Pressão alta atinge quase 30% dos brasileiros e avança de forma silenciosa
26 abril 2026 às 13h30

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A hipertensão arterial atinge quase 3 em cada 10 brasileiros adultos, o equivalente a 29,7% da população, segundo dados do Vigitel 2024, do Ministério da Saúde. A doença, conhecida por evoluir sem sintomas, está diretamente associada a complicações como infarto, acidente vascular cerebral e doenças renais.
No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, especialistas alertam que o principal desafio ainda é o diagnóstico precoce. Muitas pessoas convivem com níveis elevados de pressão por anos sem perceber qualquer alteração no organismo.
Segundo o cardiologista Thiago Marinho, do Hospital Mater Dei Goiânia, a ausência de sintomas faz com que o problema seja identificado tardiamente. Ele destaca que, em muitos casos, o diagnóstico ocorre apenas quando já existem consequências graves do descontrole da pressão.
Além dos efeitos sobre o coração e o cérebro, a hipertensão compromete diretamente o funcionamento dos rins. O nefrologista Ciro Bruno Costa explica que a relação entre pressão arterial e saúde renal é contínua e progressiva.
De acordo com o especialista, a elevação prolongada da pressão danifica os pequenos vasos que irrigam os rins, prejudicando a capacidade de filtração do órgão. O processo ocorre de forma silenciosa e pode evoluir para doença renal crônica.
Ele ressalta ainda que há um ciclo entre as duas condições: a pressão alta afeta os rins, e a perda da função renal contribui para o agravamento da própria hipertensão.
Mesmo com alta prevalência, a hipertensão ainda enfrenta problemas no diagnóstico. Um dos principais erros, segundo especialistas, é a aferição inadequada da pressão arterial.
A recomendação é que o diagnóstico não seja feito com base em uma única medição. É necessário respeitar critérios como repouso prévio e evitar fatores que possam interferir no resultado, como atividade física ou consumo de cigarro.
Exames complementares, como a monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA), ajudam a avaliar os níveis ao longo do dia. No caso dos rins, testes como creatinina, taxa de filtração glomerular e análise de urina permitem identificar alterações precoces.
Entre os fatores de risco tradicionais estão obesidade, sedentarismo, consumo excessivo de sal e predisposição genética. No entanto, novos hábitos têm contribuído para o aumento de casos, inclusive entre pessoas mais jovens.
Estresse crônico, privação de sono, consumo de álcool e uso de drogas ilícitas aparecem como fatores associados ao crescimento da hipertensão em faixas etárias mais baixas.
O controle da doença envolve mudanças no estilo de vida e, quando necessário, uso de medicamentos. Especialistas reforçam que o acompanhamento regular é essencial para evitar complicações e garantir qualidade de vida ao longo do tempo.
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