A hipertensão arterial pode se desenvolver por anos sem sintomas aparentes e causar lesões progressivas em órgãos como coração, rins, cérebro e vasos sanguíneos. Especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento regular, já que a doença é considerada um dos principais fatores de risco para infarto e AVC. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 30% da população brasileira convive com o problema.

Ao Jornal Opção, o cardiologista Henrique M. de Souza, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a ausência de sintomas dificulta o diagnóstico precoce e favorece o avanço da doença.

“A hipertensão arterial, na maioria dos casos, evolui de forma assintomática porque o organismo se adapta gradualmente aos níveis elevados de pressão. Mesmo sem sintomas, ela já pode estar causando lesões progressivas nos vasos sanguíneos e em órgãos-alvo”, afirma.

Conhecida como “inimiga silenciosa”, a hipertensão resulta da combinação entre predisposição genética e hábitos de vida inadequados. Entre os principais fatores de risco estão consumo excessivo de sal, alimentação rica em ultraprocessados, sedentarismo, sobrepeso, obesidade, estresse crônico e sono de má qualidade.

O envelhecimento da população e doenças metabólicas, como diabetes e resistência à insulina, também contribuem para o aumento dos casos. “O problema é que esses fatores se acumulam de forma silenciosa ao longo da vida, sem provocar sinais claros no início”, destaca o médico.

Mesmo sem desconforto aparente, a pressão alta pode comprometer o funcionamento do organismo de maneira gradual. O endurecimento das artérias e a sobrecarga do coração evoluem lentamente, enquanto rins e cérebro sofrem impactos contínuos.

Por isso, o monitoramento regular da pressão arterial é considerado essencial, inclusive para quem se sente saudável. Segundo o especialista, medir a pressão apenas quando surgem sintomas pode gerar falsa sensação de segurança.

“Aferir a pressão apenas diante de algum mal-estar pode mascarar o problema. Dor, estresse e até alterações intestinais podem elevar temporariamente a pressão sem refletir o padrão real do paciente”, explica.

A recomendação geral é que pessoas sem fatores de risco façam a aferição ao menos uma vez por ano. Já indivíduos com obesidade, diabetes, histórico familiar ou outras condições associadas devem manter acompanhamento mais frequente.

Quando não controlada, a hipertensão aumenta significativamente o risco de complicações graves, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca, doença renal crônica, aneurismas e alterações na visão.

“A hipertensão não controlada é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e tem alto potencial de morbidade e mortalidade quando negligenciada”, ressalta Henrique M. de Souza.

Embora costume ser silenciosa, a doença pode apresentar sintomas em fases mais avançadas, como dor de cabeça na nuca, tontura, palpitações, visão turva e sangramento nasal. Em casos de pressão muito elevada, os sinais podem indicar crise hipertensiva e exigem atendimento imediato.

Para prevenir e controlar a doença, mudanças no estilo de vida seguem como base do tratamento. Redução do consumo de sal, alimentação equilibrada, perda de peso, atividade física regular, moderação no álcool e melhora do sono estão entre as medidas mais eficazes.

“Essas mudanças têm impacto significativo nos níveis pressóricos. Em casos iniciais, podem até evitar o uso de medicamentos. Quando necessário, porém, a medicação deve vir acompanhada de hábitos saudáveis”, conclui o cardiologista.

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