“A implementação do auxílio-emergencial para classe artística é essencial para a sobrevivência da classe”

Deputada Estadual Cláudia Lelis (PV) fala ao Jornal Opção sobre enfrentamento à pandemia e seus projetos políticos

Cláudia Lelis (PV) foi eleita, em 2018, para o cargo de deputada estadual. Graduada em Publicidade, a ex-vice-governadora é presidente regional do PV e, sob seu comando, a sigla cresceu no Estado do Tocantins. Defensora das causas sociais e ambientais, além de ativista na luta pelo desenvolvimento social e econômico aliado à preservação ambiental, a deputada tem como bandeira a defesa – indiscutível – das mulheres e seu empoderamento, como também tem lutado pela redução da carga tributária, fortalecimento da indústria e do comércio, gerando emprego e renda.

Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção – Tocantins, a parlamentar fala sobre  enfrentamento à pandemia, direcionamento de emendas, como também sobre os projetos de relevância do seu mandado.

Mesmo em tempos de pandemia e a Assembleia Legislativa fechada para sessões presenciais, o trabalho dos parlamentares não para. Como a Sra. tem feito para desenvolver suas atividades, mesmo num período tão complicado?
Na verdade, mesmo diante de todos os problemas tenho tentado dar minha contribuição. Respeitando todos os protocolos de segurança, tenho articulado e reunido – principalmente com o Secretário e sub-secretário da saúde – visando encontrar soluções no sentido de ajudar a população. Tenho destinado emendas parlamentares para esse fim e redirecionado outras, porque o momento exige tal postura. Além disso, fui plenamente a favor da renovação do estado de calamidade pública nos municípios, permitindo  que eles possam combater a pandemia, sem engessamentos. 

A destinação e redirecionamento de emendas para o combate à pandemia certamente foi importante, mas inviabilizou outros projetos. Como lidar com essas questões?
As minhas emendas são praticamente ligadas à saúde, na proteção da mulher, além de questões sociais, como distribuição de cestas básicas. Tenho um projeto, que trata de saúde pública, que é castração de animais domésticos que vivem na rua, como cães e gatos. Depois da Covid-19, a vacinação anti-rábica é uma das mais que requisitam doses, o que significa que essa questão é muito importante.

Além disso, tenho preocupação com a crescente elevação na utilização de drogas. É uma preocupação constante porque a saúde mental das pessoas é comprometida. Estamos colocando emendas parlamentares para combater, nos municípios, as drogas. Isso é mais do que necessário, porque também é uma questão de saúde pública.

E o seu posicionamento quanto à vacinação?
Todas as medidas adotadas pelas esferas de governo são importantes, como a abertura de novos leitos de UTI, testes rápidos, entre outros, são muito importantes. Entretanto, acredito que solução definitiva é vacina. Tenho debatido com a equipe do governo e creio que essa força-tarefa dos governadores da região norte, visando a compra de imunizantes é importantíssima. Precisamos vacinar o maior número de pessoas possível, em menor espaço de tempo, pois só assim colocaremos fim à pandemia. 

A Sra. estendeu sua base eleitoral, deixando de ser apenas a capital e a região central do Estado do Tocantins?
Sim, ampliei também essa atuação, muito fortemente, para a região sudeste do Estado. Obtive expressiva votação na cidade de Taguatinga e municípios circunvizinhos, como Natividade, Aurora e Combinado. Podemos notar que anteriormente tivemos forte representatividade na Assembleia Legislativa, contudo, atualmente, não há nenhum deputado originalmente daquela região. Por isso, assumi esse compromisso com aquela comunidade, muito importante para o Estado, mas ao mesmo tempo, muito carente. 

Especificamente na capital Palmas, sua origem política, como a Sra. viu a condução da pandemia pela atual gestora?
Penso que houve uma falta de planejamento. Já estamos há um ano e pandemia e sinto que subestimaram a pandemia, achando que ela seria passageira e nem tampouco que haveria novas ondas. O momento é muito delicado, não apenas em Palmas, mas também em todo o Brasil. Todavia, em que pese o momento ser muito delicado, creio que algumas medidas poderiam ter sido tomadas, como ampliação da frota do transporte coletivo, por exemplo, evitando aglomerações nas viagens urbanas. Não houve fiscalização quanto a isso e, aqueles que prestam serviços essenciais e utilizam o transporte coletivo, lotam as estações e os próprios veículos. Por isso, acho que faltou planejamento e diálogo com o parlamento, com os representantes do comércio e, também, com a própria população. 

Vivemos um momento extremamente complicado e nós, enquanto representantes eleitos pelo povo, temos que saber dialogar, encontrar soluções e não apenas impor nossas vontades. 

Falando nessa crise, tornou-se também um fardo para a população arcar com os impostos, já que muitos estão impedidos de trabalhar…
Tenho essa sensibilidade. Procurei o Secretário de Estado da Fazenda para discutirmos, no mínimo, a isenção de multas e taxas incidentes sobre os impostos. Também é necessário um REFIS, porque empresários impedidos de abrirem seus comércios estão sofrendo para arcar com suas obrigações. Precisamos que os governos, federal, estadual e municipal estendam a mão nesse momento. É preciso reconhecer o esforço do governo estadual no que concerne à distribuição de cestas básicas à população, uma vez que é fato notório que tem muita gente passando por fome e necessidades. 

E quanto ao novo auxílio emergencial?
Muito importante para todos os brasileiros, sem dúvidas. Mas foi aprovado pelo senado federal, nesta ultima semana, a prorrogação dos efeitos da Lei Aldir Blanc, que trouxe socorro financeiro no ano passado a cerca de 700 mil trabalhadores do setor cultural em todo o Brasil. Isso possibilita que as secretarias municipais de Cultura tenham autonomia para reabrir editais, chamadas públicas, prêmios, aquisição de bens e serviços vinculados ao setor cultural.

Precisamos preservar a cultura, a arte, e para isso é necessário valorizar quem dedica a vida a esse tipo de trabalho. Por isso, propus em âmbito estadual um auxilio emergencial denominado “Renda Tocantins”, justamente para esses profissionais da área cultural e eventos que não podem trabalhar na pandemia. A grande maioria dos deputados estaduais querem subscrever o projeto, porque compreenderam a importância dele e, não tenho dúvidas, que será aprovado em plenário. 

Seria interessante que a Sra. discorresse sobre suas preocupações, enquanto parlamentar, no que concerne à saúde das mulheres…
Essa é uma bandeira do mandato: a valorização das mulheres. É uma luta que assumi desde quando era vice-governadora do Estado do Tocantins. No dia 09/03, um dia após o dia internacional delas, fiz pronunciamento na Assembleia Legislativa sobre o Projeto de Lei que vai beneficiá-las, criando o movimento lilás, dedicando o mês à prevenção do colo de útero. Muitas mulheres não fazem esse exame por falta de recursos ou orientação e, por isso, estou destinando emenda parlamentar – na ordem de R$ 300 mil – para que possamos fazer mutirão de exames de colo de útero em alguns municípios tocantinenses. Vamos ter a alegria, em algumas cidades, de zerar essa fila. A demanda é muito grande, pois são mais 50 mil mulheres esperando esse exame, em todo Estado do Tocantins. Se detectado no início, a chance de cura chega a 80%. É tão importante e interessante que muitos colegas deputados também querem aderir e destinar emendas, beneficiando outros municípios. 

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