“Meu mandato não será de oposição nem situação, mas, sim, voltado para atender a população”

Ex-vice-governadora afirma que terá uma postura independente na Assembleia Legilsativa

Cláudia Lelis | Foto: Divulgação

No domingo, 7, Cláudia Lelis (PV) foi eleita para o cargo de deputada estadual. Graduada em Publicidade, a ex-vice-governadora é presidente regional do PV e, sob seu comando, a sigla cresceu no Estado do Tocantins. Para a nova parlamentar, é necessário fortalecer as candidaturas femininas nas próximas eleições. Ela se coloca como defensora das causas sociais e ambientais, além de ativista na luta pelo desenvolvimento social e econômico aliado à preservação ambiental. Na Assembleia Legislativa, promete ser rígida na fiscalização dos gastos públicos e apresentar e apoiar projetos que tratem da redução da carga tributária, fortalecimento da indústria e do comércio, gerando emprego e renda.

Dock Júnior – É complemente diferente quando uma pessoa assume um mandado parlamentar sem experiência anterior das vezes em que o eleito conhece e sabe como é a tramitação e os meandros do meio político. Pode-se dizer que sua experiência na vida pública vai ser um fator preponderante para o exercício do mandato como deputada estadual?

Cláudia Lelis – Disse e reiterei durante toda a campanha e nas mais diversas reuniões que não caí de paraquedas na política. Tenho uma história de serviços prestados a Palmas e ao Tocantins, quer seja como assessora do meu esposo Marcello Lelis, que foi vereador da capital e, posteriormente, deputado estadual, quer seja como vice-governadora. Tive constantes e relevantes aprendizados. É uma construção que se faz ao longo do tempo, mas, principalmente, são experiências ímpares que contribuíram nessa caminhada até a Assembleia Legislativa e que, certamente, farão diferença no exercício do mandato.

Na condição de vice-governadora, tive a oportunidade de conhecer várias regiões do Estado, muitos municípios, os problemas das etnias indígenas e quilombolas e as demandas dos ribeirinhos, além de ter militado incessantemente no combate à violência contra a mulher e também no combate às drogas. Com o apoio de várias instituições e da sociedade civil organizada, fiz contribuições à população tocantinense, dentro das limitações da vice-governadoria. Conheço, portanto, os problemas dessa gente e tenho experiência para contribuir com a melhoria da qualidade de vida do nosso povo agora como deputada estadual.

Em relação ao PV, sigla da qual a sra. é uma das dirigentes no Tocantins, houve um significativo crescimento, uma vez que não possuía nenhum deputado estadual. Mas, a partir de 2019, contará com dois [Issam Saado, além da própria Cláudia Lelis]. Como avalia esse crescimento?

Sem dúvidas, de forma muito positiva, o partido sai fortalecido desta eleição. Nossa representatividade se estendeu por Palmas, pela região sudeste, Araguaína e o bico do papagaio. Temos condições de fazer um bom trabalho, de forma alinhada e conjunta com o deputado Issam, atendendo às demandas da nossa população. O partido está bem-estruturado no Estado do Tocantins, uma vez que contamos com 12 prefeitos, governando os municípios de Abreulândia, Buriti do Tocantins, Cariri do Tocantins, Combinado, Dois Irmãos do Tocantins, Ponte Alta do Bom Jesus, Porto Nacional, Recursolândia, Rio dos Bois, Santa Tereza do Tocantins, Taguatinga e Natividade. Nossa base é, portanto, muito forte.

Em relação à campanha eleitoral de 2018, certamente houve aprendizados, alegrias e decepções. Qual o balanço que a sra. faz da corrida eleitoral e como recebeu, particularmente, sua votação em Palmas?

Cada campanha é única. Contudo, ao final desta de 2018, me sinto honrada por cada voto recebido e agradecida a cada eleitor que confiou em mim. Disse durante toda essa caminhada que não importa se a reunião tem dez ou cem pessoas. O importante era levar a minha mensagem e apresentar as propostas. Estou realizada e feliz e pretendo fazer um mandato participativo e popular, aberto para discussões com a população, disposta a ouvir as demandas e, sobretudo, ser transparente na destinação de emendas a cada um dos municípios, dos distritos, das regiões e comunidades.

Quais são os eixos básicos que conduzirão seu mandato de deputada?

Primordialmente, precisamos encontrar soluções para diminuir a pesada carga tributária do nosso Estado, uma vez que, ao incentivarmos os empresários, estaremos gerando emprego e renda para a população e isso é um fator preponderante, porque quanto mais pessoas empregadas menor é o risco de haver criminalidade. Muitos vão para o crime por falta de emprego e o­portunidades. Trata-se um problema so­cial. Fortalecer o comércio e a in­dústria, portanto, é contribuir com o desenvolvimento do nosso Estado.

O segundo eixo que conduzirá o mandato será a fiscalização dos gastos públicos. Vivemos, atualmente, uma situação financeira extremamente delicada. A palavra de ordem é economia e austeridade, de tal forma que possamos avançar novamente e crescer economicamente. Vou começar dando o exemplo, renunciando, no primeiro ato, ao auxílio-moradia, porque considero injusto que um deputado receba tal gratificação, considerando o elevado salário que se percebe mensalmente.

A terceira linha de atuação será lutar pela defesa dos interesses do gênero feminino, como a igualdade de oportunidades, a implantação de políticas públicas voltadas para a ocupação do espaço no mercado de trabalho e, por fim, o combate à violência contra as mulheres.

