de quais cargos devem ser providos por concurso público, quantos cargos, valores e remunerações que poderiam agilizar a realização do concurso. É necessário e urgente que o provimento destes cargos seja feito por servidores concursados e qualificados para que possam desempenhar um bom trabalho para a Câmara e para a sociedade como um todo.

No que concerne à educação municipal, os servidores encontram-se em estado de greve e se até o dia 3 de setembro o prefeito Amastha não negociar com a categoria, haverá paralisação geral. Partindo do principio que o sr. é um representante da classe no parlamento, já que sua profissão é professor, como avalia essa situação?
A possibilidade de greve futura, infelizmente, é uma realidade, um mal necessário. Isso só ocorre quando não há respeito por parte da gestão com a educação. Se a data designada não houver acertos para pagamentos dos compromissos firmados pelo prefeito – ainda na greve anterior – a greve será deflagrada. Quase que a totalidade dos pactos que o Executivo fez àquela época, visando encerrar aquele movimento paredista, não foram cumpridos. Eleições de diretores, pagamento de gratificações, titularidades, prazos, etc., nada disso foi cumprido. O desrespeito à educação, aos educadores, aos alunos e à sociedade como um todo é uma marca da atual gestão. Na última greve ele utilizou recursos midiáticos para colocar a população contra os educadores. Foi uma forma covarde de fazer uso do recurso público para impor a pecha e uma imagem negativa aos educadores, que, a bem da verdade, são aqueles que mais lutam pela evolução da sociedade.

Outra polêmica é a pauta trancada por mais de 90 dias na Câmara de Vereadores, por ordem do prefeito Amastha. O problema das vagas nas comissões já foi efetivamente resolvido?
As comissões foram revistas conforme determinação judicial. Na minha opinião a decisão fere completamente o regimento interno da Câmara Municipal e por isso houve interferência de um poder sobre o outro, no caso, Judiciário sobre o Legislativo. Todavia, como a ordem veio de uma autoridade judicial, foi acatada até que o mérito da questão seja revisto. Por isso, creio que a pauta será destrancada na próxima semana. O que eu vejo de problemático é essa subserviência dos vereadores da base ao prefeito. Não deveria acontecer. Eles deveriam ser independentes e votar com seriedade os projetos de lei, não se submetendo às vontades e interesses do prefeito. A sociedade espera um posicionamento diferente tanto do Legislativo, quanto do Executivo. l

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