Pressão 120/80 deixa de ser ideal e passa a indicar pré-hipertensão, diz SBC
15 abril 2026 às 16h01

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A 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial trouxe mudanças importantes nos parâmetros de avaliação da pressão arterial. O valor de 120/80 mmHg, tradicionalmente considerado ideal, passa a ser classificado como pré-hipertensão, ampliando a necessidade de vigilância clínica.
A atualização da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reflete estudos que demonstram aumento do risco cardiovascular mesmo em níveis antes vistos como normais. Dados da pesquisa Vigitel 2025 indicam que a hipertensão já atinge quase 30% dos adultos brasileiros, acompanhando o avanço da obesidade e do diabetes. Apesar da alta taxa de diagnóstico, apenas um terço dos pacientes consegue manter a pressão efetivamente controlada.
Segundo o médico, Giuliano Seraphim, coordenador da Cardiologia do Ânima Centro Hospitalar, a mudança tem caráter preventivo. “O risco de lesões em órgãos como rins, coração e cérebro começa a subir silenciosamente antes mesmo da hipertensão estágio 1. Para quem apresenta 12/8 hoje, não basta apenas vigiar: é necessário acompanhamento semestral, exames de perfil lipídico, glicemia e, em muitos casos, monitorização residencial (MRPA) para descartar a hipertensão mascarada”, afirma.

A diretriz destaca perfis que devem ser monitorados com maior rigor, mesmo em níveis de pré-hipertensão. Entre eles estão pessoas com histórico familiar da doença, sedentários e obesos com acúmulo abdominal, diabéticos e pacientes com apneia do sono, condição que favorece elevação da pressão arterial.
Para garantir diagnósticos precisos, o Dr. Giuliano orienta sobre a forma correta de aferir a pressão. O paciente deve repousar por cinco minutos em ambiente calmo, sentar com costas apoiadas e pés no chão, manter o braço na altura do coração, esvaziar a bexiga antes da medição e permanecer em silêncio durante o procedimento. Essas medidas ajudam a evitar o chamado “efeito do jaleco branco”, quando a pressão se eleva apenas no consultório.
Na prevenção, o especialista reforça que reduzir o consumo de sal é apenas parte da estratégia. É necessário adotar uma dieta rica em frutas e vegetais, fontes de potássio, além de controlar o estresse e manter a higiene do sono. Dormir mal impede o descenso noturno da pressão, sobrecarregando o sistema cardiovascular.
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