Superbactérias foram identificadas em rios que abastecem Anápolis e Goiânia, segundo pesquisa de doutorado desenvolvida na Universidade Estadual de Goiás (UEG) e reconhecida como a melhor do país em Ciências Ambientais no Prêmio Capes de Tese 2025. O estudo, conduzido por Igor Romeiro, detectou a presença da bactéria multirresistente a Staphylococcus aureus, que é persistente a três classes de antibióticos.

A análise foi realizada em estações de tratamento de esgoto, e não na água destinada ao consumo humano. De acordo com o pesquisador, o objetivo foi avaliar a qualidade dos corpos d’água do Cerrado goiano e os riscos associados à disseminação de microrganismos resistentes no ambiente.

Mas o potencial de transmissão ainda existe por outros vetores. O pesquisador explica que “Uma transmissão ambiental, por exemplo. Os animais que vão utilizar essa água vão se contaminar com esses micro-organismos, que vão levar para outros, que pode levar para a população. Outra forma, é a recreação, quando a população utiliza o rio para banhos, pode levar esses micro-organismos para a comunidade”.

O estudioso também diz que, além da água, eles também analisaram o ar “Nós tentamos isolar do ar esses microrganismos, e conseguimos. Então, significa que, por exemplo, os trabalhadores da estação tratamento de esgoto poderiam estar expostos”.

Sobre a capacidade de tratamento, ele afirma que são necessárias tecnologias avançadas para realizar a remoção destes microrganismos. “Eu sei que a estação de tratamento está em construção para fazer uma análise microbiológica, até o momento essa construção ainda não saiu, eu sei que está em construção”, explica.

O pesquisador ressalta que é importante o controle do descarte de medicamentos, para evitar que antibióticos vencidos, ou não utilizados sejam jogado no lixo, ou no vaso sanitário pela população. “Implementar programas de coleta de medicamentos em farmácias que já existem e também em unidades de saúde para o descarte correto desses antimicrobianos e não serem descartados no lixo comum nas residências”, diz.

Além de combater a automedicação e a prescrição desnecessária que já são problemas identificados, também há o uso na pecuária. O pesquisador explicou que “Na produção animal, visto que nós conseguimos detectar antimicrobianos também próximo da foz. Então, isso aí estaria relacionado à utilização desses antimicrobianos na produção animal, já que nesses dois pontos, que é em Brasabrantes e Cachoeira Dourada, próximos à foz do Rio Meia Ponte, há uma intensa pecuária lá”.

Dessa forma, o pesquisador recomendou a fiscalização constante e destacou que a UEG e a SEMAD estão no processo para realizar uma parceria para que a secretaria utilize as análises da universidade. “Provavelmente essa parceria sai esse ano, foi uma parceria firmada ano passado e acredito que vai ter uma parceria entre a UEG e a SEMAD, complementando as análises da SEMAD”.

Leia mais: Avanço das superbactérias já configura cenário epidêmico, alerta infectologista