“A perda da proteção estrogênica favorece o ganho de peso”, diz médico sobre menopausa e uso de canetas emagrecedoras
18 setembro 2026 às 19h39

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A menopausa representa um período de mudanças significativas no corpo feminino, marcado por oscilações hormonais que podem afetar o metabolismo e favorecer o ganho de peso. Sintomas como ondas de calor, insônia e irritabilidade se somam aos desafios físicos e emocionais, tornando essa fase um período de adaptação que exige atenção ao bem-estar e à qualidade de vida.
Ao Jornal Opção, o médico João Paulo Batista de Souza, mestre em Biociências e especialista em medicina de precisão à frente da Evidare Clinic, explicou, nesta sexta-feira, 18, os impactos da menopausa no metabolismo feminino e os desafios relacionados ao ganho de peso nessa fase da vida. Segundo ele, a transição para a menopausa ocorre em diferentes etapas, começando pela perimenopausa, período em que há uma redução gradual da produção hormonal pelos ovários, principalmente de estrogênio.
“Essa diminuição acaba acarretando sintomas bem marcantes. A menstruação passa a ser irregular, diminui a quantidade ou aumenta o espaçamento. Alguns meses não vem, outros meses vem. Isso gera calorões, suores noturnos, irritabilidade, dor de cabeça e até aumento de peso e inchaço”, afirma.

Um levantamento realizado pelo médico, em janeiro deste ano, mostrou que a maior parte do público que utiliza medicamentos à base de semaglutida no Brasil é formada por mulheres com idade média de 47 anos. Segundo ele, cerca de 60% a 70% das mulheres na perimenopausa relatam ganho de peso, coincidindo com a faixa etária em que há maior procura por essas medicações.
De acordo com o especialista, os números chamam atenção para a relação entre a transição hormonal e as alterações metabólicas que podem acompanhar essa fase da vida.
Alterações hormonais podem favorecer ganho de peso
Na menopausa, que costuma ocorrer por volta dos 50 anos, outros sintomas podem surgir ou se intensificar. “Aí começa a queda da libido, secura vaginal e dor na relação. Tudo isso vai agravando os sintomas e precisa ser monitorado para garantir qualidade de vida”, disse.
O especialista explica que a redução dos níveis de estrogênio provoca alterações no metabolismo da gordura e pode favorecer o ganho de peso. Os próprios sintomas da menopausa também podem contribuir para mudanças na rotina e para a redução da atividade física.
“A mulher que antes era ativa acaba reduzindo atividades por conta dos sintomas e acumula gordura. Uma paciente ganhou mais de 10 quilos em menos de um ano. Nesse cenário, a semaglutida, um análogo de GLP-1, ajuda não só no controle de peso como também no metabolismo da gordura e do colesterol”, explica.
Uso de “canetinhas” exige acompanhamento médico
João Paulo alerta para os riscos do uso das chamadas canetinhas emagrecedoras sem acompanhamento médico. Segundo ele, a indicação deve considerar as condições clínicas de cada paciente e ser precedida por uma avaliação adequada.
“Toda medicação tem efeitos colaterais. É necessário realizar exames como ultrassom abdominal e análises de sangue para verificar se há condições seguras. Se a paciente tiver hipotireoidismo, déficit hormonal ou pedra na vesícula, o uso pode trazer complicações como pancreatite ou desidratação”, ressalta.
O médico aponta ainda o papel do sono no processo de ganho de peso. Os sintomas noturnos associados às alterações hormonais podem comprometer o descanso e desencadear outros efeitos sobre o organismo.
“Com a modificação hormonal, a mulher passa a ter suor noturno e irritabilidade, o que prejudica o sono. Isso aumenta o estresse e desregula o comando da fome e da saciedade no cérebro. O resultado é consumo maior de calorias e ganho de peso. Para sair desse ciclo, tratamos o sono em conjunto com a medicação e, se necessário, com reposição hormonal”, afirma.
Nem todo sintoma deve ser atribuído à menopausa
Diferenciar sintomas relacionados à menopausa de outras condições também é importante. Segundo João Paulo, alterações físicas e emocionais podem ter diferentes origens e precisam ser investigadas individualmente.
“Muitas vezes os sintomas estão misturados. É preciso separar o que é hormonal do que pode ser uma questão psiquiátrica, como depressão ou bipolaridade, ou mesmo um déficit de vitaminas. Por isso, o acompanhamento multidisciplinar é essencial, com nutricionista e psicóloga”, afirma.
O médico reforça que o tratamento não se resume ao uso de medicamentos. Mudanças no estilo de vida fazem parte das primeiras medidas que podem ser adotadas para melhorar a qualidade de vida durante a menopausa.
“A primeira alternativa é a mudança no estilo de vida: alimentação equilibrada, atividade física, sono regulado e redução do estresse. Em casos mais leves, suplementos podem ajudar. Quando não é suficiente, há opções como terapia hormonal, medicações não hormonais para os calorões, semaglutida, tirzepatida e até ansiolíticos ou antidepressivos, dependendo da avaliação clínica”, afirma.
“É possível ter qualidade de vida”
Ao final da entrevista, João Paulo deixou uma mensagem às mulheres que enfrentam essa fase e se sentem pressionadas pelas mudanças no corpo e na balança.
“A primeira questão é dizer que você não tá sozinha, que é possível melhorar, é possível ter qualidade de vida, recuperar a vontade de fazer as coisas que costumava fazer anteriormente e que tem solução. Então, não precisa sofrer sozinha, não precisa achar que é normal. É importante buscar ajuda de profissionais que possam ajudar nessa fase”, aponta.
Para o médico, tanto as alterações provocadas pela menopausa quanto o ganho de peso precisam ser avaliados de maneira individualizada. “Como toda fase da vida tem suas particularidades, tem seus desafios, a menopausa também é um desafio, e a obesidade também. Então, procura ajuda profissional”, concluiu.
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