Especificamente sobre a discussão de gênero, a participação das mu­lheres na política ainda é muito tímida e neste pleito o crescimento da bancada de deputadas foi ínfimo. Como incentivar a população feminina a participar mais da política?

Não foi de todo ruim. Au­men­tou o número de quatro deputadas estaduais para cinco a partir de 2019. A luta continua e, em 2020, haverá uma nova eleição municipal. Vou ser incansável nessa luta, porque precisamos que as mulheres assumam esse papel, ocupem espaços e tornem a política mais igualitária. Preguei isso em todas as reuniões políticas. Precisamos fortalecer as mulheres, engajando-as no processo político. Esses 30% exigidos pela legislação devem se transformar em candidaturas efetivas, competitivas e vitoriosas. Não se pode limitar a cumprir a cota sem qualquer chance. As mulheres precisam começar a pensar em votar em mulheres e esse pensamento está tomando corpo. O objetivo é fortalecê-las e aumentar também o número de prefeitas, vice-prefeitas, vereadoras e, por fim, o número de candidaturas femininas competitivas. Em 2020, garanto teremos agradáveis surpresas no que diz respeito a esse tema.

A sra. enfrentou algum tipo de resistência por ter sua imagem ligada ao ex-governador Marcelo Miranda e a cassação ocorrida em abril deste ano?

Em nenhum momento isto foi abordado ou discutido durante a campanha. Antes do registro da candidatura, houve questionamentos sobre a minha elegibilidade, mas eu estava confiante e amparada juridicamente que poderia ser candidata. A postulação era legítima e eu jamais teria colocado meu nome em uma disputa eleitoral se não houvesse a certeza de que não teria problemas jurídicos. Em uma campanha eleitoral, a segurança jurídica é essencial e o parecer do MPE [Ministério Público Eleitoral], que culminou com deferimento da candidatura sem ressalvas pelo TRE-TO, provam essas assertivas.

Considerando que o governador Mau­ro Carlesse, ao assumir a gestão após a cassação de Marcelo Mi­ran­da, criticou a forma como o governo do qual a sra. fazia parte era conduzido, criou-se a expectativa de que, ao assumir uma cadeira no parlamento, a sra. fará oposição ferrenha ao governador reeleito. Essa informação procede?

Logicamente que não. São apenas conversas de bastidores. Meu mandato não será de oposição nem situação, mas sim voltado para atender a população. Não se trata de discurso demagógico, e sim realista. Desde o início, defendi que a minha missão no parlamento seria defender os interesses do povo. Se os projetos do governo estadual forem bons e relevantes para a população, votarei a favor. Se eu entender que não, votarei contra, pois, se não é bom para o povo, também não é bom pa­ra mim. A postura é de independência, mesmo porque o patrão dos políticos não é o governo, e sim as pessoas. Somente a elas devemos satisfações.

“Se os projetos do governo forem relevantes para a população, votarei a favor. Se eu entender que não, votarei contra, pois, se não
é bom para o povo, também não é bom pa­ra mim”, afirma Lelis

Qual é a sua avaliação sobre a se­gun­da derrota sofrida em 2018 pelo ex-­prefeito de Palmas Carlos Amas­tha, que tentou se eleger governador nas eleições suplementar e ordinária?

Entendo que cada político detentor de mandato tem oportunidades ímpares de mostrar seu trabalho e seu valor. Inde­pendente das críticas, ele deve fazer o dever de casa e cumprir o seu papel. Se assim o fizer, o político certamente quebrará essa resistência dos grupos e militantes adversários. Contudo, se o trabalho não for bem feito, a colheita é árdua.

No caso específico de Amas­tha, historicamente houve políticos que tiveram robustas aprova­ções após um determinado mandato e, posteriormente, gestões reprováveis no seguinte. Ele não é o primeiro. Talvez em 2016 a população reconheceu que ele fez uma boa gestão, mas, após sua renúncia, os cidadãos de Palmas acharam que o segundo mandato não foi tão positivo ou não tenha sido tão bom assim. As coisas mudam de eleição para eleição. Não é uma matemática exata. Em 2018, tanto a população da capital quanto a do Estado como um todo não quis elegê-lo. É o retrato do momento. O resultado das urnas deve ser respeitado e cabe a ele fazer suas próprias reflexões acerca de suas condutas.

Qual é o paralelo que a sra. faz en­tre o gosto amargo da derrota de 2016 e a posterior cassação do governador Marcelo Miranda com o doce sabor da vitória de 2018?

Tudo que eu faço é com muita intensidade, luta e fé. Em 2016, eu fui candidata a prefeita de Palmas porque acreditava e ainda acredito que é possível gerir melhor a cidade. Ser gestor da nossa capital é muito mais do que embelezá-la ou construir obras, porque uma cidade não é feita apenas de concreto, e sim de pessoas. É necessário cuidar da população, oferecendo oportunidades, capacitação, saúde e ensino de qualidade. Acredito que se faz política gerando oportunidade para as pessoas, de tal forma que a qualidade de vida delas melhore. Reitero que pessoas empregadas resultam em diminuição da violência doméstica e do consumo de drogas.

Em 2018, veio a recompensa pelo trabalho. Agradeço muito a Deus e ao povo do Tocantins pela votação e especialmente pela confiança. Fiz uma campanha pé no chão, com suor, saliva e sola de sapato. Quero reiterar o compromisso com a população to­cantinense e dizer que vou honrar cada dos votos recebidos ao longo dos próximos quatro anos.

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