As atividades físicas são sempre a receita mais recomendada pelos médicos em casos de pacientes que buscam ajuda para tratamento da saúde mental e transtornos, doenças cardiovasculares, neurológicas e entre outras. Uma coisa que poucos sabem é que os exercícios físicos também possuem um papel fundamental para o controle da glicemia. 

No Brasil, estima-se que cerca de 20 milhões de pessoas vivem com diabetes, segundo dados da Federação Internacional de Diabetes. Isso representa aproximadamente 1 em cada 10 adultos (cerca de 12,9% da população). O país é atualmente o 6º no mundo em número absoluto de casos, sendo a diabetes tipo 2 a que mais acomete as pessoas. 

Segundo explica o médico nutrólogo e intensivista, José Israel Sanchez Robles, a atividade física precisa ser encarada como uma parte essencial do tratamento. “O exercício físico atua como uma importante ferramenta terapêutica para o organismo. Durante a atividade física, os músculos aumentam a utilização da glicose circulante, contribuindo para a redução da glicemia e para a melhora da sensibilidade à insulina.”, explica.

A Diabete é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina no organismo, hormônio que regula a glicose no sangue e garante a energia para o organismo. 

Durante o tratamento, muitos acreditam que apenas uma boa alimentação é responsável pelo controle glicêmico, no entanto, segundo o especialista, a ciência mostra que os exercícios têm a mesma importância que as dietas. “Diversos estudos demonstram que a prática regular de atividade física reduz significativamente o risco de desenvolver diabetes e melhora o controle glicêmico em pacientes já diagnosticados. Além disso, favorece a perda de peso, um dos fatores mais importantes para a estabilidade da glicemia.”, afirma.

O treinamento de força, como musculação e os treinos intervalados de alta intensidade, conhecidos como HIIT são os exercícios mais recomendados, de acordo com José Israel. “Embora qualquer atividade física seja superior ao sedentarismo, estudos mostram que os melhores resultados no controle da glicemia costumam ser observados com exercícios que promovem maior estímulo muscular. A musculação, por exemplo, favorece o aumento da massa muscular e melhora a capacidade do organismo de utilizar a glicose.”, ensina o nutricionista.

O especialista também ressalta que a intensidade dos exercícios faz toda diferença. “Para alcançar benefícios mais expressivos, o treinamento de força deve proporcionar estímulos adequados ao organismo. Isso não significa exceder limites ou assumir riscos, mas utilizar cargas progressivas e compatíveis com a capacidade individual de cada pessoa.”

Outro ponto abordado pelo nutricionista é sobre o horário de realização das atividades físicas. “Para pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2, a prática de exercícios no período da tarde pode favorecer um melhor controle glicêmico. Além disso, realizar atividade física cerca de 30 minutos após as refeições contribui para reduzir os picos de glicose pós-prandiais.”, orienta o médico.

Médico nutrólogo e intensivista, José Israel Sanchez Robles | Foto: Arquivo Pessoal

Ainda assim, o especialista reforça que a regularidade é mais importante do que o horário ideal. “O melhor exercício é aquele que pode ser mantido de forma regular e consistente. A recomendação é praticar atividade física pelo menos três vezes por semana, evitando permanecer mais de dois dias consecutivos sem se exercitar.”

Aos que preferem realizar os treinos no período da manhã, ele recomenda atenção à alimentação. “Evite o consumo excessivo de carboidratos logo ao acordar. Antes do treino, uma refeição leve contendo proteínas e fontes de carboidratos de qualidade, como frutas, vegetais e grãos integrais, pode ser uma excelente estratégia nutricional.”

José Israel também ressalta a importância do diagnóstico precoce para evitar a progressão da doença. Segundo ele, identificar a resistência à insulina ou o pré-diabetes ainda nas fases iniciais aumenta significativamente as chances de reverter o quadro por meio da adoção de hábitos mais saudáveis. “O paciente precisa entender que tem um papel ativo e decisivo nesse processo de mudança”, afirma. 

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