A menopausa não provoca mudanças apenas no organismo e no humor. A pele também sofre os efeitos da queda hormonal e pode perder até 30% do colágeno nos cinco primeiros anos após o fim da fase reprodutiva, segundo especialistas. O resultado é o aparecimento mais intenso de rugas, flacidez, ressecamento e perda da elasticidade.

A menopausa é caracterizada pelo encerramento definitivo da menstruação, confirmado após 12 meses consecutivos sem ciclos menstruais. Geralmente, ocorre entre os 45 e os 55 anos. De acordo com dados do IBGE, cerca de 17 milhões de brasileiras vivem essa fase.

Segundo a dermatologista Isadora Rosan, do Einstein Hospital Israelita, em Goiânia, a redução do estrogênio compromete diretamente a produção de colágeno e elastina, proteínas responsáveis pela sustentação e firmeza da pele.

“Estudos mostram que pode haver uma perda de aproximadamente 30% do colágeno nos primeiros cinco anos após a menopausa. Além disso, ocorre uma redução progressiva da espessura da pele, um processo que também faz parte do envelhecimento natural”, explica.

Mudanças começam antes da menopausa

As alterações na pele podem surgir ainda durante a perimenopausa, período de transição em que os hormônios passam a oscilar antes da interrupção definitiva da menstruação.

Segundo o ginecologista Igor Padovesi, membro da Sociedade Internacional de Menopausa (IMS), é nessa fase que muitas mulheres começam a notar perda de viço, ressecamento e maior sensibilidade da pele.

“Com o passar do tempo, essas alterações tendem a se intensificar e se somam ao processo natural de envelhecimento”, afirma.

Hábitos saudáveis ajudam a preservar a pele

Embora a perda de colágeno seja inevitável, alguns cuidados podem retardar esse processo.

Entre as principais recomendações dos especialistas estão:

  • uso diário de protetor solar;
  • evitar exposição prolongada ao sol;
  • não fumar;
  • manter alimentação rica em proteínas e antioxidantes;
  • praticar atividade física regularmente;
  • controlar o estresse;
  • dormir bem.

O cigarro, por exemplo, acelera a degradação do colágeno e da elastina, favorecendo o envelhecimento precoce.

Tratamentos podem amenizar os efeitos

Além dos cuidados diários, produtos dermatológicos podem ajudar a preservar a qualidade da pele durante a menopausa.

Retinoides, vitamina C, niacinamida e alfa-hidroxiácidos estão entre os ativos com melhores evidências científicas para estimular a renovação celular e melhorar a textura da pele. A escolha do tratamento, porém, deve ser feita com orientação médica.

Nos consultórios, procedimentos como bioestimuladores de colágeno, toxina botulínica, lasers, radiofrequência, ultrassom microfocado e preenchimento com ácido hialurônico também podem contribuir para reduzir os sinais do envelhecimento.

Reposição hormonal pode beneficiar a pele

Quando indicada após avaliação médica, a terapia de reposição hormonal também pode trazer benefícios para a pele.

Ao compensar parcialmente a queda do estrogênio, o tratamento tende a melhorar a hidratação, a elasticidade e a espessura da pele, além de potencializar os resultados de outros procedimentos estéticos.

Os especialistas ressaltam, no entanto, que a reposição hormonal não é indicada para todas as mulheres e deve ser prescrita de forma individualizada, considerando o histórico clínico e os riscos de cada paciente.